Saudade da Catarina…

Quem passou pela Diário da Manhã na Era-Zigelli e logo após, ainda dentro da década de 70, obrigatoriamente conheceu e conviveu com a Catarina, nossa guardiã querida de todos os dias, a zeladora da rádio, mantida ali dentro, onde dormia e morava por deferência humanitária do Coronel Simões (Euclides Simões de Almeida).
Por Aderbal Machado

Catarina (que saudades…) cuidava de todos nós como se fôssemos seus filhos, talvez um pouco mais, tal o carinho que nos dedicava. Que o digam Augusto Mello, José Valério e outros da época, inclusive, talvez o próprio Antunes Severo, que teve o privilégio de vivenciar aquela época de ouro.
Havia também o Dakir Polidoro e o Souza Miranda, personagens míticos do rádio florianopolitano, a quem conheci, graças a Deus, com certa deferência. Até Cacau Menezes passou por lá, com um programa noturno dirigido à “galera” (lembro que ele gravava à noite, sem camisa, suando em bicas).
Pois a Catarina, senhora já adiantada na idade, mas de um vigor, uma alegria contagiante muito acima da média. Uma gozadora de mão cheia, curtia com a cara de todos nós, que ganhávamos apelidos todos os dias.
O meu programa começava às 7 da manhã; mais tarde participava do Vanguarda “Revival”, que o Augusto Mello resolveu tocar após a morte do “Galego” (Adolfo Zigelli).
Pois eu chegava às seis para coletar matérias e montar reportagens e a Catarina já estava de pé, alegre e fagueira, café prontíssimo, pão quentinho à disposição, sanduíches prontos (pão com manteiga) – coisas adquiridas mediante uma “vaquinha” que todos fazíamos e entregávamos o dinheiro à Catarina, que se virava o mês inteiro.
Quando faltava dinheiro ela, que ganhava tão pouco, comprava (e nada dizia, para não cobrar e constranger seus “filhinhos”).
Nunca mais aparecerá outra Catarina. Como ela, surge uma em 10 milhões. Coisa raríssima.
Por isso minha saudade da sua figura será eterna. Não vou encontrar outra igual ou parecida. Pelo menos nesta vida.
Da Redação: aliás, nossas “mães” na Diário foram sempre muito especiais. Lembro da Geni, a primeira que muito nos suportou e da Catarina, claro que foi deveras fora de série.

Categorias: Tags: ,

Por Aderbal Machado

Radialista e jornalista. Nasceu em Araranguá (SC) e iniciou como locutor ao microfone da Rádio Eldorado de Criciúma onde exerceu funções de repórter, redator e de diretor da emissora. Atua atualmente em jornal, rádio, televisão e internet onde mantém o site aderbalmachado.com.br | Reside em Balneário Camboriú/SC.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *