TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 2

O interesse do empresário gaúcho em instalar uma sucursal da RBS em Santa Catarina me foi manifestado durante visita que fiz a ele na sede da rede em Porto Alegre, em 1967.

Na época eu ainda mantinha algumas atividades da vida de jornalista – eu era correspondente da agência de notícias Asapress – embora já tivesse como atividade principal o comando da agência de publicidade A.S. Propague e cursasse Administração na ESAG.

Minha estada em Porto Alegre era em função do projeto de levar anunciantes de Santa Catarina para a TV Piratini que mantinha um programa semanal dirigido a Santa Catarina. Ocorre que naquele momento as imagens da TV Gaúcha começavam a chegar a Florianópolis por iniciativa da Sociedade Pró-Desenvolvimento da Televisão, presidida por Darci Lopes.

Logo depois desse contato recebi telegrama em nome da diretoria da TV Gaúcha pedindo que eu propusesse uma estrutura básica para a instalação da sucursal na capital catarinense. No retorno a RBS agradecia, mas informava que em virtude de outras prioridades a empresa havia decidido aguardar. Posteriormente soube-se que estava em gestação a compra do jornal Zero Hora, que veio a se confirmar no dia primeiro de abril de 1970.

Outro fator que estava em jogo era a licença para instalação dos primeiros canais de televisão no estado de Santa Catarina. Em 1965, sai a licitação para o canal 6 de Florianópolis e em 1966 foi a vez do edital abrindo a disputa por um canal na cidade de Blumenau. Atenta ao quadro, a RBS acompanha a entrada do vizinho estado na era da televisão. De fato, a TV Coligadas de Blumenau começa a operar comercialmente em setembro de 1969 e a TV Cultura de Florianópolis em maio de 1970.

Enquanto isso, a RBS iniciava no Rio Grande do Sul a constituição da primeira rede regional tendo a TV Gaúcha como cabeça-de-rede e as geradoras de Caxias (1969), Santa Maria (1969), Erechim (1972), Pelotas (1972) e Uruguaiana 1974.

Quando em dezembro de 1973 é publicado no Diário Oficial da União o edital abrindo concorrência para a instalação do segundo canal de TV em Florianópolis, o sonho de Maurício Sirotsky começa a se realizar em terras catarinenses. Finalmente, como ele teria exclamado: “agora é a nossa vez! Agora nós chegamos lá!”

Com essa sucessão de oportunidades, a RBS concluiu que Santa Catarina era efetivamente um mercado potencial significativo. Então, ao invés de uma sucursal, esse mercado merecia um estudo acurado. E assim foi contratada pesquisa para avaliar o que havia de efetivo nesse potencial. Os levantamentos de dados, tabulação e avaliação se estenderam por dois anos a partir da de 1975 quando sai a outorga do canal 12 de Florianópolis para o grupo de Maurício Sirotsky.

O estudo sócio-econômico buscava levantar as potencialidades e as limitações para o desenvolvimento de empresas de comunicação nas áreas de rádio, televisão e jornal. Com essa atitude empresarial a RBS deixava evidente o seu diferencial competitivo num mercado pujante, mas ingênuo e amadorístico, o que é pecado capital no mundo dos negócios.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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