SÉRIE | Jornalismo no papel e no digital. O que pensam os publicitários e profissionais de marketing

O AcontecendoAqui foi buscar junto aos profissionais que atuam em Santa Catarina uma visão sobre o que poderá acontecer com os meios de comunicação na Região a partir da decisão da NSC em parar de imprimir jornais diários no Estado. 

Imagem de USA-Reiseblogger por Pixabay

Dividimos o resultado desse levantamento em quatro capítulos:

– Entidades do Trade;
– Jornalistas;
– Universidades.  
– Anunciantes e publicitários.

A primeira parte da Série, com um apanhado de notícias relevantes sobre a queda de leitores do jornal impresso pelo mundo foi publicada no dia 5 de novembro de 2019, com as opiniões dos dirigentes da ACI, ACIF, ADI, ADJORI e SINAPRO. Acesse a publicação aqui.

A segunda parte publicamos no dia 7 de novembro com a opinião de jornalistas que vivem e trabalham em Santa Catarina. Acesse essa publicação clicando aqui.

A terceira parte com a opinião de universidades publicamos no dia 14 de novembro. Acesse a publicação aqui.

Sobrevida
Na opinião de boa parte dos profissionais ouvidos pelo AcontecendoAqui, as operações menores, cujo custo é igualmente menor, ainda há um espaço de tempo em que se conseguirá manter a lucratividade. Esta, entretanto, é continuamente decrescente, o que permite indicar – sem erro – que também elas caminham para seu encerramento.
Nesta terça-feira, 26 de novembro, publicamos a quarta e última parte dessa SÉRIE repercutindo o que pensam os publicitários e profissionais de marketing que trabalham em Santa Catarina sobre os desafios atuais e os futuros que ainda não temos a menor ideia de quais serão. 

Confira a seguir as opiniões inseridas em ordem alfabética:

“O jornal impresso era um veículo que eu já não tinha mais o hábito de ler. Hoje com a velocidade da informação, ler uma notícia e principalmente em jornal é ler algo que já está defasado. Hoje, a gente tem condições de checar essas matérias de outra forma. A gente vinha percebendo que as  matérias no jornal impresso não tinham mais o aprofundamento de conteúdo. No nosso caso, como anunciante, mantínhamos anúncios ainda pela parceria com alguns veículos. Já vinha sendo alvo de nosso radar a descontinuidade desses anúncios, pois as medições internas apontavam que o  retorno de vendas não apresentavam mais um impacto significativo. Não conseguiamos gerar conversão satisfatória. 

A Lojas Koerich continuará fazendo uso da mídia impressa no Estado, em cidades onde há jornais altamente representativos perante suas comunidades. 

Eu acredito que a ausência do impresso diário fará falta para aqueles leitores fãs do jornal em papel. A mídia impressa sempre teve um importante papel e acho que é um veículo que poderia compor bem o mix de comunicação diante da grande transformação que ocorre em nosso Estado, nitidamente vocacionado para a conexão.

O grande desafio para a NSC é fazer com que a revista semanal tenha relevância para as pessoas. Fazer com que queiram realmente folhear as páginas da revista. Importante acompanharmos como eles vão conseguir fazer com que os portais sejam efetivamente capazes de manter bons números de assinantes para que se possa programar a gama de anúncios dos mais diversos tipos produzidos pelas agências. O que vai conquistar o consumidor e, consequentemente, as ações de agências e anunciantes será a qualidade da comunicação produzida pelos veículos.

Se o exemplo da NSC poderá ser seguido por muitos veículos… é uma tendência. E isso vai depender muito do local em que está inserido o veículo e da dimensão de seu alcance. Cada veículo tem sua capilaridade do Sul ao Norte.”

Adilson Toll – Diretor de Marketing Lojas Koerich

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“O fim dos impressos da NSC deixa uma lacuna nos mercados locais onde o Santa e A Notícia eram líderes. O mercado fica carente de opção de investimento em mídia tradicional e, no Estado de Santa Catarina, o Diário Catarinense era líder, ótima opção para anunciantes em nível nacional,  entre outros!

Havia uma verba que era aplicada em todos os jornais impressos do Grupo NSC. Em minha opinião, aproximadamente 50% do investimento em jornal em SC. Os jornais que existem hoje, em termos de impressos, estão se mobilizando, se movimentando para ocupar parte do espaço e por consequência será opção de investimento! 

Quase todos os jornais que são impressos e que leio principalmente no tablete, acredito que o processo de ida para o digital é irreversível,  permanecendo ainda onde for viável o impresso. As notícias do seu mundo precisam estar disponíveis onde você estiver no mundo!”

Adriano Calil, fundador da Central de Comunicação 

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“Na minha opinião o fim dos impressos diários da NSC não deixarão lacuna. O meio jornal já vem sendo lido e comercializado na plataforma digital há muito tempo. Tê-lo na versão impressa é mais uma opção que o veículo pode oferecer para seu leitor. Todos  sabem que comercialmente o jornal impresso não é mais vantajoso financeiramente, por conta dos altos custos do papel e por uma mudança de hábito de leitura desse Meio. Não tem volta, é só uma questão de tempo. 

Não me surpreendeu a decisão da NSC de não imprimir mais os jornais. O que eu acredito é na qualidade e credibilidade da informação, a forma como vou consumir esta informação, tanto faz se será por um tablet ou impresso.”

Daniel Araújo, presidente da D/Araújo Comunicação

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“Provavelmente fica uma lacuna sim, especialmente entre leitores/assinantes de faixas etárias mais altas, muitos com dificuldade de leitura em telas. Mas é temporário. Acabarão se acostumando, até porque o digital é inexorável e definitivo. Com relação às agências e os anunciantes, não creio. As agências estão digitalizadas e a maior parte de seus profissionais são jovens das gerações Y e Z. Note que, com raras exceções, poucas agências ainda criam e veiculam bons anúncios “gráficos.” O que eu lastimo é a má quailidade de redação, mesmo para o digital e a “preguiça criativa” no design com a moleza dos bancos de imagens (stocks).

Para o anunciante, o que interessa é resultado, independente do meio ou plataforma. Mas creio que as entidades deveriam organizar eventos de evangelização dosw anunciantes sobre o digital e suas possibilidades. Poucos anunciantes sabem o que pode ser feito.

Sobre o risco da iniciativa da NSC abrir uma porteira para todo o meio jornal no Estado, já abriu faz tempo. Só que no interior, em razão das baixas tiragens e o do “localismo”, o processo é mais lento.

Se você quiser minha opinião sobre a escolha estratégica da NSC, considero que eles acertaram. Mas é preciso sustentar conteúdo de qualidade.”

Emilio Cerri, publicitário

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“O impacto que a mídia digital está causando na mídia impressa é inegável. Fico impressionado com o volume de conteúdo que a internet produz. Isso vem ocasionando um consumo muito maior de informações por parte da audiência, sem falar na velocidade desse tipo de mídia, já que isso conta muito para que as notícias sejam consideradas “frescas”.

Acredito que não há uma resposta definitiva sobre o futuro da mídia impressa. Vejo que a necessidade de adaptação é urgente para que se acompanhe uma audiência cada vez mais multiconectada e se mantenha um negócio baseado em mídia impressa rentável. Não há maneira certa ou errada de fazer: o errado é não se movimentar. 

No interior de Santa Catarina, o jornal impresso ainda tem muita força; na Capital e nos maiores centros urbanos do Estado, percebo que esse veículo continua formando opiniões e chancelando a presença e qualidade de seus anunciantes. Isso significa que conteúdo de qualidade e confiança ganha espaço, seja qual for o formato.  

Ainda leio jornal impresso, mas com menos frequência, pois acabo lendo no mobile notícias nos portais on-line dos mesmos veículos proprietários dos jornais impressos. 

Não vejo exatamente uma lacuna a ser preenchida com a descontinuidade dos impressos da NSC, prefiro olhar para o futuro e encarar como uma evolução, mas nem por isso deixo de acreditar na importância de um impresso diário forte e relevante para o nosso Estado. O modo de consumir informações deve ser plural, e a audiência e os anunciantes devem ser bem abrigados.”

Felipe Malta – sócio-diretor da 9mm Propaganda

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“Acredito que o jornalismo  – e a produção de conteúdo de qualidade – deixam de estar “presos” ao papel impresso e/ou a grandes grupos/veículos de comunicação. Podemos ver uma série de canais, perfis, blogs, e outros espaços onde jornalistas ultra qualificados divulgam suas matérias, relatam fatos, expõe suas opiniões.

Já faz algum tempo que eu não lia jornal impresso, mas seguia acompanhando muitos colunistas e jornalistas da NSC – e não apenas deles – em outros canais. Sejam nos portais dos veículos, ou em perfis pessoais destes profissionais.

Acho que a tecnologia está aí pra isso. Um outro leque de mídias faz parte da nossa vida. Vamos receber e consumir conteúdo da maneira que for mais fácil e acessível. Disso não podemos fugir.”

João Paulo Gomes Vieria, sócio-diretor da Sambba Comunicação

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“A NSC informa que estão canceladas as edições diárias impressas de seus jornais, que irão se comunicar com o público pelas plataformas digitais. Decidiram, porém, manter uma edição semanal no formato revista, a circular nos fins de semana.
Quando a internet começou sua avassaladora expansão, pondo em cheque o futuro dos veículos impressos, criou-se um bordão: “o que importa é o conteúdo, não a mídia.”. O tempo veio confirmar essa previsão, pois o conteúdo está hoje expresso na plataforma que a pessoa queira usar. 
O fato é que mudaram as condições de comercialização de publicidade, os recursos foram redirecionados, as audiências tiveram quedas, em alguns casos substanciais, ou seja, o cenário é novo e em constante mutação.
Diante disso, não há como evitar mudanças táticas, o que está sendo fartamente demonstrado pelos maiores grupos de comunicação no mundo e, como não poderia deixar de ser, no Brasil, onde Editora Abril, Estadão, Folha e o Globo, para citar os maiores, estão se reformulando rapidamente.
Portanto, nenhuma surpresa em relação à NSC. Surpresa, sim, a decisão de um jornal-revista de fim de semana. Embora seja uma proposta diferente, faz lembrar as memoráveis edições de domingo do Estadão, com dezenas de páginas com anúncios imobiliários e cadernos especiais de moda, culinária, cultura etc. Leitura para uma semana inteira. Hoje, imóveis não são mais anunciados em jornais, o domingo com certeza não é mais gasto numa poltrona usufruindo matérias alternativas e, para completar, as revistas que ainda resistem vão para as bancas.
Claro que a decisão da NSC deve ter sido baseada em estudos, pesquisas e exercícios de estratégia, mas, pessoalmente, sou cético. Desejo todo sucesso para a iniciativa, mas me preservo para acompanhar a evolução num prazo de maturação de seis meses. 
Tomara que dê certo.”

Julio Pimentel, publicitário

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“O smartphone com a banda larga, na década passada, não foi percebido como uma nova mídia, em função de miopia dos editores. Nao perceberam  a dimensão do novo negócio. Essa nova mídia mudou o modelo de negócio. Antes, os editores apenas construíam uma audiência e a vendiam ao mercado anunciante. Nesse novo negócio a receita vem diretamente da audiência, (como Netflix ou Sky). A posse de smartphones pela população permite que acessem texto, imagem, som e pesquisa, com algo que cabe no bolso e pode ser acessado a qualquer tempo. Isso trás gradualmente mudanças de hábito à captação de informação. No entanto, essa migração será gradual. É uma atitude sabia,  mantendo o impresso, por um tempo maior, não para negar o valor da tecnologia, mas por uma imposição de leitores  e anunciantes tradicionais. Isso significa seguir os Princípios da Administração de Marketing, no sentido de não impor um único modelo de negócio a um mercado, como o de Santa Catarina, que tem segmentos e setores com perfil e demandas conservadores e tradicionais, simultaneamente segmentos de leitores ávidos por modernidade e tecnologia. Equilibrar as demandas no curto prazo pode ser o caminho na busca do sucesso. Editores que apenas migraram em outros Estados nos últimos 3 anos, ainda não lograram o sucesso desejado, segundo informes de mercado.”

Luiz Caldeyra, profissional de marketing

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“O meio jornal vem sofrendo no mundo todo. Inúmeros já fecharam as portas  devido aos prejuízos constantes. É uma tendência irreversível, na minha opinião. O meio digital e a tecnologia mudaram radicalmente a forma das empresas se relacionarem com seus públicos. A geração que chegou aos  30 anos já cresceu sem o hábito da leitura do jornal impresso. 

Acredito no bom jornalismo e na confiabilidade da informação mas agora no meio digital.

Estamos vivendo uma mudança muito rápida e sem precedentes . Todos os meios tradicionais estão encontrando muitas dificuldades . A comunicação agora   é multiplataforma, extremamente segmentada e acertiva devido ao intensivo uso de dados.”

Ricardo Barbosa Lima, presidente da MDO

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“Quanto às agências é cada vez menos off e cada vez mais on. Nós da Propague com a associação com a Doc.Sync já mudamos o nosso modelo de negócio. Somos cada vez mais uma agência de performance que vamos além do Lead. Qualificamos  esse lead para maior convergência  em vendas. Mas no universo digital nem tudo é só algorítmos. Um  conteúdo relevante que interesse ao público específico continua muito importante. Ou seja, o talento ainda é imprescindível em qualquer meio.”

Roberto Costa, presidente da Propague Doc.Sync

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“Acho natural a atitude da NSC. O jeito de se comunicar com o consumidor está mudando rapidamente. A nova geração não lê mais jornal, nem eu estou lendo… rs
Alguns veículos continuarão e outros serão substituídos. Nas agências está acontecendo o mesmo, Quem não se transformar,vai morrer… Aliás, muitos já se foram.”

Romeu Reichert – fundador da Free Multiagência

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“O movimento da NSC como um todo já vinha sendo anunciado nas entrelinhas, no jeito de fazer comunicação e na forma como conduzia seus meios de veiculação. Quem acompanha o mercado e a evolução do meio digital não foi pego de surpresa. O que está acontecendo agora é apenas uma migração de algo que já começou a mudar há algum tempo. A cultura digital nos mostra que a transformação existe, é surpreendente, versátil e como tem oportunidades a oferecer, claro para quem está preparado, capacitado e aberto a aproveitar. 

Quanto a ter sua iniciativa seguida por outras empresas,  acredito que sim, não só pela relevância da NSC e influência que suas ações têm dentro do meio, mas por Santa Catarina ser um dos estados mais digitalizados do país.

A leitura do jornal impresso continua no cotidiano de nossa agência. Prestigiamos os impressos e algumas pessoas ainda têm o hábito de saber tudo o que acontece logo cedo. O impresso, sempre que disponível circula por aqui e é fonte de inspiração para nossa equipe. 

Em nenhum momento, em toda história, aconteceram mudanças tão intensas como agora. As empresas que não acompanharem a velocidade das mudanças ficarão pelo caminho. Considero que os meios de comunicação estão no centro desse processo e precisam se reinventar acompanhando a transformação social que o mundo vive.”

Samanta Tassotti – Sócia-diretora da Exit Comunicação

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“A tendência de retirada do formato impresso do mercado já vem sendo falada há muito tempo, mas quando uma empresa toma a decisão sempre causa surpresa.
Sob a ótica do anunciante, acaba tendo impacto em campanhas com estratégia de comunicação integrada, pois o jornal sempre é visto como um canal complementar para impactarmos principalmente os formadores de opinião e também um segmento da sociedade que não migrou do OFF para o ON.

Em relação à essa tendência ela pode ser postergada desde que haja uma integração com as plataformas digitais, sem a qual o impresso perde dinamicidade e impacto.”

Spyros Achylles Diamantaras, Gestor de Negócios no Sebrae/SC

(AcontecendoAqui, 26/11/2019)

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