TCC macabro

Júlio Pimentel

Com surpresa e prazer, recebi um convite para participar da realização de um curta metragem, trabalho de conclusão de curso de uma turma da Unisul. Aceitei, claro, porque estaria colaborando de alguma maneira com a aluna que está concluindo o curso e, ao mesmo tempo, vivendo uma experiência nova. Então vamos lá: luz, câmera, ação! Tivemos uma longa sessão de ensaios na véspera da gravação e no dia, após quase uma hora e meia de maquiagem e duas de espera, começamos a gravar minha cena, o que se repetiu exaustivamente por mais duas horas. E não tive nem uma linha de texto, porque estava morto, com um tiro na testa. Com tudo isso, digo a vocês que dificilmente receberei algum prêmio por minha atuação. Mas foi extremamente gratificante ter participado. O filme chama-se “Senhor das Águas” e a diretora, Bartira Santa Catarina.

Trata-se de uma história no gênero terror, verdadeiramente macabra, que inclui suspense, mortes, loucura e até necrofilia. Rodada num velho hotel próximo da ponte Hercílio Luz, que concorreu enormemente para o ambiente de suspense, a produção decorreu num clima de elevado profissionalismo.

De fato, foi muito interessante ver uma equipe jovem, garotada em busca de experiência e reconhecimento, se dedicando com tanta disciplina e afinco à tarefa a que se propôs. Cada qual plenamente consciente de seu papel – produtora, maquiadora, cenógrafo, continuista, diretor de fotografia, atores, todos enfim, colaborando diligentemente com a diretora que, dava tudo de si para realizar o seu trabalho.

Mas uma questão me incomodava: por que uma jovem escolheria um tema assim? Então resolvi perguntar para Bartira, numa entrevista para Acontecendo Aqui, cujo resumo é este:

“Quando criança não assisti filmes de suspense ou terror, porque minha mãe acreditava que assim estaria me protegendo. Mais tarde, cursando cinema, percebi que deixei de conhecer um gênero interessantíssimo, e bem difícil. O que se espera desse gênero é que desperte no espectador a angústia e tensão inerentes à trama. Encantei-me pelo gênero, e me senti desafiada.

Foi gratificante experimentar, e consegui produzir um curta metragem, em plano sequência. E sou eternamente grata a minha equipe, família e amigos por terem me apoiado.

Não sei se é uma tendência. Foi um experimento muito importante, que me trouxe experiências novas e significativas para minha vida profissional e pessoal.

Acredito que agora, se fosse começar a escrever, faria um drama, com aspectos reflexivos, de questionamentos internos de valores, pessoal, emocional ou até coletivo. Porque acho que o livro, filme, música, dança, ou qualquer representação artística faz parte do momento do artista, onde ele exterioriza conflitos internos, que são naturais e mutáveis, de acordo com o momento que se encontra, ou do que vivencia.”

Parabéns para Bartira e sua equipe, que faço questão de mencionar:

Bartira Santa Catarina. Krystopher Andrade, Vanessa Gasparelo, Andréa Oliveira, Deici Dias, Mauricio Ponce, Allan César, Thomas Dandam, Monique Buendguens, João Vitor , Leonardo Bortolini, Carolina Pires, Gabriela Brandão, Paula Kadija Damiani, Astrô Rondon, Thiago Celes, Luiz Barz, Tio Ira, Willian (Irinha), Gringo Starr, Marcello Trigo.

E os atores: Fernando, Sonia, Marcos, Nilo e Julio, com minhas desculpas pela ausência dos sobrenomes.

Que venham mais convites mas, preferivelmente, para personagens vivos.

Julio J. L. Pimentel, paulistano radicado em Florianópolis. É administrador com especialização em marketing (Unilever, Peixe, PepsiCola), publicitário (Almap, CBBA, JWThompson, Propeg, Ziegelmeyer Pimentel, Cavalcanti, Julianelli, Pimentel), professor (ESPM, ADVB) e atuante em associações de classe e comunitárias (ADVB, ABAP, Fundação Abrinq, IDES), além de palestrante e consultor.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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