TV Catarina apresenta Maurício Sirotsky Sobrinho – 5

Precedida de pesquisa de mercado numa amplitude e profundidade jamais realizada no Estado, a RBS teve muito cuidado no lançamento e início de operações da TV Catarinense em Florianópolis.

Nelson Sirotsky, dir. TV Catarinense

Nelson Sirotsky, dir. TV Catarinense

Foram tratados com orientação direta de Maurício Sirotsky e execução acompanhada por Nelson Sirotsky, os aspectos de relacionamento institucional e comerciais com um mercado em que os aspectos políticos partidários predominavam e a ação comercial das demais emissoras era tratada como questão secundária.

Exemplo da postura diferenciada trazida pela RBS foi a realização da Mesa Redonda “O Mercado de Santa Catarina a Espera de Uma Afirmação” realizada em Florianópolis no mês de abril de 1979, um mês antes de a emissora ir ao ar. Entre os participantes estavam representados por alguns dos seus principais líderes os segmentos governamental, empresarial, social e acadêmico de Sana Catarina. E, um fato inédito, trazendo para a mesa das principais decisões representantes dos anunciantes e das mais tradicionais agências de propaganda do Estado.

Em?lio Cerri Neto, pres. ACP

Emílio Cerri Neto, pres. ACP

Logo após a exposição de Nelson Sirotsky apresentando “O que é a TV Catarinense”, o publicitário Emílio Cerri, então presidente da Associação Catarinense de Propaganda abriu os debates com as seguintes colocações: Já que temos aqui anunciantes e publicitários, gostaria de entrar no assunto propaganda.

Nos últimos cinco anos o processo de evolução dos veículos de comunicação de Santa Catarina tem sido bastante acentuado. Houve um marco com a criação de dois jornais: o Jornal de Santa Catarina e O Estado (off-set). Destaco também a existência de dois canais de televisão que, na medida de suas possibilidades, vêm oferecendo razoável cobertura, com um razoável aparato técnico, e igualmente, a evolução das emissoras de rádio e a criação das FM enfim, um processo de evolução rápido que culmina, agora, com a TV catarinense em Florianópolis e com o surgimento de outros canais, o que deverá ocorrer em Joinville, Lages e Chapecó, entre outros municípios.

Mas, à medida que aconteceu esse fenômeno de desenvolvimento da mídia como um todo, em Santa Catarina, há problemas de evolução em outros setores. Assusta, por exemplo, aos publicitários do Rio e São Paulo e, mesmo, de outros centros menores, que em Santa Catarina exista um número tão reduzido de agências de propaganda, bem como um reduzido número de profissionais nessa área. Assusta porque Santa Catarina é um estado alfabetizado, com bom nível educacional, e tem um parque industrial respeitável no Brasil e no exterior.

Na minha opinião, o mercado de Santa Catarina ainda é reduzido porque por parte das agências e dos anunciantes – com algumas exceções – a evolução não acompanhou o que está ocorrendo pelo lado dos veículos.

O crescimento dos veículos indica que o mercado pode comportá-los. Ninguém, hoje, investe numa emissora de televisão – como é o caso da TV Catarinense – diante de um mercado que não pudesse sustentá-la. Parece-me, então, que a TV Catarinense poderia ajudar no processo de evolução efetiva dos anunciantes e das agências.

Acho que falta aos anunciantes informação sobre a propaganda como ciência – se ela pode ser encarada assim – ou como técnica; falta dar importância à comunicação mercadológica nas empresas. Considerando esses aspectos, observamos, por exemplo, que a agência não é, em relação ao anunciante, um mero intermediário, não é um corretor da televisão ou do jornal.

Ela assessora o cliente para benefício desse anunciante. Mas, o que temos percebido, por parte de algumas agências, é o não cumprimento der alguns itens que estão inclusive previstos em lei, em benefício do anunciante, para fazer jus à remuneração que recebe do veículo (a agência recebe 20% de comissão do veículo). E, no entanto, o que ela dá em troca, para o anunciante, por esses 20%.

Fonte: Recado – edição especial TV Catarinense, abril 1979.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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