TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 13

No capítulo desta semana voltam à cena Cassol, Nelson, Osmar, Avilson, Júlio e Noemi. Com a intervenção do diretor da RBS a discussão se encaminha para terrenos mais objetivos mesmo diante da dificuldade de alguns participantes da mesa.

Cassol: Uma das preocupações do anunciante é que ele, ao veicular a sua conta própria, procura sempre negociar não a questão dos 20% que a agência levaria, mas o problema d alista de preços. Quem anuncia e tem, igualmente, um concorrente que anuncia na mesma empresa de televisão será obviamente levado a negociar diretamente com o veículo se a sua secundagem for avaliada a um preço mais alto que o do seu concorrente. Sabe-se que além de ser uma lei, a percentagem de 20% é justa. Mas o problema é que as nossas emissoras – e não sei se também é o caso da RBS – não seguem à risca a tabela. Quer dizer, na hora em que soubermos que aquela lista é seguida ao pé da letra, vamos contratar uma agência.

Nelson: A colocação que fiz não foi no sentido de criticar, eventualmente, algum anunciante que eu não conheça aqui, que não tem agência de propaganda, mas foi em termos genéricos. Realmente, o problema maior e, talvez, a origem dele esteja no veículo, por não observar uma tabela de preços. Isso é outra deformação do mercado que nós – desculpem eu ser casuístico – tentaremos corrigir. Apresentamos uma tabela de preços ao mercado de Santa Catarina e ela será cumprida, pois foi estudada, levantando o número de domicílios, cobertura, previsão de audiência. E a própria tabela abre uma possibilidade para a negociação de preços em cima, basicamente, de volume. Se você anuncia cem, é evidente que deve ter uma vantagem sobre o que anuncia um. As verbas são diferentes. É uma postura de negociação perfeitamente normal em u ma atividade de economia capitalista como a nossa.

Cassol: Mas isso aí é exatamente o que leva o anunciante a procurar discutir diretamente com o veículo, para ver se consegue aquele desconto a mais.

Osmar: Se temos uma série de verbas que levamos ao veículo, é obvio que teremos condições de negociar muitas vezes mais facilmente do que o próprio empresário que tem uma verba pequena. Temos, já, uma afinidade maior com o veículo e, inclusive, nos valemos disso para negociar e conseguir preços menores. Não sei se isso é norma geral das agências, pelo menos aqui em Florianópolis, mas acho que não precisa nem discutir. A agência, em função do volume de verba que ela canaliza ao veículo, tem uma afinidade maior e condições de negociar mais facilmente.

Avilson: A nossa empresa, que foi uma das primeiras a se utilizar de agência tem, realmente, conseguido publicidade em televisão, mas também em qualquer outro veículo, a um preço muito bom, porque a gente tem na mão uma tabela. O preço de televisão obedece, atualmente, a uma tabela de muito tempo atrás. Então eu vi que a agência realmente está se preocupando com a minha verba, está aplicando bem ao menor preço possível.

Júlio: Isso mostra que é uma preocupação da agência ter a certeza de sua conta lhe dar tranquilidade para trabalhar melhor sua verba. Tenho um cliente – A Soberana – que, aliás, está aqui presente, que nesse ponto me dá total tranquilidade. Já tivemos a experiência da tentativa de contato direto, e o cliente prestigiou a agência, apesar da colocação do veículo.

Noemi: Gostaria de citar um caso que conheço. Em Itajaí acontece o contrário – quando o empresário quer anunciar alguma coisa, procura a redação do jornal. Cheguei até a perguntar a um amigo como e que eles publicavam tanta coisa de Itajaí sem faturar nada. Com a Três acontece diferente, porque eles têm uma agência no jornal e fazem um faturamento direto. Os empresários de agências de publicidade não têm o direito de reclamar um faturamento de publicidade.  As agências estão perdendo terreno porque, desculpem a franqueza, em Itajaí a maioria não conhece nem os agentes de publicidade, e só uns cinco por cento recorrem a esse serviço. Em relação às campanhas de âmbito nacional, temos o caso da FESC, por exemplo, que vai atender a estocagem de produtos lubrificantes de Santa Catarina. Agora, quanto ao problema da divisão, é claro que um órgão de divulgação, como é o caso da Rede Brasil Sul, terá que dividir o bolo. Para nós vai ser muito bom, porque ocorrerá um aprimoramento na área e muita imaginação criadora nas suas divulgações.

Roberto: As observações sobre a pouca agressividade das agências nos mercados é verdadeira em termos genéricos. É preciso se considerar o seguinte: Santa Catarina tem como falei anteriormente, peculiaridades em relação aos pólos de desenvolvimento distantes de uma base. O Oswaldo já disse que não temos uma região metropolitana que polarize, digamos, 50% do mercado do Estado, como tem Porto Alegre, por exemplo. Para nós é extremamente difícil sermos agressivos em Criciúma, Blumenau e Itajaí, Brusque e Joinville. E isso evidentemente encarece muito. Mas tem o detalhe que, à medida que pudermos resolver nossos problemas nos nossos mercados-base, teremos maiores possibilidades de sermos presentes nesse mercado. À medida em quem a gente puder se equacionar, solidificar a base em termos de uma comunidade de agências de propaganda, com um relacionamento que nos permita uma presença mais continuada nesses lugares, haverá essa agressividade. Mesmo em Itajaí, um veículo de comunicação tem muito mais facilidade de montar uma sucursal e uma estrutura comercial do que uma agência. E se esse veículo ainda oferecer uma estrutura de agência, evidentemente, a vantagem será toda dele, em detrimento da nossa possibilidade de cegar até ele. Assim, a falta de agressividade das agências de propaganda é mais em função da falta de capacidade de estar presente nesses principais mercados, porque isso é uma estrutura extremamente cara. Além disso, temos que resolver primeiro problemas básicos de relacionamento cliente-agência, para depois partirmos para uma estrutura estadual e de relacionamento com outras agências, a fim de proporcionar um atendimento mais completo ao cliente. Na A.S. Propague estamos atuando num rio de 200 quilômetros, e eu reconheço que, com exceção de Florianópolis e Joinville, onde temos escritório, as outras praças não estão sendo suprias convenientemente. Agora eu pergunto como é que podemos, em curto prazo, desenvolver e ter profissionais contratados em cada uma dessas praças, sem nenhuma superestrutura de agência, se mesmo as grandes agências do país já viram que essa regionalização é um negócio difícil?

Noemi: Existem milhares de universitários em Santa Catarina, hoje, interessados.

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