Sem medo de errar

1. “Maguary,
Maguary,
É o suco!”

2. Você não imagina a sensação que sentimos quando a agência onde trabalhamos conquista uma nova conta.
Por Eloy Simões

É como se tivéssemos um orgasmo triplo, disse-me uma vez famoso publicitário. Não sei se dá pra descrever de outra forma esse sentimento.
Mas isso que é maravilhoso pode ser uma armadilha. Às vezes recebemos um cliente que usa um excelente conceito de comunicação. E apesar de ele ter caído no gosto do consumidor, ficamos loucos de vontade de mudá-lo. Então, cometemos um assassinato.
3. Certos de que somos capazes de fazer melhor, simplesmente o abandonamos. Trocamos por outro, da nossa laia, que não pega, porque a partir dali fazemos a comunicação perder o rumo.
Veja, por exemplo, a Brastemp, que atirou no lixo o “não tem comparação”, e o bordão “não é nenhuma Brastemp”, por ele gerado. Olha o que está acontecendo agora, com a comunicação dessa marca.
Lembra-se do “a número um”, da Brahma? Pois é. Tomara que não cometam a loucura de abandonar o “desce redondo”, da Skol.
Ainda bem que alguns crimes às vezes são reparados. Recentemente vimos
O “vem pra Caixa você também” ser ressuscitado. Agora é a vez do
baixinho da Kayser, do Garoto Bom Brim e do mordomo daquele papel
higiênico.
 
4. Vivi essa tentação uma vez, quando a agência que ajudava a dirigir pegou a conta da Maguary. Recebi o brief e logo me veio à memória a assinatura utilizada, durante vários anos, para essa marca e que algum gênio largou pelo caminho.
Movi céus e terras, até descobrir o nome do autor. Que na época já havia falecido. Encontramos a viúva, negociamos com ela e ressuscitamos a vinheta.
Baita sucesso. Para minha surpresa, gente que não havia nascido ou era muito criança quando ela foi veiculada da primeira vez, lembrava-se dela. Não sei como.
5. Ou sei: a vinheta, como escrevi outro dia, tem uma força extraordinária. E vai ficando em algum canto da cabeça das pessoas, à espera de que alguém a faça voltar. E por alguma razão – qual eu não sei – vai passando por gerações, estranhada que fica na memória popular. Mas isso é coisa para os psicólogos e psiquiatras explicarem.
 
6. Claro que manter no ar uma peça em cuja criação não tivemos a menor influência, exige uma alta dose de profissionalismo e muita humildade. Mas vale a pena.


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Por Elóy Simões

Começou no rádio, é jornalista, publicitário e professor universitário. Trabalhou em agências de propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro, Carcas Santiago do Chile, Vitória e Florianópolis. Segue escrevendo em vários sites. É professor da UNISUL o Universidade do Sul de Santa Catarina na grande Florianópolis.
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