Silveira Júnior sem formalismos, sem segredos – 3

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A esposa, Lígia, na reinauguração da praça

Silveira Júnior escreveu também uma peça para teatro (1952), intitulada Dona Generosa, em três atos, retratando histórias dos tempos atuais, através de seis personagens: Angélica uma moça de 20 anos, desempenhando a própria “Dona Generosa”; Lourenço, um homem de cor preta, com mais de 60 anos; “Dona Emília”, mulher, 50 anos; Inês e Otto, ambos com 20 anos de idade, e a empregada Rosa. Por que escreveu a peça? “Eu a escrevi por não poder mais suportar a insistência do seu enredo, que não me saia da cabeça. Escrevi a peça toda em pouco mais de duas horas”. Publicou também um folheto: Cristianismo e Justiça – sobre tema filosófico-religioso (assíduo leitor da Bíblia que era).

Silveira Júnior também comentou como se tornou escritor: “A minha vocação para escrever vem da primeira juventude. Tinha um grande fascínio pelos jornais e uma grande admiração pelas pessoas que escreviam coisas que eu via em letras de forma. Mas em Rio Branco, onde me criei, apenas os almanaques apareciam. Mesmo assim, muito cedo comecei a fazer pequenas colaborações para os diários de Florianópolis, notadamente para o Diário da Tarde, A Gazeta e o Dia e Noite, de Florianópolis”.

Ainda no tempo em que enveredava pelo jornalismo, obteve cinco prêmios em concursos de contos (década de 1940) na antiga revista Semana, do Rio de Janeiro, dirigida por Magalhães Júnior, e dois primeiros prêmios em contos, no antigo suplemento Letras e Artes, do Jornal da Manhã, dirigido por Jorge Lacerda.

Ocupou , desde 27 de setembro de 1971, a Cadeira nº 2 da Academia Catarinense de Letras, que tem como Patrono o poeta Antro dos Reis Dutra, tendo sido o sucessor de Laér4cuio Caldeira de Andrada. Foi recepcionado pelo escritor Nereu Corrêa; em seu discurso de posse, proferiu Silveira Júnior aquela célebre frase que as Academias são como casamentos: eternos, para toda a vida, até que a morte os separe…

Silveira Júnior foi casado com Lígia Pereira Silveira, com quem teve duas filhas: Beatriz e Ivete. Tornou-se nome de rua nas cidades catarinenses de Araranguá e Guaramirim, além de praça em Balneário Camboriú. Empresta seu nome a uma espécie vegetal da família das mirtáceas, Minciária Silveirana, classificada pelo botânico catarinense padre Raulino Reitz.
 
Silveira Júnior faleceu em São José, no dia três de dezembro de 1990, exatamente dois meses após ter sofrido infarto que o levara ao Hospital Regional, de onde só sairia para ser velado e sepultado no Jardim da Paz, em Florianópolis.

Das inúmeras crônicas suas que jazem dispersas em jornais, sobretudo em A Ponte e A Notícia, selecionamos algumas dezenas extraídas do primeiro, a fim de que não se percam na precariedade fugaz dos periódicos.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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