TV Coligadas: Hora de recordar uma aventura da comunicação

Para um jornalista, resgatar uma história do passado sempre é um prazer. Duvido que haja um profissional da notícia que não se encante ao descobrir elementos de outros tempos, personagens influentes de outras décadas, fatos, fotos, causos, tudo e mais um pouco que constitui-se na parte da memória de um povo em qualquer canto deste mundo.

Agora, quando se recorda de uma história referente ao meio em que trabalha, o assunto fica ainda mais prazeroso de ser investigado, pesquisado e, posteriormente, contado. Não escondo de nenhum dos colegas de imprensa e amigos de A BOINA que esta é minha especialidade, meu hobby de horas vagas ou de trabalho. E se a história geral é importante, o passado das comunicações o é tanto quanto.

No tempo do rádio a válvula, da TV a lenha, do jornal gigante, a comunicação foi além do simples papel de informar. Deu cara a regiões, aproximou pessoas, apresentou para quem quisesse o estado, país ou o mundo em que vivia e que partilhava com tantos. E Santa Catarina sabe bem disso. Sabe como a comunicação foi importante para tanto, para integrar e para se fazer conhecer em tempos de relações um tanto frias e distantes.

Uma destas histórias, que foi apresentada no dia 01/06/2017, no espaço Cultivarte do IBES Sociesc. Fruto de um trabalho de pesquisa, procura, perguntas e depoimentos marcantes, este jornalista revisita uma das aventuras mais fantásticas da história da comunicação catarinense, feita a facão, teimosia, visão e amor a causa.

É o lançamento do documentário TV Coligadas – A aventura do Canal 3, projeto patrocinado pela Prefeitura de Blumenau e pela Fundação Cultural de Blumenau, por meio do Fundo Municipal de Apoio à Cultura que revisita a trajetória da primeira (e legitima pioneira) emissora de TV barriga-verde, além de prestar reverencia a quem a construiu na base do trabalho duro e dedicado para dar ao estado a imagem dele próprio.

A primeira fonte: O livro Imagens de Uma Conquista – Por Detrás das Câmeras da TV Coligadas, de Zair (Zico) Anibal de Souza. Foi por ele que começaram os estudos acerca da memória da TV Coligadas (Reprodução)

Foi uma ideia que nasceu de longe, vinda ainda dos primeiros textos dissecantes da história da TV dispostos no blog do amigo de A BOINA, Adalberto Day, há quase 10 anos. Era eu um garoto de 19 primaveras que queria descobrir mais e mais sobre a emissora, seus programas, apresentadores, histórias, personagens, fatos marcantes e que tinha, como único referencial, a história fantástica contada em livro por Zair Anibal de Souza (Zico) com o apropriado nome de Imagens de uma Conquista – Por Detrás das Câmeras da TV Coligadas.

Por muito tempo, a ideia de fazer algo sobre as memórias da TV Colgadas me perseguia. Conversas com o próprio Beto e com colegas jornalistas não me davam uma luz. Isto até, certo dia, num papo informal com a sempre parceira Nane Pereira surgir a ideia: Por que não transformar num documentário?

Bingo! Eis a luz! Mas não seria um trabalho fácil, ainda mais depois de ouvir várias e várias vezes que imagens da TV Coligadas se resumiam a umas poucas fotos e documentos. Não há praticamente filmes da emissora salvos, as poucas matérias restantes, do fim dos anos 70, encontram-se preservadas em VHS (salvas em telecinagem, processo de captura do filme em vídeo) nos arquivos da FURB TV. Mas curioso que é curioso não para no primeiro não. É quase um São Tomé, incrédulo que só acredita vendo e metendo a mão no fogo.

Ao meu lado, embarcou a experiencia da super produtora Soila Freeze (desculpem o excesso de adjetivos. Neste caso, me permito!), figura carimbada nos projetos culturais na cidade que mostrou os caminhos de como montar uma produção como esta. Os garimpos começaram, especialmente em busca dos entrevistados, as preciosas fontes que dariam corpo a história outra vez. Afinal, eles a escreveram, agora a recontariam.

É a primeira vez que a história da TV Coligadas é contada em forma de vídeo. E o projeto deverá tem continuidade em um livro, com ainda mais detalhes (Reprodução / AHJFS)

Foram bons cinco meses de depoimentos gravados, coletas de material e tudo mais que foi possível para remontar uma página por vezes oculta da comunicação catarinense. A volta ao passado da Coligadas não significa apenas rever a história de uma emissora de TV pioneira, ela presta reverencia aos seus construtores, dá luz a fatos que trazem saudade para muitos e, mais ainda, nos recorda que, em algum momento, eramos os protagonistas da comunicação estadual, coisa que anda meio em baixa ultimamente.

(Por ANDRÉ BONOMINI)

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