Ser ou não ser brucutu

Em se tratando de um jornalista reconhecidamente bem referenciado, esta sua confissão/desabafo serve para melhorar a auto-estima de um expressivo número de indivíduos que, ainda que menos radicais, rezam por semelhante “cartilha”, e, nem por isso, se consideram brucutus! Com toda  certeza ele não é o único a pensar e a agir assim. Abraços e boa semana, com o sem chuva, com ou sem sol. Porque todo o dia é um Bom Dia, Dia!
O mundo obsoleto
Ruy Castro
Ouço dizer que vem aí a “tatuagem eletrônica” – um circuito eletrônico impresso num plástico ultrafino, aderente e flexível, que se aplicará à pele como os desenhos descartáveis que vêm nos chicletes e as crianças grudam no braço. Esses circuitos permitirão medir pressão e coração, substituirão os celulares e serão aparelhos de som -a música será ouvida dentro da cabeça, imagino. Não sei se essa ideia me agrada. Grudar porcarias à pele parece coisa de quem não é muito de banho.
Ouço dizer também que, um dia, todo o “suporte” físico existente no mundo desaparecerá -bibliotecas, museus, discotecas, filmotecas, coleções, arquivos. Não que será tudo reduzido a um chip. Reduzir-se-á a menos ainda, ao impalpável, ao nada. O conteúdo desses bilhões de livros, quadros, discos, filmes, fotos, documentos irá literalmente para o espaço -para as nuvens, dizem. Ótimo, mas, quando acontecer, espero ter ido antes.
Há dias Danuza Leão me perguntou se era verdade que, assim como ela, Caetano Veloso e poucos mais, também não uso celular. Confirmei e acrescentei que, não apenas não celulo, como não posto, não blogo, não orkuto, não tuíto, não façobook (só os arcaicos, de papel), não iPhono e não blackBerro.
Sim, uso computador (desde 1988), mas navego pouco, configuro ainda menos, quase não seleciono e não adiciono nem me deixo adicionar por ninguém. Ainda não sei bem a diferença entre um iPod e um iPad. E juro que, até há pouco, achava que “aplicativo” era um tipo de band-aid.
Não estou me gabando nem me desculpando. Até agora tenho podido viver, trabalhar, aprender, funcionar, ter prazer e me divertir exatamente como em, digamos, 2001, quando nada disso existia. Logo me tornarei obsoleto e terei de me atualizar. Então veremos. Mas, até lá, o mundo de hoje, tão cheio de si, também terá ficado obsoleto.

Categorias: , Tags: , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *