Sylvio Bittencourt

Na matéria que publica esta semana o mano Aderbal lembra um nome que representou uma das grandes amizades desfrutadas por mim: Sylvio Bittencourt. Nascido em berço modesto (filho do temido Cabo João), ele jurou vencer e dar uma vida das melhores possíveis à sua mãe (descendente de uma numerosa prole – a dona Zé Clarinda, de Araranguá).
Por Agilmar Machado

Depois de uns tempos variando entre o rádio (Eldorado de Criciúma), a poesia, o palco e o canto, resolveu respirar os ares da Cidade Maravilhosa (hoje nem tão maravilhosa assim…), Rio de Janeiro. Saiu à escoteira: roupa do corpo, mais umas mudas numa pequena mala e a inabalável vontade de vencer.
Depois de comer o pão-que-o-diabo-amassou na então Capital Federal, conheceu (por acaso, na praia) Neném, uma senhora de privilegiada posição social que com ele simpatizou e passaram a ser bons companheiros. “Sétimo Céu”, uma revista famosa de telenovelas apresentou uma de suas histórias com o Sylvio; depois, um pequeno “bico” num filme brasileiro.
Sua meta vinha, aos poucos, sendo alcançada: poder voltar à sua terra vitorioso. E assim foi. Atleta em que havia se convertido, Sylvio chamava a atenção pelo seu porte particularmente belo e portador de uma simpatia que a todos contagiava. Teve seu declínio relativo, possivelmente gerado pelos excessos que praticava. Mas manteve sempre uma linha de absoluta independência. Seus últimos dias eu acompanhei. Já não era mais o atleta que surfava na lagoa com a vitalidade de um campeão…
Combalido, ainda ofereceu um jantar de aniversário em seu restaurante no seu Campestre Iate Clube. Foi a última festa da qual não participei, malgrado ter ele solicitado – encarecidamente – a uma amiga comum que não deixasse de me avisar e transmitir o seu convite, pois minha presença era imprescindível. Ela esqueceu…
Pouco depois, Sylvio fazia sua derradeira viagem… E não tive a oportunidade de vê-lo pela última vez.

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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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