TV LULA, DEPOIS DO AEROLULA ERA SÓ O QUE FALTAVA

Um tema recorrente em nossos encontros das 5as. feiras é a necessidade de nós, colunistas, não nos desviarmos  do foco central de Caros Ouvintes que, como diz o seu slogan-conceito representa “a primeira comunidade on-line de apaixonados por rádio do Brasil”.
Por Chico Socorro

Ops! Para me certificar da frase, fui ver na capa do site e percebi agora que nosso decano, Antunes Severo, acrescentou ao slogan original,  o primo rico da radiodifusão, a Televisão…  Mas, deixemos isso de lado que o tema de hoje é a TV pública que o Lula deseja implantar.
Os jornais desta semana (escrevo no sábado) publicaram extensas matérias sobre o último insight do Poder Executivo que é implantar, com investimentos de R$ 250 milhões,  uma nova TV Pública. Segundo foi revelado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, a nova TV será transmitida em sinal aberto (entre os canais 60 e 90) disponíveis em todos os Estados.
O ministro defende a idéia dizendo que falta espaço na mídia para o Poder Executivo discutir projetos de interesse público. Ou seja, segundo ele, o Governo precisa “mostrar suas idéias”.
 
Ao defender essa espantosa e insensata proposta, Helio Costa produziu esta frase lapidar: “a nova TV será menos chapa branca do que a Radiobrás e poderia até mesmo criticar o governo, desde que a crítica fosse correta”.
O ministro parece acreditar que meia gravidez é possível. Por seu lado, o presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci, que não acredita em meia gravidez, retruca que “se  Hélio Costa vai fazer comunicação menos chapa branca, só  posso aplaudir”.  Tudo isso está na Folha de São Paulo do dia 16 de março.
Vamos aos fatos. . Em primeiro lugar, já existe  a TV estatal do Poder Executivo, denominado canal institucional NBR e que  faz parte da Radiobrás, o complexo de mídia eletrônica do Governo Federal. Incumbida de – com o apoio de imagens -, trazer ao cidadão a nossa velha conhecida e anacrônica A Voz do Brasil.  Ganha um pirulito quem souber dizer o número do canal NBR.
 
A respeito da confusão entre estatal e pública, vale a pena reproduzir a opinião  do presidente da ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária, Gabriel Priolli, estudioso do assunto: “se é uma rede e vai usar um canal da União tocado por órgãos estatais, não é uma TV pública, é estatal. Vamos dar nome aos bois”.
Pergunta que não quer calar: qual seria então o destino do canal NBR em face de uma nova TV estatal que se esconde sob o nome de TV Pública?
Outra questão é o seguinte: quem tem um mínimo de familiaridade com a Mídia em nosso país sabe que as redes de televisão privadas sempre disponibilizam seus espaços sem nenhum ônus para o Governo para o Poder Executivo fazer os seus pronunciamentos de interesse público. Até porque elas tem perfeita consciência de que a radiodifusão constitui uma concessão pública e funcionam à titulo precário – podem ser cassadas pelo Governo.
Mas, vamos abordar o assunto sob um outro ângulo. O ângulo da audiência.
No controle remoto, ao lado da miríade de canais privados, abertos e fechados, há outra  grande quantidade de canais: municipais, estaduais, educativos, culturais, tudo custeado com o dinheiro dos impostos que pagamos. A maioria não chega a conquistar 1% de audiência. O motivo dessa indigência de audiência é simples: programação totalmente desinteressante. Curiosamente, algumas dessas emissoras “chapa-branca” só são sintonizadas quando o assunto é escandaloso: CPI do mensalão, dos Correios etc. Será que o Governo não teria uma destinação mais inteligente para os R$ 250 milhões de reais?
Finalizamos a coluna de hoje com uma observação sobre o assunto muito apropriada de um companheiro dos encontros das 5as. feiras: se for pra ser uma TV  meio “chapa branca” ela é totalmente desnecessária, pois o Jornal Nacional da Globo já cumpre com competência essa missão…

 

Fonte: Folha de São Paulo – 14 e 16 de março de 2007


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