Sebastião voltou

E Sebastião voltou! Sebastião voltou. Há tempos Sebastião não vinha pra casa. Sebastião ficou de voltar à tardinha e todos ficaram, como sempre, aguardando na Ponta da Praia em Navegantes.

Foto ND/Divulgação

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Sebastião estava longe de Itajaí… e nós estávamos com saudade dele. A saudade era grande porque a família nunca havia ficado tanto tempo longe de Sebastião. Ele, naturalmente, nesse tempo em que ficou longe, viu muitas coisas…

Fora para o mar ver as sereias que tanto haviam feito Sebastião sonhar. No meio das ondas turbulentas ele chamou alto a sereia de voz de acalanto… Viu seus recantos prediletos… o reino dos búzios do engodo…

Sebastião voltou! Mas não contou a história que viveu. Todos estavam impacientes para que ele contasse o que havia presenciado.

Sebastião trouxe abismos no olhar, isso todos viam. Trouxe as escamas de prata, cintilando…

Sebastião voltou! Mas não contou nada, cruzou florestas estranhas de astérias, medusas, num leito de ondas…

No lume polar Sebastião viu, naturalmente, os sumidouros nas formas exóticas do paraíso das sereias…

E Sebastião voltou. Sebastião viu o fascínio do mar, o ríspido açoite das ondas, viu palácio de conchas…

Ondas de arminho, Sebastião viu! Mas não contou nada. E nós queríamos que Sebastião contasse.

Sebastião não quis contar o que viu quando saiu para voltar à noitinha.

Havia saído com seus companheiros.

Eles ainda não chegaram, mas Sebastião voltou para contar das  ondas de diamantes, da estrela polar, dos palácios reluzentes de sereias, das estrelas do mar, todas cor de prata… Sebastião voltou, sim.

E Sebastião não contou o que viu. Sebastião voltou morto. E todos ficaram decepcionados.

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