Talento, inspiração e transpiração

Algaci Túlio já foi vereador, deputado e novamente vereador em Curitiba. Desde pequeno gostava de ouvir o único rádio da localidade onde morava, instalado na bodega de João Túlio. 

Movido à bateria o receptor tinha a responsabilidade de entreter e informar a população local. Aos domingos os moradores do distrito de Areias em Almirante Tamandaré, próximo a Curitiba, se reuniam em torno do rádio de seu Túlio para ouvir as transmissões esportivas.

Entre eles estava Algaci Túlio, filho de João. Aos 14 nos de idade já era colaborador da Radio Marumby. Não ganhava nada pelo seu trabalho que exigia muito suor. Circulava pelos clubes de bairros coletando noticias do futebol amador para o programa dirigido por Osni Silveira. Revelou talento e dedicação na atividade, o que lhe valeu um convite de Mauricio Fruet para integrar a equipe esportiva da Radio Emissora Paranaense.

Anos mais tarde foi lançado na televisão como repórter policial. Nos anos 1970, quando a concessão do canal da TV Paraná foi comprada pelo empresário José Carlos Martinez, o diretor de jornalismo na época, Jamur Junior, decidiu colocar no ar o primeiro telejornal transmitido ás sete horas da manhã. O programa, que tinha o nome de “Café Com Leite,” era apresentado pelo jornalista Narciso Assumpção, um negro elegante, culto e extremamente simpático, e uma loirinha que foi encontrada como balconista das Lojas Prosdócimo.

Nesse time, Algaci Túlio entrou para apresentar diariamente uma resenha de todos as ocorrências policiais e disputar a audiência com as rádios que mantinham programas policiais nesse horário. Para isso levantava de madrugada e percorria as delegacias de Curitiba coletando noticias. Antes das sete da manha já estava no estúdio, pronto para contar para os telespectadores tudo o que ocorria no setor durante a noite.

Tornou-se muito popular e elegeu-se vereador com grande votação. No período em que atuou no rádio, fez muito sucesso, foi um grande campeão de audiência e como a maioria dos profissionais deixou alguma marca com gafes que ficaram na historia. Costumava usar com freqüência a expressão “profundamente lamentável”. Um dia contando sobre uma ocorrência tropeçou feio.Com voz forte e num tom emocionado anunciou;

“Senhores ouvintes, é profundamente lamentável o que aconteceu. O larápio entrou na casa do cidadão e levou tudo o que pode e ainda cometeu uma barbaridade. Pasmem, senhores ouvintes, o marginal botou fogo no gato da família. O pobre bichano virou UMA TOCHA HUMANA.

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