Timbó imita Berlim

“É proibida a execução ou realização de propaganda sonora feita com veículos com alto-falantes, megafones, caixas de som, bumbos, tambores, cornetas entre outros.”

timboEsta preciosa frase incluída no Código de Conduta do município de Timbó, interior de Santa Catarina, deveria isto sim estar incrustada no corpo da própria constituição. (ainda mais em se tratando de uma constituição que é um verdadeiro cartapácio, inchado com leis de varejo.)

Esta norma zela por um legítimo direito que infelizmente o cidadão brasileiro ou não o valoriza ou ignora ter: o direito ao silêncio, à tranquilidade. Excetuando o município de Timbó – salvo mais alguma honrosa exceção que desconheço – no restante do país o cidadão nem desconfia estar sofrendo uma violação toda vez que um carro de som estilhaça o silencio e a tranquilidade de seu lar; geralmente sucessivas vezes ao longo de todo o dia.

Centro de Timbò

Parece até um paradoxo uma vez que o brasileiro destes últimos anos é um indivíduo ávido pelos seus “direitos”; vê direitos em toda parte, até onde não tem, mas esquece a contrapartida dos deveres que tem a cumprir e que costuma ignorar. Curiosamente, nesta questão de barulho, o cidadão docilmente permite que qualquer um, qualquer “empreendedor” de meia pataca, desfile diante de sua casa berrando anúncios banais a serviço exclusivo de sua ganância. Falta brio entre o povo para cobrar respeito ao silencio que lhe é devido.

(Timbó não imita apenas Berlim, mas imita toda a Europa e América do Norte onde as pessoas não deixam que lhe sonegem um direito tão óbvio).

Esta praga dos carros de som extrapola mesmo é nas praias brasileiras em época de alta temporada, quando todo tipo de arrivista resolve se atirar sobre o rebanho humano que lá se concentra supostamente em busca de “repouso”; que ironia!

E assim desfilam o dia todo carros anunciando toalhas direto da fábrica, carro do abacaxi, carro do sorvete, do sonho, do gás, e mais propaganda de padarias, super-mercados, “assadões”, espetáculos de circo, shows, bingos de igreja, etc.

Enquanto câmaras de vereadores não seguirem o pioneiro exemplo de Timbó, mas pelo contrário, concedam legalidade a este tipo arcaico e invasivo de propaganda, significa que o Brasil ainda continua no atraso abrigando um povo que não sabe exercer sua cidadania.

Bem que em Blumenau poderia ser assim também. Se bem que está Perola do Vale já pertenceu a Blumenau.

Por Por Cezar Zillig, Blog da Adalberto Day, 25/02/2016)

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