TV Catarina apresenta: Lázaro Bartolomeu

A corrida para instalação da primeira emissora de televisão em Florianópolis – e, portanto, no estado de Santa Catarina – foi noticiada por Lázaro Bartolomeu na coluna Radar na Sociedade do jornal O Estado de cinco de março de 1964.

“A Ilhacap dentro de noventa dias terá televisão – o Canal Onze de Florianópolis. A empresa concessionária instalará nos próximos dias uma loja para vender os receptores com facilidade de pagamento e dará completa assistência técnica, com técnicos de São Paulo”.

O colunista Lázaro Bartolomeu se referia à iniciativa do empresário Hilário Silvestre que se dispunha instalar a primeira emissora de televisão de Santa Catarina. O sonho do empresário sulista frustrou-se, pois mal chegou aos cinco meses de vida. Mas, a marca ficou. Embora tenha sido impedida de continuar a TV Florianópolis, canal 11 funcionou na prática, embora precariamente, de outubro de 1964 a março de 1965.

Hilário Silvestre, natural do Sul do Estado, se dedicava a comercialização de produtos primários, que vendia nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Daí a passar para a área de comunicação foi uma surpresa para muita gente, principalmente por ser a televisão um empreendimento não difundido em Santa Catarina nessa época.

A surpresa foi ainda maior quando circulou a notícia de que a decisão do negócio resultara da operação comercial de pagamento de dívida por parte de um dos clientes de Hilário Silvestre. A novidade corria com detalhes mínimos: os equipamentos teriam sido entregues ao empresário catarinense em pagamento de uma carga de cereais que este havia fornecido a um dos seus clientes do norte do Paraná.

Boato ou não, o fato é que no decorrer do mês de outubro de 1964 os equipamentos chegam a Florianópolis e são descarregados num dos pontos mais charmosos da cidade: o prédio de três andares onde funcionara a tradicional Confeitaria Chiquinho, em frente ao Ponto Chic – sagrado pedaço da Felipe Schmidt, local de tantas e tão memoráveis tertúlias, políticas, econômicas , etílicas e mulherísticas da Ilha de Santa Catarina.

O assunto toma conta da cidade. Os boatos, afirmativos e negativos, espalham-se  e chegam aos gabinetes da Assembléia Legislativa, do Palácio do Governo e da sede do Arcebispado e repercutem com impacto invulgar na Câmara Municipal espalhando-se pelas comunidades centrais e periféricas acirrando também a expectativa dos profissionais de comunicação. Em conseqüência e imediatamente os representantes dos grupos políticos que detêm os poderes de domínio das comunicações locais entram em ação.

A ordem era sumária: impedir o funcionamento da emissora. Afinal, quem é o cidadão (Hilário Silvestre)  que não está vinculado, pelo menos formalmente, a nenhum dos líderes políticos que mantêm sob seu controle direto os jornais e as emissoras de rádio da Capital e nas cidades mais importantes do Estado?

Sentindo a pressão, Hilário movimenta-se rapidamente e encaminha à CRT – Comissão Técnica de Rádio – o pedido de licença para instalar os equipamentos, pois esse era o único caminho para legalizar a implantação da emissora.

Como a máquina estatal é lerda, a demora está a favor de Hilário. Com a desenvoltura dos que pouco conhecem  determinado setor, o novo empresário de comunicação, contrata profissionais das áreas técnicas e de programação e trata de instalar a emissora.

TV Florianópolis. Apresentação do Jornal das Sete. Antunes Severo (em pé), Edison Silveira (sentado) e os câmera-men Cleto Carioni e Huberto Hubert.

Fazem parte da equipe da Empresa Catarinense de Televisão Ltda.: “diretor administrativo o professor e advogado Abelardo Rupp e diretor artístico o publicitário Antunes Severo. Área técnica engenheiro Leon Schmigelow e técnico em eletrônica Huberto Hubert. Colaboradores voluntários: Edgard Bonassis da Silva, Walter Souza, Edison Silveira, João Carlos Bittencourt, Lauro Soncini, Humberto Mendonça, Darci Costa, Paulo Dutra e Lázaro Bartolomeu (Moacir Pereira, Imprensa & Poder, 1992).

Além dos mencionados por Moacir Pereira, integram a equipe da TV Florianópolis, o produtor e apresentador Mauro Júlio Amorim e o jornalista Jali Meirinho, na função de editor de telejornalismo, mais o técnico em eletrônica Cleto Carioni e o operador de som Unuri Silvério.

Na próxima semana “Os primeiros passos da TV Florianópolis”.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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5 respostas
  1. Walter |Souza says:

    Quer dizer que em 1964 com apenas 24 anos, o Soiza já estava dando o recado na telinha do seu Hilário. O Simões de Almeida quiz me proibir de lá trabalhar. Disse: Cel. quando me virem na TV certamente vão dizer: olha o Walter da Diário da Manhã. Convenci o homem e acabei ficando alguns meses.

  2. Andre Carioni says:

    Muito bacana a materia, nao sabia desse canal de TV.

    Achei interessante que o homem montou toda a estrutura e nao era ligado a partidarismo politico.

    Pena que nao deu pra ver meu pai na foto, pois ele esta de costas ali com o Hubert, filmando.

  3. Antunes Severo says:

    Além dos nomes mencionados na matéria, o jornalista Lázaro Bartolomeu inclui em seu livro Grande Gala (edição de 1973), mais os seguintes: “Trabalhavam pelo bem comum do Canal 11 –TV-Fpolis, Valdir Miranda Santos, Dalmiro Mafra, Laerte Lima, Irineu Silva, João Pinto Aguiar, Luiz Guimarães, José dos Santos Neto e outros dedicados e entusiastas pela TV Catarinense”.

  4. Ivan Hubert says:

    Olá, Acessei a matéria porém a foto insiste em não abrir. Vcs poderiam manda-la pra mim por e-mail? Gostaria muito de ver o mau pai como camera-man.

    Abs,

    Ivan Hubert

  5. Antunes Severo says:

    Olá Ivan,
    Reeditamos a matéria com data de hoje e acrescentamos a foto. O Hubert, é um dos dois que estão de costas. O Hubert é o do meio.
    Grato pelo contato.
    Antunes Severo

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