“Tubarão – do primeiro centenário ao fim do milênio”

Esta é uma obra histórica, reputada como um dos mais fiéis retratos da vida de uma cidade que ostenta o garboso “slogan” de “Cidade Azul”. (A Alberto Cargnin, in memoriam). Por Carla Cascaes.

Seu autor, de privilegiada inteligência e modéstia tão grande quanto seu próprio tirocínio como pesquisador, historiador e jornalista, nasceu no bairro de Oficinas, em 05 de setembro de 1925.

Seus últimos anos foram vividos em meio a seu seleto círculo de amigos, em Florianópolis.

A fatalidade levou Alberto para a eternidade de uma forma lamentável:
Atropelado na Avenida Gama D’Eça, onde residia, quando retornava de uma farmácia onde fora comprar medicamentos para sua esposa.

O mais curioso é que em outra época já sofrera esse mesmo tipo de atropelamento, porém o derradeiro foi fatal e nos levou o Alberto Cargnin para sempre. Seus escritos avulsos ou obras publicadas tinham uma direção inarredável: solene compromisso com a verdade dos fatos.

Trouxe nas veias o extraordinário dom de um seu parente ancestral: jornalista Hermínio de Menezes. 

Passou pela “escola” do advogado e jornalista, João de Oliveira.

Sob o título em epígrafe resolveu perenizar, em 174 páginas, curiosos aspectos da vida tubaronense, sem fugir ao dever de abordar, em um de seus mais atrativos capítulos, temas ligados “a imprensa e o rádio em Tubarão”.

Cita, como jornais que se sobressaíram em várias épocas, “A Imprensa” – 1934 -(substituiu “O Liberal”) de João de Oliveira e, posteriormente, de Manoel Aguiar; “A Voz do Povo”, do médico Arnaldo Bittencourt (1950); “Gazeta do Sul”, de Antônio Lima Barroso (1958), “considerado moderno para aquela época, manchetes em cores, porém de vida efêmera”, dentre outros mais recentes.
 
Sobre o rádio destaca os seguintes tópicos: “Somente em 07.11.1935 passou a funcionar em Tubarão a Rádio Esperança, na residência de João Colaço, em homenagem ao transcurso dos 45 anos da cidade. Não passava de um serviço rudimantar de alto-falante…” 

Mais adiante, já com a Rádio Tubá em sua mais marcante fase, então recentemente adquirida pela Diocese de Tubarão -1959 -, destacando somente os locutores da época, assim se expressa Cargnin: “Valmor Silva, Luiz Lopes, Odery Ramos, Ézio Lima, Hélio Kestern da Silva, Agilmar Machado,  Attahualpa César Machado e muitos outros que deixaram saudades entre os milhares de ouvintes de Tubarão e do sul catarinense. Marcante para o rádio, sob todos os aspectos, foi a vinda dos irmãos Machado. Jamais esqueceremos do César transmitindo, num domingo, a Procissão de Nosso Senhor dos Passos. Absolutamente de improviso, sem nenhum titubeio, por mais de duas horas, ele apresentou os mínimos detalhes, daquela monumental demonstração de fé religiosa. Nesse tempo, no rádio, só venciam os mais ousados e talentosos, com  ele e os locutores acima enumerados”

Alberto Cargnin colaborou com vários jornais, inclusive dentre os enumerados acima.

Escreveu, além da obra “Tubarão – do primeiro centenário ao fim do milênio”, o livreto “Tubarão no tempo das serestas”, a convite da poestisa Zoraida Guimarães (membro da Academia São José de Letras, cadeira 39, que tem como Patrono o jornalista e escritor Zedar Perfeito da Silva).

Em traços gerais e sintéticos, este é um  relato breve sobre a vida e o trabalho de Alberto Cargnin, hoje reconhecido como um dos mais corretos historiadores-pesquisadores catarinenses.

1 responder
  1. Cláudia Cargnin Pereira says:

    Cara Carla Cascaes, Vc descreveu meu pai e sua obra com muita propriedade. Alberto Cargnin amava a cidade de Tubarão e descrevia com muita familiaridade cada rua, cada canto, cada família. Mesmo vindo morar em Florianópolis viajava com frequencia à Tubarão afim de pesquisar mais e lá rever seus saudosos amigos. Suas cinzas foram jogadas nas águas do Rio Tubarão, cujas margens ele serpenteou de árvores. Tinha um amor incomum pela natureza e foi o primeiro que ouvimos falar sobre a destruição da Natureza e a necessidade de reflorestar nossa cidade. Chorei lendo seu depoimento poque ele era mesmo muito inteligente, culto, visionário, um verdadeiro historiador e ao mesmo tempo extremamente humilde. Recebi estes dias uma mensagem de uma senhora, via internet, que falava que através do Mobral, onde ele foi presidente da Comissão Municipal e um fervoroso participante, foi que ela aprendeu a ler e escrever. Como tenho orgulho deste homem!!!! Nem as rugas do tempo nos farão esquecer o quanto ele foi honesto, exemplo em todas as áreas em nossas vidas e, principalmete dedicado à Cidade Azul. Um forte abraço e obrigada por suas palavras que encharcaram nosso coração de lágrimas de saudades.

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