Um apaixonado por comunicação

“Alô, minha gente amiga… bom dia! Oi turma, a nossa carinhosa saudação…”

Esse bordão anunciava, todos os dias, o “Programa Miguel Livramento”, que fez história no rádio de Florianópolis. Com seu jeito folclórico, o manezinho embalava as manhãs da capital catarinense com seu programa “em edição brasileira”, como gostava de frisar, ainda que não existisse uma “edição internacional” do mesmo.

Pois eu cresci ouvindo o Miguel Livramento. E também o “Clube do Rei”, que a voz inconfundível de Nabor Prazeres apresentava na finada Rádio Santa Catarina. E fechava o dia com o “Programa Jorge Salum”, nas noites da também extinta Rádio Jornal A Verdade.

Mas minha infância não se resumiu a ouvir rádio. Meu pai trabalhava no Aeroporto Hercílio Luz e todos os dias, quando vinha para o almoço, me trazia alguns jornais. E foi assim, entre uma pelada e outra nos campinhos do bairro, que me acostumei a ler diariamente o carioca Jornal dos Sports, com sua chamativa capa cor-de-rosa; o imponente Jornal do Brasil e ainda O Globo. Da terrinha, devorava o tradicional O Estado, hábito que levou os adultos a desconfiar da sanidade daquele moleque que vivia ouvindo rádio e lendo pelo menos quatro jornais por dia.

Como se não bastasse, ainda “gastava” boas horas curtindo as transmissões esportivas das rádios Tupi, Globo e Nacional, além da nativa Guarujá. E me apaixonando pelo estilo de Jorge Curi, Doalcey Camargo, Luiz Penido, José Carlos Araújo e Adilson Sanches.

Meu sonho, na época secreto, era fazer parte de tudo aquilo. Ser uma daquelas vozes que despertavam a imaginação ou autor dos textos que traziam as informações quentinhas, em um tempo pré-internet e redes sociais. Queria, intimamente, trabalhar com rádio e jornal e em meus devaneios me via de microfone em punho ou à frente de uma singela máquina de escrever, dando asas à criatividade…

Mas o tempo foi passando e a vida me levando para outros caminhos. O mais próximo que estive de realizar esse sonho foi na fila do Besc, em 1986, minutos antes de fazer minha inscrição para o vestibular daquele ano. Entrei na agência com a ficha de inscrição ainda em branco, na dúvida entre jornalismo e computação. E, por diversos motivos, optei pela segunda, deixando adormecido por alguns anos o desejo original.

E já tinha até desistido, quando a internet me trouxe de volta a possibilidade de estar mais perto do mundo da comunicação. O surgimento e popularização do conceito de “blog” resgatou aquele sonho antigo. Quer dizer que agora poderíamos ter um espaço para escrever e opinar? Mesmo sem ser profissional da área?

Naturalmente, sem a pretensão de tomar o lugar daqueles que dedicaram sua vida à profissão, comecei a “brincar” de escrever. E, assim, fui colaborador de diversos sites e blogs, mais pelo carinho dos amigos do que propriamente pela qualidade dos textos publicados. O problema é que tomei gosto pela coisa e, ao hábito de ler jornais e ouvir rádio, adquirido na infância, agreguei o de escrever sobre… comunicação.

Foi dessa forma que cheguei até aqui. Almas generosas leram algumas palavras que escrevi – os meus “falares” – e gentilmente me convidaram para fazer parte do grupo de colaboradores deste “Caros Ouvintes”. Uma honra e, mais que isso, uma imensa responsabilidade. A partir de hoje, todas as quintas-feiras, estaremos juntos, conversando sobre algum aspecto do fabuloso universo da comunicação. Rádio, televisão, jornal, internet, publicidade… tudo que merecer destaque, para o bem ou para o mal, será comentado nesse espaço. Espero, sinceramente, que você se divirta lendo essa coluna tanto quanto eu a escrevendo.

E, fechando com outro bordão que ouvi em alguma rádio por aí, “abraço pra quem é de abraço e beijo pra quem é de beijo”…  e até a próxima!

8 respostas
  1. Diogo says:

    Grande Marcelo,

    Parabéns pela iniciativa, texto muito bem escrito.

    É engraçado como, apesar de convivermos com uma pessoa, muitas vezes não a conhecemos por completo. Esse seu “lado” comunicador me era desconhecido.

    Boa sorte nessa nova empreitada.
    Diogo

  2. Nícolas David says:

    Me identifiquei muito com a trajetória e a forma de iniciação. A diferença e que não cheguei a usar o BESC, eu cresci com o banco já incorporado ao BB. Daí, cai na comunicação.

    Bem-vindo, Marcelo!

  3. Marcelo Herondino says:

    Jaison, “tamo junto” como de costume, amigo. Grande abraço!

    Nícolas: nomes de banco à parte, legal saber que te mais gente que passou pela mesma coisa Obrigado pelo comentário!

  4. Carmen Fuhrmann says:

    Querido,

    Muito compartilhamos desta história adormecida e esse sonho de rádio – que ainda acredito ser possível. Fico feliz pois tua trajetória é um pouco parecida com a minha e de muitos outros e ao ler teu texto faz uma retrospectiva na sua vida.

    Parabéns meu amigo, muito sucesso e que teus “falares” cheguem a cada um de nós como inspiração para que não deixemos nossos sonhos morrer, apenas adormecidos, até que as oportunidades cheguem e nos façam realiza-los.

    Grande beijo
    Carmen

  5. Marcelo Herondino says:

    Carmen, querida amiga… tuas palavras são um bálsamo, só me motivam para continuar buscando a realização do sonho. Um beijo muito carinhoso!

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