The long and winding road

A longa e sinuosa estrada:

Esse é o nome de uma canção dos Beatles, mas também poderia ser o título da biografia de muitos dos que lutam para conquistar seu espaço apenas com seus esforços e méritos. Infelizmente, a cota de vagas por competência ainda não foi institucionalizada no país… Fazer cursos, apresentar projetos, buscar aperfeiçoamento, aprender idiomas, mostrar interesse… Tudo isso é importante e imprescindível para ascender profissionalmente, mas, dependendo de quem avalia, não é suficiente. Em alguns casos é, até, perigoso! A possibilidade de ascensão profissional é um dos principais fatores de motivação! Bem dosada, a ambição é o combustível dessa jornada; afinal, “quem fica parado é poste”! Mas, existem vários degraus a galgar e muitas portas a abrir. O problema é quando o chefe é “uma porta”, ou melhor, uma “muralha”!

Normalmente, os organogramas tendem a afunilar, conforme se aproximam dos cargos de mando. Esse estreitamento está normalmente associado a: melhoria salarial, benefícios, vantagens, poder, enfim, status! Só que para subir um “degrau” é preciso que quem esteja à frente: suba, vá para o lado, desça ou, na pior das hipóteses, seja jogado para fora da “escada”. E ficar parado também não garante segurança!

Em suma, dependendo do “modelo gerencial” adotado pela empresa, qualquer “colaborador” está sujeito a situações estressantes, inseguras e traumatizantes, com espaço para um pouquinho de “terrorismo” e assédios, aqui e ali.

Nessas condições, um funcionário competente, esforçado e dinâmico pode ter uma série de problemas: um chefe que se apropria de seu trabalho, omitindo o autor; ou que sente-se ameaçado e solapa sua imagem; colegas que boicotam seus projetos ou não ativam nem um único neurônio, para idealizar, ou um músculo, para fazer, mas são os primeiros a criticar, quando se sentem “preteridos”. Além disso, o progresso profissional pode envolver outros tipos de “qualificações”:

Algumas já vêm de berço, como nome de família e apadrinhamentos; outras dependem de variáreis “extracurriculares”, tais como: amizade, atração física, corporativismo político ou religioso, etc. Formação acadêmica na mesma escola também é considerada relevante, embora não seja determinante. No entanto, os quesitos aparentemente preferidos pelos “chefes” são: lealdade, obediência, idolatria e, porque não, medo, que caracterizam os que, segundo sua ótica, “têm juízo”, ou seja, não questionam seu exercício primitivo, absoluto e egoísta de mando, e fascínio pelo poder. Querem que seus subordinados estejam “juntos” com eles, mas sempre atrás! Dependendo de seu nível de competência, também podem tratar seus subordinados na base do “chicote”, ou controlar seu desempenho de forma a nunca serem “ofuscados”. Poderão ter uma “Ferrari” nas mãos, mas só a abastecerão com combustível adulterado, por “precaução” e “instinto de sobrevivência”.

Com certeza, é mais fácil encontrar obstáculos do que trampolins, no caminho! Mesmo assim, a chegada ao “topo” ainda é possível, mas ainda podem existir outros tipos de sinuosidades no caminho. Ela pode ser condicionada a renúncias e comprometimentos, que testem ou mexam com o caráter do indivíduo. Isso faz parte do jogo e quem não estiver disposto a abrir mão de seus princípios, terá que aprender a lidar com novos tipos de “portas fechadas” e “puxadas de tapete”; ou buscar outros caminhos para a realização de seu potencial. Mesmo assim, não estará isento de voltar a encontrar esse tipo de barreira pela frente.

Mas, não sejamos inocentes: má-fé existe em todos os níveis, dos superiores aos subalternos – passando pelos iguais -, movida pela inveja, pelo medo ou por mórbido prazer. Isso nos obriga a tentar conhecer a fundo o ambiente que nos rodeia, o que nos coloca num limiar de extrema complexidade, pois, se é preciso conhecer a estratégia do mal para aprender a evitá-lo, neutralizá-lo ou enfrentá-lo, essa ciência também pode revelar-se extremamente sedutora: um dia podemos deixar de sermos vítimas, para sermos algozes!

Pois é… Mudando de Beatles para Vinicius: “São demais os perigos dessa vida”! Por isso, concluindo com Roberto Carlos: “É preciso saber viver”! E isso cabe, de forma pessoal e intransferível, a cada um de nós; e depende fundamentalmente do uso que fazemos daquela divina faculdade do ser humano: o livre-arbítrio!

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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