Tango, Messi e Francisco: divagações sobre a Argentina

Andei chuleando a Argentina um pouco mais de perto depois que o cardeal Jorge Mario Bergoglio se tornou o Papa Francisco, o que, lógico, aumentará a autoestima do povão que mora ao lado do Rio Grande do Sul. Obviamente, nada de estudo profundo, só aquele olhar mais atencioso para melhor entender algumas reações dos vizinhos.

Com a pendenga de alguns acharem Maradona superior a Pelé, por exemplo, coisa que a grande imprensa dos dois países faz questão de alimentar, podemos perder a objetividade e por isso a chuleada arguta. (Em tempo: essa discussão a gente ganhava fácil, fácil até surgir esse fenômeno chamado Messi; claro, claro, temos o Penta, mas no futuro quem será lembrado como o maior de todos nos futebol? Fica, para outra vez a pendenga do automobilismo: Juan Manoel Fangio ou Airton Senna?) Sobre pólo, rugby, hockey, tênis não falo; nem que eles já tinham metrô no inicio do século passado.

Tenho a impressão de que a visão sobre a Argentina é de uma tonalidade para quem é do Sul (sujeito a influencias reciprocas) e, outra, bem diferente, para quem está mais longe, ao Norte e Nordeste. No meu caso de menino dos campos de barba de bode da Palmeira das Missões-RS, por exemplo, primeiro apreciei o tango (vinha pelas ondas da Rádio Belgrano, de Buenos Aires) e só muito depois, bem depois, o samba. Assim, quando afirmo, que gosto mais de tango (ritmo que se tornou universal) do que de samba, tem gente que não compreende a preferência e duvida da minha brasilidade.(Outro em tempo: não importa se foi um uruguaio que inventou o ritmo ou se Gardel era francês, como provocam, o tango está ligado ao argentino como a cachaça ao Brasil).

Com cerca de 38 milhões de habitantes a Argentina é um dos mais belos países do mundo (para sorte da nossa economia praia não é o forte dela); entre suas incontáveis belezas de Norte a Sul estão as Cataratas do Iguaçu (eles dizem que o lado deles é mais deslumbrante do que o nosso)e os glaciares de Perito Moreno. Além de ter uma das populações mais cultas (ou tinha, eis que governo eficiente não étradição) do Planeta. Para a gente não se enredar em relações cansativas, lembrar que o país tem um prêmio Nobel de Química, dois Nobel de Medicina e dois Nobel da Paz ilustra bem tal questão e não precisamos lembrar Borges, Cortázar, Sábato, Quino, Mercedes…

Em meio a um território infestado de belezas naturais imponentes – da pampa à Patagônica e os Andes –(ou construídas como é a capital) os argentinos têm tradição impar e se orgulham bastante da sua produção de carne de gado, carne de ovelha, da lã, do vinho que compete com os melhores do mundo, da maçã (acho que as nossas já passaram as deles), do trigo para panificação que corre o mundo (um dia a gente chega lá), do “alfajor”… Em síntese: o argentino tem café no bule (ou mate) para ter um papa!

Para finalizar minhas pinceladas sobre a Argentina fantástica do Papa Francisco faço duas indagações: 1) como um país de tantas virtudes consegue ter tantos governos incompetentes e retrógrados? 2) o que leva tantos argentinos ao divã(enquanto existem 196 psicanalistas para cada 100 mil habitantes na Argentina, nos Estados Unidos a proporção é de 27 para cada 100 mil pessoas)? Freud responderá? Ou o tango?

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Por Ivaldino Tasca

Jornalista e radialista. Natural de Barra Funda/Sarandi-RS. Reside em Passo Fundo, onde já foi secretário de Meio Ambiente e de Cultura. Atuou na Cia. Jornalística Caldas Junior por dez anos, foi chefe de redação e diretor de O Nacional, mantém coluna no jornal Diário da Manhã e programa sobre ecologia na Rádio Uirapuru de Passo Fundo.
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