TV Catarina apresenta Mário José Gonzaga Petrelli – 3

A década de 1970 começa com a entrada de Santa Catarina na era da televisão e vai tranquila até 1973 quando é publicado o edital que abre a concorrência para uma segunda emissora em Florianópolis.

Os bastidores do negócio televisão entram em efervescência com a chegada de concorrentes do Paraná e do Rio Grande do Sul e o surgimento inesperado da desavença entre os sócios majoritários da TV de Blumenau. Essas circunstâncias colocam em evidência dois personagens que, juntos, desencadeiam os próximos acontecimentos, são eles: Flávio Coelho e Mário Petrelli.

Flávio Coelho desinteressa-se da diretoria comercial da Coligadas e vai dirigir a DICESC, uma empresa de comunicação do governo de Antônio Carlos Konder Reis que, pela posição que ocupa acaba se transformando no fiel da balança para definir para quem deveria ser concedido e segundo canal de TV de Florianópolis.

Mário Petrelli que entrara no negócio da comunicação com a aquisição de emissoras de rádio no Paraná e ganhado uma concessão em Joinville, alertava-se para o potencial que a televisão representava como investimento empresarial. Assim, por volta de 1975, os dois personagens se encontram como descreve Flávio Coelho:

“Pois é, eles estavam brigando aqui (em Blumenau). Se eles não brigam aqui e se o Wilson, o Flávio e o Caetano não saem da sociedade, eles ganhavam (a concessão de Florianópolis). Eles tinham o caminho do poder. Mas, com a briga aqui a coisa estava se encaminhando pra venda. Aí o Mário Petrelli que um dia tinha conversado comigo (…) sobre a comprar a TV Paraná (…) aí eu me lembrei do Mário Petrelli. Aí chamei o Mário e disse “ó, agora tem aí uma chance de a gente fazer um negócio com a TV. Eles vão brigar, vai dar (m…) e eles vão vender. Aí o Walter Clark soube – o Walter era meu particular e queridíssimo amigo – e o Walter manifestou interesse. Mas, eu não quis, eu não queria vender para o Walter. O Walter entra com  o dinheiro da Globo e eu vou ser um marisco, pô. Eu quero participar de um grupo onde eu me projete acionariamente melhor. Também o Mário não tinha tudo. Aí montamos um grupo que foi o Mário, o Paulo Bornhausen, o Jorge Bornhausen e eu”.

Com a evolução das negociações entraram outros acionistas, entre os quais João Saad da Rede Bandeirantes e outros empresários do Paraná.  Com a definição da compra da emissora de Blumenau, o empresário Mário Petrelli procura firmar alianças de acordo com o princípio da sua filosofia de convergência harmônica. Vai a Joinville e sela parceria com o empresariado local que detinha a concessão do canal 5, mas não possuía programação nacional.

A tese vitoriosa de Mário Petrelli é que não estava disputando o canal, mas sim garantindo aos joinvillenses a programação da Rede Globo que tinha contrato com a TV Coligadas desde o início da emissora. Com mais esse trunfo na mão Petrelli busca apoio em Florianópolis.

Pois, como declara “E nós queríamos o canal de Florianópolis. Eu não estava na disputa em Florianópolis que estava sendo disputado (pela) Jurerê, pelo pessoal da Coligadas de Blumenau e por um outro pessoal aqui de Florianópolis, chamado TV Itaguaçu. Eu sempre fui muito amigo do Aderbal (Ramos da Silva), ele inclusive era membro da Atlântica Boavista desde 1971. Então eu não ia colidir (eu ia) somar o nosso grupo com o (Grupo) Jurerê (…) Nós não viemos ocupar espaço dos outros, viemos para agregar”.

Na próxima semana, surge um personagem peso-pesado e aí então… Até la.

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