Tela mágica

A televisão é a principal fonte de entretenimento para milhares de brasileiros. A novela está no topo da lista dos programas preferidos, seguida do futebol. Para alguns a televisão é uma companhia que ocupa espaços vazios no cotidiano. Outros não vivem sem televisão e muito menos sem novela. São os fanáticos da telinha mágica que tudo assistem, sem reclamar de qualidade, tempo de programa etc.

Tem os fanáticos específicos de novelas; nada fazem no horário em que elas aparecem na tela. Hora de novela é sagrada. Dizem que nos tempos do Cid Moreira, que notabilizou seu “Boa Noite”, no final do Jornal Nacional, toda vez que o apresentador se despedia, aumentava o consumo de água no país. Era o momento em que milhares de telespectadores se dirigiam ao banheiro antes do início da novela das oito, a de maior audiência da emissora.

As novelas continuam mantendo milhares de telespectadores com os olhos pregados na tela, mesmo que seja preciso esperar alguns minutos para uma corrida ao banheiro no intervalo comercial. Com novela ou não a TV se transformou no principal meio de manter a vida do brasileiro mais animada e interessante. Animação e companheirismo é uma função que a televisão vem cumprindo com sucesso.  Pessoas solitárias vivem seus dias na companhia de um televisor permanentemente ligado, mesmo que não esteja vendo o programa exibido. Basta o ruído que vem da tela, com choros, sorrisos, conversas, música e até a gritaria de religiosos que prometem dias melhores que alguns estão sempre esperando.

Um economista aposentado, morador no litoral do Paraná, quase na divisa com Santa Catarina, foi contratado para realizar um trabalho de recuperação financeira de uma cooperativa numa pequena cidade na região de Blumenau. Verificou que na localidade só havia um hotel  e ali se hospedou. Fica de segunda a sexta-feira na cidade e no sábado retorna para a família. Quando chegou no hotel constatou que o sinal de TV vinha de uma antena parabólica que colocava na telinha alguns canais religiosos, futebol de São Paulo e Rio de Janeiro e novelas, que ele não gosta. Para garantir distração durante a semana e assistir jogos do Coxa, procurou o proprietário do hotel.

– Por que você não  coloca TV a Cabo?

– Não vale a pena, são poucos os hóspedes e é muito baixo o faturamento do hotel.

O economista fez a proposta de pagar a metade do valor de uma TV a Cabo, com um dos pontos instalado em seu quarto. Negócio fechado. Dias depois o hotel já podia exibir TV na pequena portaria do hotel e no quarto do hospede que passou suas noites de solidão em boa companhia; a TV.

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Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
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