Tempos das barganhas

É possível desenvolver “a arte do bem comum”, ou seja, fazer politica de modo adequado para beneficiar a população com 32 partidos políticos? Quando mais rápido a Nação responder a essa pergunta melhor será para a cidadania.

Nessa área nossa história é triste, pois nos últimos 70 anos o Brasil transitou do pluripartidarismo imberbe que desembocou numa ditadura de duas décadas para o bipartidarismo esquisito das sublegendas até chegar ao atual multipartidarismo que não para de se expandir e trazer incertezas quanto ao futuro.

O sistema partidário brasileiro virou uma balburdia, se tornou algo gelatinoso, tem se mostrado cada vez mais frágil e cada vez mais desacreditado por parte da sociedade por vários fatores, a começar pelo excesso de siglas que nos remetem a uma incongruente sopa de letrinhas. Outro dia uma roda de oito pessoas a mais informada, obviamente com passagem pela política, conseguiu lembrar-se de 22 siglas.

Essa sensação de caos que reina no panorama político nacional é explicada também pela falta de postura programática claramente definida pelos partidos, pela inexistência de uma ideologia que mostre para onde o cidadão será sendo levado caso a sigla vença uma eleição. A isso se soma a existência de coligações oportunistas, visando tão somente interesses imediatos, um constante troca-troca de partido por parte dos políticos e um populismo típico que coloca o individuo como um santo milagreiro.

Assim, os partidos políticos que deveriam se constituir num meio eficaz para a estruturação da vontade da população, que teriam de ser canais de comunicação sólidos entre a sociedade e o governo, que são peças fundamentais para existência da democracia vão se tornando organismos que não merecem o respeito indispensável para cumprirem suas missões.

Nesse quadro, não é de estranhar que pouco antes do processo eleitoral esquentar alguns registros nos meios de comunicação social diziam que “a eleição estará nas mãos e no tempo de TV dos partidos nanicos”. Quanta ironia! E, as mesmas fontes completavam: “chegou o momento dos pequenos partidos se sentirem grandes. A distribuição do tempo de rádio e televisão para partidos dão aos de aluguel ou nanicos, somados, quatro minutos de exposição.” É, com todas as letras, sentenciavam: “Este é o momento de saber negociar”.

Precisamos ser realista: na eleição do prefeito e vereador nos grandes municípios e nas eleições para governador e para presidente da República, a televisão e o rádio são vitais para as pretensões de qualquer candidato. Um tempo razoável em TV e rádio se torna, assim, essencial para viabilizar uma candidatura. Algo que nenhum partido consegue isoladamente, daí a busca frenética de parceiros.

É nesse contexto que o tempo de exposição das pequenas agremiações se torna valiosa moeda de troca para os candidatos dos partidos com alguma projeção. E falamos em moeda de troca porque o que entra em pauta nas negociações, em primeiro lugar são os cargos, são secretarias, assessorias, ministérios, direção de autarquias que deixam o patamar do razoável – alguém, necessariamente, vai ter que ocupá-los – por causa do excesso de siglas que acabam compondo as coligações.

No popular, o que deveria ser uma negociação para compor um governo, algo compreensível nas democracias, se torna, apenas, barganha, ação entre amigos…

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