Souza Miranda, O Peregrino do Rádio

Em cinqüenta anos de carreira Souza Miranda trabalhou em dezenas de rádios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Apaixonado por uma Catarina ancorou na e vive aqui neste “pedacinho de terra perdido no mar”, como diria o poeta Zininho.
Por Antunes Severo

É muito comum as pessoas dizerem que amam o rádio. Mas, amar, viver e fazer rádio como o paranaense Souza Miranda, com certeza não é muito comum. Nascido em Morretes (PR) dia 22 de julho de 1928, criou-se vivendo com a família em Antonina e depois em Paranaguá. Completou o segundo grau e com 16 anos fez teste para locutor e começou a trabalhar na Rádio Difusora de Paranaguá. Daí não parou mais. O espírito peregrino leva Miranda às emissoras da capital paranaense e depois às de Santa Catarina e daí vai e volta várias vezes à São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro até estacionar em Florianópolis. Veja mais na entrevista.

Locutor, cantor, produtor e corretor de anúncios, Souza Miranda completa cinqüenta anos no ar e de quebra comemora setenta e seis anos de vida.

O jovem locutor chega na capital catarinense em novembro de 1954, a convite do amigo Francisco Mascarenhas que cuidava da instalação da Rádio Diário da Manhã. Apesar da amizade e do bom salário que deveria ganhar, Miranda não se entusiasmou com a pacata cidade que além de pequena sofria com a precariedade do fornecimento de energia elétrica e com a timidez de sua vida diária. O choque era muito grande, pois ele deixara atrás a vibração da vida noturna de São Paulo e o charme de trabalhar na Rádio Tupy, então líder das Emissoras Associadas de Assis Chateaubriant.

Mascarenhas, bom argumentador convence Miranda a permanecer até a inauguração da emissora que estava prevista para 31 de janeiro de 1954. Foram dois meses de tédio para o inquieto Souza Miranda que só aliviava o enfado e o vazio dos dias quentes do final da primavera descansando no hotel ou tomando uma cervejinha enquanto acompanhava o crepúsculo do já abatido Miramar. A noite, sempre havia a compensação de uma boa companhia nas boates da cidade.

Finalmente chega o dia da inauguração da Rádio Diário da Manhã. Foi um alvoroço desde as primeiras horas da manhã. A emissora estava no ar em caráter experimental desde os primeiros dias de dezembro e não poupava avisos anunciando a programação inaugural prevista para começar às 20 horas do dia 31 de janeiro de 1955, com a apresentação de um recital de musicas lírica e clássica. Para finalizar, a interpretação do Hino de Santa Catarina por um coral em homenagem ao “doutor” Irineu Bornhausen, governador do Estado e proprietário da emissora.

Às 20 horas, terminada a transmissão da Voz do Brasil, o operador aciona o gongo três vezes, gira a alavanca de liga o microfone do palco-auditório no primeiro andar do prédio número 11 da Praça XV de Novembro e soa nos alto-falantes internos e nos receptores de milhares de ouvintes a voz clara e sonora do primeiro locutor oficial da emissora:

Souza Miranda: Boa noite senhoras e senhores. A Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, transmitindo em ondas médias, na freqüência de 1010 khertz, passa a falar diretamente de seu palco auditório para transmitir a solenidade de inauguração desta emissora. Para anunciar a programação, convidamos o diretor da Rádio Diário da Manhã, Francisco Mascarenhas.

No dia seguinte, não dava outro assunto nos comentários da cidade: o som maravilhoso da emissora e o locutor perfeito que viera de São Paulo para conquistar a audiência de Florianópolis. Isto, sem falar, nos corações que arrebatava até que chegasse sua hora de se apaixonar por uma Catarina com quem veio a se casar e a ter filhos como o Claudionir Miranda, hoje também um famoso locutor de nossas emissoras.

Souza Miranda, aos 76 anos de idade continua produzindo e apresentando um dos seus mais famosos programas. Souza Miranda Show vai ar todos os sábados pelos 1.060 khertz da Rádio Difusora/Gazeta de Florianópolis.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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