TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 10

Nesta edição além dos já anunciados personagens – Moacir Pereira e Noemi dos Santos Cruz – mais dois nomes passam a integrar esta história: Oscar Queirolo e Adir Mazzuco.

Na semana passada recebi mensagem do Osmar Laschwitz relatando o comentário do Oscar Queirolo* que propõe um desafio: “que tal ouvir agora os publicitários, empresários e dirigentes da RBS – que participaram do debate em 1979 – sobre aquele momento da história das comunicações em Santa Catarina?”

Continuam sendo os veículos de comunicação uma ameaça ao desenvolvimento das agências de propaganda (ou publicidade como se diz agora)? Continuam os anunciantes amedrontados com o aumento (quantidade, variedade e complexidade) dos canais de comunicação? Continuam as agências de propaganda considerando-se alienadas do processo de comunicação mercadológica?

Ainda com essas perguntas na cabeça, atendo o telefone:

– Emílio Cerri: e aí mano? To vendo aqui a matéria sobre nossos depoimentos naquele debate da RBS – e aí brinca – como a gente estava novinho, hein?

E, eu já de bote armado: tu já imaginaste um novo encontro desses hoje? Tu participarias?

– Claro, o Caros Ouvintes vai promover?

Quando terminou o telefonema – que era para falar da nossa palestra no próximo dia 19/5 na III Semana de Publicidade e Propaganda na Assevim, em Brusque (êta merchan…) – a decisão estava tomada: vamos refazer a Mesa Redonda!

Para encurtar a conversa – a introdução está ficando maior do que a matéria da semana – sábado (2/5) eu e a Preta fomos almoçar na Feira da Esperança da APAE e quem encontramos lá? Sorridente e gentil como sempre o “ComGuri” Adir Mazzuco** que, como nós, encarava um prato triplo de peixe frito, risoto de frutos do mar e pirão. E a conversa, naturalmente, se encaminhou para o mercado publicitário de Santa Catarina.

Resultado: após dois chopes (que a Preta e eu tomamos) e uma saborosa Coca de latinha consumida pelo Mazzuco, estava resolvido que vamos realizar a Versão II da Mesa-Redonda – o mercado de Santa Catarina espera uma afirmação, conforme o realizado pela RBS em abril de 1979, três semanas antes da entrada no ar da TV Catarinense, canal 12 de Florianópolis, hoje RBS TV.

Duas coisas estão acertadas: a promoção é do Instituto Caros Ouvintes (os parceiros a gente anuncia depois) e o evento será realizado nos estúdios de gravação de áudio e vídeo da INCA.Giacometti, de Florianópolis.

Caro leitor, paciência, mas esse negócio está pegando fogo. Agora vamos aos depoimentos como prometido na edição anterior desta série (para entender você precisa ler os nove artigos anteriores… hehehe).

404064_538992382783492_1414586778_nMoacir: Com base em minha experiência de profissional em jornalismo, aqui em Florianópolis, e no serviço que prestei na assessoria de imprensa da Universidade, posso constatar que, realmente, existem algumas eficiências no funcionamento de determinadas agências de publicidade. Algumas, realmente, não têm estrutura, como aqui ficou observado; outras têm estrutura, mas não correspondem à expectativa do anunciante, e isso acontece com certa freqüência, seja em relação ao produto que oferecem, seja em relação à própria agilidade. Lembro aqui que a Universidade, em determinadas construções, precisava encaminhar editais de licitação para jornais do Rio e São Paulo, em questão de 24 horas. Ela recorria, então, às agências de publicidade, algumas até bem estruturadas, e às vezes a resposta era negativa, pois a agência dizia não ter condições de colocar o edital com a rapidez que a Universidade necessitava. Em outros casos, quando era possível a execução do serviço, a Universidade tinha dificuldades para fazer o pagamento, porque não recebia a fatura e o comprovante (de publicação) do edital. Outro problema que vejo, também, é o de veiculação, ou seja, uma empresa não veicula o seu produto a uma determinada agência de publicidade porque determinada pessoa, num determinado veículo, tem condições de publicar notícias, reportagens e entrevistas com mais facilidade se a conta for entregue a esse veículo.

Júlio: Nesse caso, o veículo, em vez de prestar uma assessoramento à agência, está concorrendo com ela.

Moacir: Mas esse aspecto eu relaciono mais ao problema editorial. E quando o veículo destaca uma informação, que realmente não tem muito interesse público, e a coloca em manchete, em três ou quatro colunas, quando mereceria apenas um registro de uma coluna, para que sejam canalizados através dessa agência satélite com mais facilidade, ao invés de entregar para uma empresa de publicidade devidamente estruturada. Então, a coisa fica sem critério científico, e isso prejudica tanto as agências de publicidade como a própria atividade profissional do jornalismo. Em Santa Catarina, existem empresas que produzem grandes projetos, realizam peças publicitárias realmente dignas de serem inseridas em qualquer veículo de comunicação do Brasil. Agora, estranhamente, há grandes indústrias de nosso estado que estão comercializando seus produtos em escala realmente bastante elevada em outros centros do país, e também, aqui em Santa Catarina, que mantêm suas contas em agências de publicidade fora do Estado, em prejuízo das nossas agências. Isso aí me causa certa estranheza. Não estaríamos no momento de tentar deslocar essas contas para cá, e de sensibilizar essas empresas, no sentido de utilizarem as agências catarinenses, o que possibilitaria a maior atuação das empresas de publicidade, ampliaria o mercado de trabalho para os profissionais de comunicação e, por sua vez, ampliaria a atuação dos próprios veículos de comunicação?

Noemi S CruzNoemi: Isso confirma aquele velho provérbio: “santo da terra não faz milagres”. O que o Antunes contou há pouco acho que se deve, em parte, às empresas de Santa Catarina, porque nós temos a eterna mania de sermos tímidos. Além disso, acho que existe um problema sério de relacionamento. Seria necessário, por exemplo, manter um agente credenciado nos pólos de veiculação: rádio, jornal ou televisão. Esse agente deveria ser suficientemente capaz de descobrir, dentro de uma empresa, uma notícia que possa interessar à coletividade catarinense ou local, e que não venha a sair como matéria paga, permitindo, ao mesmo tempo, que o cliente fique cada vez mais vinculado ao agente daquela entidade. Temos observado, igualmente, que todas as vezes que qualquer notícia não for conduzida por uma agência de publicidade, os resultados são negativos, ou não houve resultados. Mas ao que parece, a grande maioria dos empresários catarinenses não têm consciência de que uma agência tem toda uma série de problemas e de pessoal especializado para realmente levar ao consumidor aquilo que a publicidade pode fazer. Resta às agências se conscientizarem e serem agressivas. É importante que elas tenham, em cada local, agentes capazes de, realmente, representá-los aqui na Capital, evitando o que hoje acontece com os jornais de Santa Catarina, de um modo geral – mantém em cada cidade um correspondente que nem sempre tem capacidade de realmente dizer o que ocorreu, e a notícia acaba saindo truncada, choca a comunidade. Agora, Santa Catarina, que é um estado produtor, e não tem um grande público consumidor, pode fazer chegar lá sua publicidade, desde que haja um intercâmbio através de agências, para evitar que haja perdas.

Depois dessas considerações, retornam ao palco os publicitários Roberto Costa e Júlio Pacheco e empresário Adroaldo Cassol. Não dá pra não deixar de não ler.

*Para os ainda não iniciados o cidadão Oscar Queirolo é publicitário do mais puro calibre exercendo atualmente as funções de Vice-Presidente do Sapesc Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina e diretor da Vince/Studio Gama, de Blumenau.

**ComGuri é uma das designações criadas por mestre Emílio inventor e piloto do site www.comgurus.com.br para designar os neófitos que se acoitam sob as luminárias do dito e os outros mestres da confraria: Chico Socorro, Elóy Simões, George Alberto “Picolé” Peixoto e Júlio Pimentel, sem contar os demais neófitos e das ComGurias porque se não a frase fica que nem aqueles de tese de mestrado.

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