Tema para debate: nosso rádio merece respeito

Demissão na Record escancara situação difícil nas rádios brasileiras

Flávio Ricco

Apresentador Leão Lobo está entre as demissões da rádio Record

Está difícil a situação no rádio das grandes cidades. São Paulo, por exemplo. Na sexta-feira, a Record demitiu cerca de 200 funcionários da sua AM. Profissionais conhecidos, como Paulo Barbosa, Juarez Soares, Paulo Roberto Martins, Leão Lobo, Gil Gomes, Cássio Lima Rosa, Cacá Siqueira e Débora Santilli estão entre muitos que perderam o emprego. Não se trata de um discurso corporativista, mas uma triste constatação: hoje, para trabalhar em rádio, é preciso ser padre ou pastor. Radialista ou jornalista não serve mais. Problemas de recepção à parte, os investimentos comerciais diminuíram na mesma ordem em que as programações vieram a ser ocupadas por pessoas das mais diferentes crenças e religiões. Na AM, dos prefixos conhecidos da capital de São Paulo, sobraram apenas a Jovem Pan, Bandeirantes, Globo, CBN e outras poucas. O FM, lamentavelmente, se percebe, não vai para caminho diferente. É muito triste. Depois alguns ficam meio assim quando alguém resolve tomar o caminho inverso, e ele mesmo “demite” a emissora – rádio ou TV – em que trabalha, como foi o caso do Datena recentemente na Record. Os direitos são iguais e nada mais pode nos surpreender.| Colaboração de José Carlos Nery

Comentário de Jair Brito:
Durante vários governos, a mal cumprida legislação da radiodifusão brasileira permitiu que grupos religiosos ou não – sem nenhuma credibilidade empresarial – assumissem canais de rádio e TV. O que se constata agora é o resultado da política do “toma lá, dá cá” que dominou o meio concedente, o atual ministério das Comunicações. Começou anos atrás quando a JB AM (Rio), na época  rádio de melhor som e programação do país,  foi interrompida com a demissão de uma centena de bons profissionais e surgisse na sua frequência conteúdo religioso produzido por três ou quatro pessoas. De lá pra cá, desapareceram inúmeras entidades e prefixos tradicionais. A presidente Dilma Rousseff, o ministro da área, Paulo Bernardo, e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, têm autoridade para estancar casos como esse da Rádio Record. E, com vontade política, fazer valer as leis que regem o setor.
Nosso rádio merece respeito.

1 responder
  1. J.Pimentel says:

    O Rádio, como o conhecemos, não existe mais. Esse excremento que restou não pode ser chamado de rádio e dois terríveis desastres servem para colocar a pá de cal que faltava para enterrar o rádio de uma vez: a terceirização e as programações religiosas. O grande problema é que os donos de rádio são os mesmos inconsequentes de sempre, não há uma nova geração visionária que busque os novos caminhos que estão ai, disponíveis com a nova tecnologia. O governo não faz valer a lei porque são esses empresários e religiosos que lhe dão sustentação. Não se iludam. Não há uma saída digna para o rádio sem uma reestruturação empresarial e de redistribuição de canais. Mas que governo tem a audácia e coragem para mexer nesse imenso vespeiro que ele mesmo criou através dos tempos?

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *