TV digital, uma nova era? 04

Nesta seqüência de artigos que têm como fonte a entrevista concedida pelo engenheiro Luiz Rosa dos Reis à Revista Flash Vip de Chapecó, edição dezembro / janeiro 2008. Hoje o tema é a escolha do sistema a ser utilizado no Brasil. Acompanhe.
Da Redação

 Qual foi o sistema escolhido pelo Brasil e por quê?
A base do sistema brasileiro de televisão digital foi o padrão ISDB-T, aonde foram incorporados alguns avanços como já dissemos uma melhoria na compressão do vídeo através do MPEG-4 parte 10 ou H264, tornando a imagem de melhor qualidade e um melhor processamento do áudio.
O Brasil escolheu o padrão Japonês por ser à época da escolha e continuar sendo até hoje o mais robusto contra interferências e por ser o único a propiciar, com qualidade e dentro das características técnicas usadas pela televisão analógica atual, tudo aquilo que o Brasil desejava, ou seja: Alta definição, multi-programação, mobilidade, portabilidade e interatividade.
Para ter acesso às transmissões digitais, quais as alternativas do telespectador?
Adquirir uma caixa conversora ou um novo receptor de televisão digital, sendo que nesse último caso, quem ainda não o fez, principalmente aqueles que desejarem adquirir televisores para receber televisão de alta definição, recomendo aguardar o mercado oferecer produtos realmente preparados para a recepção da televisão digital brasileira, haja vista a grande melhora introduzida na transmissão do vídeo e do áudio principalmente.
Qual é o custo para adaptar um aparelho de TV?
Será o custo da caixa conversora (set top box), ainda não definido para o mercado brasileiro. O Ministro das Comunicações fala num custo em torno de 80 a 100 reais, o que entendo só ser possível, se a mesma propiciar pouca ou nenhuma interatividade ou se o governo subsidiar parte desse custo.
Quando o sistema entrará em funcionamento definitivo?
A primeira transmissão se deu em São Paulo, em 02 de dezembro de 2007.Depois teremos a entrada em outras capitais em datas ainda não definidas. Em Florianópolis e em todo o Estado de Santa Catarina ainda não houve divulgação de data.
Quem não tem condições de comprar um conversor, continuará tendo acesso à programação analógica? Até quando?
Sim, a transmissão digital conviverá com a analógica pelo menos até 2016, segundo o Decreto n° 5.820 de 29 de junho de 2006. Mas em todos os países aonde se estipulou prazos para o encerramento das transmissões analógicas, os mesmos foram prorrogados.
Será proibida a gravação dos programas? Isso evitará a pirataria?
Esse é um assunto ainda em discussão. Fala-se em proibir qualquer gravação, ou possibilitar uma única gravação ou liberar. O fato é que existe uma legislação específica contra atos de pirataria e não sei se sairá algo específico com o advento da televisão digital. A verdade é que a falta de definição desse ponto está atrasando também a confecção das caixas conversoras e dos televisores digitais brasileiros, aonde seria impedido ou não a gravação.
O controle do governo sobre a programação é maior nesse sistema?
Não o controle do governo sobre a programação se dá e continuará ocorrendo através de legislação específica e sua atuação fiscaliza tória se dá através dos seus órgãos já existentes. Não será uma nova ferramenta técnica que possibilitará uma modificação ou ampliação nessa forma de atuação.
Luiz Rosa dos Reis é graduado em Engenharia de Telecomunicações e Eletrônica Industrial pelo Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL no ano de 1981. Pós-graduado pelo mesmo Instituto em Engenharia de Sistemas de Televisão Digital, no ano de 2006. Especialista em legislação e técnica voltada às emissoras de rádio e televisão. Membro da Sociedade de Engenharia de Televisão – SET.
É assessor Técnico da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT (www.acaert.com.br), onde tem a incumbência de estudar e acompanhar todo o desenvolvimento da televisão e do rádio digital terrestre no Brasil e no Mundo, a fim de melhor assessorar os associados nas suas implantações em Santa Catarina.
 


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