Sonotécnicos, esses esquecidos…

Controle de som, sonotécnicos, operadores de estúdio, sonoplastas (no idioma pátrio), eram algumas das designações pelas quais se qualificava um elemento chave no funcionamento de cada rádio-emissora. A estes eram delegadas várias incumbências. A primeira era a de controlar a chave que liberava o microfone ao locutor e, a segunda, de pôr o picape sobre os velhos discos (bolachões) de 78 rotações por minuto para ilustrar com música a programação (também os prefixos e sufixos de jornais falados e outros programas).
Por Agilmar Machado

Havia os ótimos, os bons e aqueles que não duravam muito na mesa de som pelo desleixo ou pela incompetência mesmo. Dentre todos esses havia os perfeccionistas. Esses eram raros, mas encontramos e tivemos a imensa satisfação de com eles trabalhar e admirar seu trabalho.


Sandro, filho de Francisco Mascarenhas, diretor da Rádio Diário da Manhã, em 1956.

Temos lembrança de algumas emissoras nas quais atuamos, onde encontramos muitos e verdadeiros craques nesse admirável ofício. Darcy Antonelli, tio do atual prefeito de Criciúma, Anderlei Antonelli, talvez tenha sido o mais zeloso e competente que conhecemos (presto a ele um registro especial no livro “História da Comunicação no Sul de Santa Catarina”, com foto que o próprio me mandou).


Antonelli foi o primeiro operador de estúdio e discotecário da Rádio
Eldorado de Criciúma, em 1948.
 

O Darci, além de sonoplasta sempre alegre e sorridente, desempenhava outra inefável tarefa: a de discotecário.  Nesse particular chegava a ser enervante, pois para “programar” um tema musical muitas vezes levava mais de dez minutos analisando qual seria o ouvinte daquele horário, as condições técnicas da gravação, o chiaço inicial (inevitável nos discos mais tocados), os espaços das “dedicatórias”, para que não viessem a azucrinar os ouvidos dos que preferiam programas mais refinados naquelas horas. Era um artista em seu mister.
 
Seu companheiro de mesa, com quem repartia o tempo de transmissão da Eldorado de Criciúma, era o Aristides Madeira. Este tinha outro comportamento, totalmente diverso no que tange à vocação: voltava-se para o aspecto técnico, muito embora, mais tarde, viesse a ser um grande violonista. Adorava o engenheiro Rui Feurschuette, a quem chamava “dotô. Rui”, com seu erre supercarregado. Era quem percorria o trecho entre os estúdios e o Morro do Bainha, onde ficavam torre e transmissor (quando a linha se enroscava com o vento), portando um bambu às costas para desenlear os fios nus e cheios de emendas, após um SOS do Victorino, operador do transmissor, alertando que o velho Byngton de 100 watts estava “fritando ovos”! De tanto conviver com o engenheiro Rui, acabou virando a maior autoridade como rádio-técnico na região carbonífera…  De quebra, tinha ainda o Santos Flores, que mais era maestro do Regional R-6 (próprio).
Como levaram a sério a função que exerceram lá pelos idos entre 1949 e 1965, aproximadamente, quando se afastaram para tomar outros rumos na vida. Com eles muitos aprenderam a manejar a mesa de som, inclusive eu – no início da carreira e com a voz ainda engaipavando -, Hélio Florentino (de grata memória) e poucos mais. “Pulei” para o estúdio, como locutor, no ano de 1950, pois era uma vocação familiar. Logo depois viria a redação que, mal ou bem, enfrentamos até hoje. Depois disso podemos salientar outros tantos controles de som que conhecemos e com os (as) quais contamos para “aprimorar” as apresentações de estúdio: Maria Damiani, Zenaide Luciano e Olinda Bettiol (Difusora de Urussanga, hoje Marconi); Jurandir Jorge da Silva e Escovinha (Rádio Tubá, de Tubarão); Wilfredo Silva, Jucemar Otávio e Luiz Carlos Ambrozini, este fenomenal pianista e depois também locutor (Rádio Difusora de Laguna); Flavinho Souza (Rádio Difusora Vale do Itajaí, de Blumenau).
Não sabemos se nos causa nostalgia ou alegria abordar esse tema. Só sabemos que guardamos um imenso reconhecimento a esses heróis que ficavam “por trás das ribaltas” (e tanto poderiam nos aprimorar, como também nos “demolir”). Tudo dependia do que faziam à frente do seu “instrumento” de trabalho, sua excelência, a MESA DE SOM… Acho que o que sentimos mesmo é uma imensa gratidão e muita saudade daqueles tempos…


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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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