TÁ FALTANDO IRREVERÊNCIA

1. “Arroz, se come com feijão,
Cachaça, se come com limão,
Porém, se a pátria amada,
Precisar da macacada,
Puta merda que cagada.
Escoteiro, carniceiro,
come tripa de carneiro;
vai dizer pra namorada,
que comeu macarronada.”
Por Eloy Simões

2. Claro que os tempos eram outros, muito mais românticos e – com perdão pela expressão – mais corajosos que os de hoje. Àquela época, zombava-se de tudo, o brasileiro era um grande gozador. As letras que reproduzi no começo destas mal traçadas são um exemplo disso. A primeira parodiava marcha militar inventada para incentivar os jovens que foram lutar na Europa, por ocasião da terceira guerra mundial.
A segunda, bom, você sacou de onde ela saiu.
3. Foi esse espírito gozador que permitiu o surgimento de Chico Anísio, Alvarenga e Ranchinho, Jararaca e Ratinho, PR K Trinta, Balança, Mas Não Cai, e outros tantos. Justamente o que está faltando agora, no nosso rádio, provavelmente porque os tempos são mais sisudos, onde a preocupação com os Ibopes da vida não permite riscos. E inovação, você e eu sabemos, sempre envolve risco. Porém, quando dá certo…
4. Sou, tenho dito insistentemente, um corujador de rádios. Por onde passo procuro ouvir as emissoras da região. Nestas férias, por exemplo, percorri, de carro, mais de três mil quilômetros. Passei por um sem número de cidades, sempre ouvindo o que transmitem por aí.
O que ouvi? Música (geralmente sertaneja ou caipira), propaganda (quase sempre muito mal feita), música de novo, ouvinte ao telefone. Volta e meia, programas religiosos  (caramba, como tem emissora religiosa neste país). E uma ou outra emissora retransmitindo, em cadeia, noticiário jornalístico.  Um show de lugar comum.
Pra não ser injusto, ouvi, em uma Emissora da cidade de S. Gotardo, algo diferente. Tem lá uma mulher, que faz uma paródia de programas  de TV tipo Ana Maria Braga, que vale a pena ouvir. Com um jeito mineiro de falar, ela vai contando coisas que ocorrem na comunidade. É de morrer de rir.
5. É muito pouco. Infelizmente, com essa e provavelmente raras outras exceções, o rádio brasileiro caiu no lugar comum.
Uma pena, essa falta de imaginação.


{moscomment}

Categorias: Tags: , , ,

Por Elóy Simões

Começou no rádio, é jornalista, publicitário e professor universitário. Trabalhou em agências de propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro, Carcas Santiago do Chile, Vitória e Florianópolis. Segue escrevendo em vários sites. É professor da UNISUL o Universidade do Sul de Santa Catarina na grande Florianópolis.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *