TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 1

O mundo da comunicação social em Santa Catarina se divide em três tempos, razoavelmente definidos: diletantes, empreendedores e profissionais.

Os pioneiros amavam as artes, especialmente a música, e alimentavam sonhos de expansão da cultura que os atraia. Alguns, inclusive, mantinham, mesmo veladamente, objetivos políticos ou religiosos. Tudo, porém, sem grandes aspirações econômicas ou de riqueza material.

Os empreendedores, mais ativos e arrojados, iam um pouco além buscando realizar seus sonhos com o produto do seu próprio empreendimento. O que importava em reconhecer os valores dos pioneiros, acrescentando-lhes o compromisso de auto-sustentação.

Os profissionais, carregados dos sonhos dos diletantes e da garra dos empreendedores juntavam essas forças ao compromisso de transformar o empreendimento num ofício. Ofício que reunia ao talento e à vontade de fazer a capacitação técnica indispensável à manutenção e ao desenvolvimento daquela atividade como meio de subsistência de muitos.

Com ligeiras variações de intensidade e grandeza essas fases estiveram presentes na vida das organizações sociais e empresariais que desde o início serviram de suporte aos diferentes meios de comunicação. Cada uma, a seu tempo teve e continua tendo o valor requerido para justificar a existência da humanidade.

Inauaguração TV Gaúcha 29dez1962

Inauaguração TV Gaúcha 29dez1962

Maurício Sirotsky Sobrinho, com a obstinação do diletante, o arrojo do empreendedor e a competência do profissional, exerceu o papel do empresário consciente da importância do trabalho na vida do homem e da sociedade.

Os primeiros traços do seu perfil me foram revelados por Antônio Vignale quando o entrevistei em 2004. Os irmãos Antônio e Adão Vignale foram lançados na vida artística em Florianópolis e logo seguiram para Porto Alegre onde conheceram Maurício como apresentador de programas de auditório na Rádio Farroupilha.

– “Estreamos num dia e no outro o Maurício nos chama para uma reunião com músicos, maestros e cantores, inclusive a Elis Regina. Aí ele perguntou: estou indo pra rádio Gaúcha, quem quer ir comigo pra lá? Todo mundo adorava o Maurício, todo mundo levantou a mão dizendo que queria ir pra lá e nós fomos também”.

Na Gaúcha, volta a falar o Antônio: quando ele nos anunciou  de cara fez um preâmbulo e foi dizendo… dois rapazes Los Vinhales e na base da brincadeira completou são dois brasileiros, mas como cantam música Latino Americana eu vou chamá-los de Los Viñales e nunca mais conseguimos nos livrar até hoje”.

Finalizando Antônio lembra: “Mauricio, você sabe, era uma pessoa especial. Pra nós ele foi uma espécie de pai, ele teve uma influencia muito grande no que nós fizemos, e mais não fizemos não foi por culpa dele foi por culpa nossa”.

Vignale se referia ao fato de Maurício tê-los encaminhado para gravar o primeiro LP, apresentando-os a Nazareno de Brito, diretor da gravadora Continental, pagando as passagens para o Rio de Janeiro e ainda dando uma ajuda de custos.

Em 1967, o presidente da Rede Brasil Sul de Comunicação, manifesta interesse em se instalar com uma sucursal em Santa Catarina.

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