SOBRE TEMPO – IN MEMORIAN DALMO VIEIRA

Sabe que você pode descobrir quais as músicas que estavam nas paradas de sucesso no dia em que você nasceu…? Cultura inútil? Que nada! Sempre é bom saber, pra bater papo quando se está bêbado! Eloá, minha filha, sabendo que “ando não fazendo nada” em Floripa, manda por E-mail, um divertimento: você coloca o dia em que nasceu, o mês e o ano e fica sabendo qual música era sucesso naquele dia. Fiz certinho. Quando vou verificar o ano, o mais longínquo que encontro foi 1945.
Por Donato Ramos

E daí, pergunta você, aí de Itajaí, leitor do Diarinho? Acontece que não vou saber nunca o que rolava naquela época. Não tem o ano de 1936 na brincadeira.
Presumo que o sucesso fosse o Hino da Independência… Cantado por D. Pedro fazendo coro com o negão da batera ou com o Mostinho (irmão do finado Dalmo Vieira, fundador do Diarinho), com o Balhu no contrabaixo, o Zé Cachorro no violão, o Odemar Costa (ou o Iran Manfredo Nunes? Não importa) anunciando o show do português monarca (Laços fora, soldados!).
Do quê fui me lembrar…? Esse show poderia até ser no Cine Luz de Itajaí, com o Lenzi cobrando ingresso, a Hilda e a Irene Souza desfilando, o Paulo Bauer Prefeito, o Dagoberto e o Dirceu testando microfone novo na Rádio Clube, o Silveira Júnior e o Antunes Severo contratando grandes nomes para a sua equipe radiofônica… O Humberto Fernandes Mendonça narrando futebol ao lado do Agildo Bittencourt Cavalheiro, o Nêni, ao piano, na boate do Sebastião Reis, tocando jazz (ainda tinha um pouquinho de visão nessa época!), o Dalton Machado e a Edna escolhendo discos, o Pedro Washington enchendo o saco, o Olindor Camargo trazendo verbas publicitárias, o Banco INCO (hoje Bradesco, se não me engano) emprestando dinheiro a juros estonteantes, a família Lins ficando pobre, os Bornhausen ficando ricos…
O Carlos Fernando Priess – o gênio – fundando o primeiro ginásio noturno gratuito de Itajaí, o Fayal, (depois foi pisoteado pela “redentora”, “aquela tar de revolução”)… Olha que estou falando de coisas de 1957!

Não liga não, gente: mais da metade desse pessoal já se foi, não somente pra outras cidades, mas pra outras dimensões… E, nóis, aqui ainda lembrando deles!
Tem coisas que a gente nunca esquece. Como por exemplo, o Labes da relojoaria bem defronte da Rádio: Querendo dar uma escapadinha de casa, saiu de pijama e chinelos, pra comprar cigarros. Voltou quase um mês depois. De pijama, chinelos e abrindo um maço de cigarros. Perguntado pela mulher desesperada pela sua ausência, disse: “Demorei um pouquinho porque encontrei uns amigos e ficamos batendo papo…”.
Labes tinha um amigo e um avião. Dali foi um pulo pra gandaia!
Tinha um relojoeiro – os da época vão se lembrar – que era acusado de não faturar ninguém. E nos dias seguintes foi visto com uma louraça, de braços dados na praia de Cabeçudas, no maior dos agarros! Descobriu-se depois que era a própria mulher disfarçada de amante…
Tem cada uma! Quando comentavam que a mulher era biscate ele dizia: “O mundo seria bem melhor se cada um cuidasse do próprio “c…”“.
Ah! O tempo, esse carrasco! Não sei se é bom lembrar. Lembrar faz rir, mas na maioria das vezes nos deixa muito triste, como agora estou.
Só me alegrei quando descobri o jornal Diarinho, do saudoso Dalmo Vieira. Ao lê-lo, pelo seu palavreado, lembrei-me do Morro Cortado, onde ficava a zona do meretrício! Era caminho pra Camboriú.
Um jeitinho diferente de fazer jornal, usando os termos que muita gente do povão usa: Cagão, putaria, carca fogo, se phode, pingola, fodelança, tomar naquele lugar, escorraçar fiadaputa do beco, anúncios de comer gente, tirar a barriga da miséria, mocréia, puxadadesaco etc.
O Dalmo (de bruços no caixão!) deve estar dando boas gargalhadas ao saber aonde chegou o seu jornal tão querido!
Eu que publiquei cinco livros sobre o Folclore da Imprensa, teria editado mais de vinte se tivesse conhecido o Diarinho há mais tempo!
Mas ainda é tempo, pois tempo é o que não me falta! Sou jovem e com jovem “é outro papo”!
[email protected]
Servidão Ilha Paraíso, 98 – Campeche – Florianópolis
(endereço bacana pra mandar o Jornal, não é mesmo Sâmara?)


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Por Donato Ramos

Radialista desde quando estreou ao microfone da Rádio Clube de Paraguaçu Paulista, na década de 1950. Trabalhou nas principais emissoras de Rádio do Paraná e Santa Catarina atuando na locução, produção e direção artística. Tem dezenas de livros publicados sobre rádio e jornalismo. Atualmente se dedica a ações filantrópicas.
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