Um furacão no Rádio Esportivo brasileiro

Importantes manifestações foram registradas a respeito do programa A Voz do Brasil para o qual dediquei minha coluna na última semana.
Por Edemar Annuseck

 O formato do programa precisa ser alterado. E que todas as emissoras tenham os mesmos direitos para exibir o programa em horários alternados de acordo com as suas necessidades. Embora ultrapassada, a Voz do Brasil ainda atende os irmãos brasileiros que não tem acesso a Tevê e a Internet. Precisam ser procedidas modificações e incluir-se o programa na grade das emissoras de tevê.
Por que só o rádio retransmite o programa. A tevê também é uma outorga dada pelo governo. E não venham com essa de que o horário da tevê custa caro. Custa caro porque pagam verdadeiros absurdos para determinados comunicadores que nem estão no ar. Que o diga o Sr. Senor Abravanel.
Se o rádio é obrigado a transmitir o programa que o façam também a televisão.
A programação da tevê aberta e fechada passa por um momento de pouca qualidade e muita baixaria. Bem produzida e sintetizada – no máximo 30 minutos – a Voz do Brasil poderia se transformar num bom programa para ser assistido pelo povo brasileiro.
Sintonia
O grande Ramiro Gregório da Silva tem razão quando afirma que o problema do rádio AM não está restrito a sintonia por se produzir praticamente rádios só para emissoras da freqüência FM. Enfatizei há duas semanas o problema das antenas e dos rádios que se fabricam nos dias de hoje e o Ramiro ao ligar para o nosso comandante Antunes Severo acrescentou ao problema de rádios AM a falta de gente qualificada no comando das emissoras. Essa é uma dura realidade. Já não se fazem mais profissionais da qualidade de Antonio Augusto Amaral de Carvalho, Fernando Vieira de Mello, Murilo Leite, Edson Leite, Emmanuel Carneiro, Jair de Brito, Euclides Cardoso de Almeida, Evelásio Vieira, Ramiro Gregório da Silva, Waldir Amaral os grandes mestres no comando das emissoras de rádio no Brasil.
Hoje grande parte das rádios está sendo comandada por curiosos, parentes dos proprietários, laranjas e muito poucas por verdadeiros profissionais. Por este motivo os anunciantes migraram para o rádio FM. Mas nesta freqüência também já se ouvem os maiores absurdos. Mas há uma explicação para o rádio FM. A audiência baseia-se nos jovens até 25 anos que estão alheios a qualidade, a informação e ao profissionalismo que o rádio deveria ter. Se tiver música estrangeira, sons extravagantes, bate-papo e palavrões no ar estão de bom tamanho para essa juventude. Os jovens estão na deles, eu os entendo e respeito.
Os tempos são outros. A solução pode ser encontrada com o retorno de grandes profissionais ao comando das rádios e a preparação de jovens para que no futuro o rádio brasileiro não seja jogado na lata de lixo.
Virando moda
Em Curitiba o rádio está alvoroçado nos últimos dias. Na quinta-feira o CA Paranaense emitiu um comunicado para todas as rádios brasileiras.
“O CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE (CAP), no legítimo exercício de seus direitos, comunica às emissoras de rádio, em todo o território nacional, que, a partir de 10 de maio de 2008, data de início do Campeonato Brasileiro 2008 (Brasileirão 2008), a transmissão radiofônica de partidas de futebol das quais o CAP participe, na condição de mandante ou não , será objeto de contrapartida financeira, sendo R$ 15.000,00 (quinze mil reais) o preço por partida e R$ 456.000,00 (quatrocentos e cinqüenta e seis mil reais) o preço pelo pacote, contendo os 38 (trinta e oito) jogos do clube.
Informamos que a cobrança pela cessão – não exclusiva – dos direitos de transmissão radiofônica de partidas de futebol do CAP não se aplica a flagrantes do evento, mas à transmissão integral, tudo em respeito ao direito de acesso à informação e liberdade de imprensa. Esclarecemos ainda que o presente comunicado não se aplica às  partidas de campeonatos de futebol em andamento, as quais somente estarão sujeitas às novas regras nas próximas edições. 
Os interessados em adquirir os direitos de transmissão radiofônica das partidas do CAP no Brasileirão 2008 deverão entrar em contato com o clube, por meio do endereço eletrônico [email protected], até o dia 22 de abril de 2008, para formalização de contrato e credenciamento. As tabelas de preços para os campeonatos futuros serão divulgadas oportunamente.
Para maiores informações e esclarecimentos, pedimos aos interessados que contatem o CAP, através do endereço eletrônico [email protected]”. Curitiba, 10 de abril de 2008
Baseado no quê
As últimas informações que me chegaram é que o clube com a perda de patrocínio da multinacional Kyocera encontra-se em dificuldades financeiras e que estaria com um prejuízo de R$ 3 milhões. Esse é um assunto do clube e nem deveria vir a público. Mas voltando ao comunicado, o Atlético teria se baseado na Lei Pelé. Transcrevo a lei em seu artigo 42 onde se poderia aplicar a cobrança de direitos, mas pelo que vocês verão não para o rádio. O que diz.
Art. 42 – Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem. 
§ 1o Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento. 
§ 2o O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo. 
§ 3o O espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo equipara-se, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990.
Minha opinião
Milton Neves comenta em seu blog que o Atlético está certo em cobrar direito para as transmissões das emissoras de rádio. Isso com certeza um dia irá mesmo acontecer no rádio brasileiro, mas o preço pretendido está fora da realidade brasileira. Cobrar-se 15 mil reais por uma transmissão para as rádios de Curitiba, por exemplo, é um absurdo. Vou mais além. Na Copa do Mundo as emissoras fora do eixo Rio-São Paulo devem ter pagado uns 60 mil dólares pelos direitos de transmissão o que hoje seria algo em torno de R$ 110 mil. As rádios brasileiras adotaram o off-tube (transmissão de jogos dos estúdios pela imagem da tevê) porque não tem condições financeiras para enviar profissionais para todos os lados. Nos anos 70, 80 e 90, as emissoras com narrador, comentarista, repórter e operador de externa transmitiam até os jogos do exterior. Hoje a realidade é outra. As quotas publicitárias diminuíram embora o rádio esteja prestando os mesmos serviços. As grandes quotas estão sendo disponibilizadas para a tevê. E o Atlético coloca ainda em seu comunicado distribuído as rádios que cobrará direitos de transmissão de seus jogos em casa e fora de casa. Isso me lembra uma excursão da Seleção Brasileira nos anos 70 ao Exterior. Antes de uma partida a Federação local – acho que foi na Irlanda – exigiu das emissoras brasileiras o pagamento de Direitos para a transmissão. Algumas dezenas de rádios acompanhavam a seleção neste giro e foram ter com Eurico Miranda que chefiava a delegação. Comunicado o fato, Eurico foi aos dirigentes da entidade local e colocou. Se cobrarem direitos das emissoras de rádio do Brasil não tem jogo. E o jogo aconteceu.
Solução
Acho que para o bem do futebol o CA Paranaense deveria encontrar um meio termo com as emissoras de rádio. Essa de se afirmar que “ nenhuma rádio aderir ao pacote nós vamos comprar o espaço em AM e FM e transmitir os jogos para a nossa torcida” é no mínimo curiosa. Será que se impedindo as rádios de transmitir os jogos pelo não pagamento os proprietários das emissoras arrendariam espaços e horários para que o clube possa colocar sua própria equipe e transmitir os seus jogos com exclusividade. A AERP – Associação das Emissoras de Rádio do Paraná – já tomou conhecimento do que está ocorrendo e pretende tomar as medidas que o caso requer.
É isso aí.
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Por Edemar Annuseck

Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que iniciou na Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 e depois atuou nas Rádio Jovem Pan, Tupi, Record de São Paulo, Clube Paranaense, Cidade e Globo/CBN de Curitiba, TV Jovem Pan e SPORTV, Editor da página de esportes do Jornal A CIDADE DE BLUMENAU, cobrir 5 Copas do Mundo (74, 78, 82, 86 e 90).
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