Ody Varella: um líder nato

Aos 90 anos, Ody Varella é lembrado como grande dirigente empresas e de entidades empresariais e esportivas

Paulo Clóvis Schmitz

Poucos foram os catarinenses que ocuparam tantas funções e acompanharam tão de perto quanto Ody Varella a vida social e empresarial, os acontecimentos e as transformações pelas quais passou o Estado nos últimos 90 anos. Nascido em Tijucas em 1921, ele atuou junto a indústrias importantes de Joinville, onde começou a vida profissional, e depois foi gerente de A Modelar (Florianópolis), rede de lojas que ajudou a mudar radicalmente o varejo da Capital. Também fundou a Facisc (Federação das Associações Comerciais e Industriais de Santa Catarina) e presidiu a Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), entidade à qual esteve ligado por 35 anos. A par disso, teve um papel fundamental na área do esporte, como atleta e dirigente de entidades ligadas ao basquete, ao vôlei, ao ciclismo, ao atletismo e ao tênis de mesa.

Aos fazer 90 anos, este mês, ele foi instado a falar de sua trajetória pessoal e profissional. E relembrou dos tempos de estudante em Tijucas, onde as disputas políticas colocam em frentes opostas as famílias Gallotti (PSD) e Bayer (UDN), do pai alfaiate e desportista que lhe legou o gosto pelas competições amadoras, da mãe normalista que deu aulas em colégios da região.

Já no Norte catarinense, acompanhou a consolidação de empresas que nasceram pequenas e hoje são potências exportadoras. Como técnico de administração e contabilidade, prestou serviços para a Consul do ex-prefeito Wittich Freitag e a Tigre de João Hansen. Foi em Joinville que conheceu Maria Eulália Fernandes, com quem se casou e teve os filhos Hercílio, Nelma e Odilene.

Em fevereiro de 1957, Varella transferiu-se para Florianópolis, onde respondeu pela gerência de A Modelar durante 15 anos. Ali, viu a pujança de uma empresa que investia forte em publicidade e criou um sistema de vendas até então desconhecido na cidade – o crediário. “Eles tinham outra mentalidade”, afirma, ao se referir aos donos da rede, chefiada pelo empresário Jacques Schweidson. “Nosso grande concorrente era a Hoepcke, outra potência, mas naquele tempo os comerciantes eram amigos entre si, o que fortaleceu as associações de classe”.

Novo traçado para a BR-282

Ver uma rede de lojas da Capital anunciando em veículos de Lages e Blumenau intrigou o recém-chegado administrador de A Modelar. Foi perguntar, e ficou sabendo que a estratégia não era tão despropositada assim. “Schweidson me explicou que a propaganda tinha por fim atrair moradores dessas cidades, que quando viessem a Florianópolis procurariam as nossas lojas para comprar”, conta. Nos anos 60 e 70, a Diário da Manhã chegou a ter um programa chamado “Sequências a Modelar”, patrocinada pela rede, que também anunciava nas rádios Guarujá e A Verdade. Com cinco lojas na rua Trajano, ela vendia de roupa feminina a artigos populares, passando por móveis e eletrodomésticos.

Como dirigente de entidades empresariais, Ody Varella lutou pela construção da BR-282, cujo traçado inicial ligava Lages a Tubarão. Foi graças ao empenho de lideranças da Capital que a rodovia tem a configuração atual, encurtando a distância entre Florianópolis e o Planalto serrano. “Enviamos correspondências aos parlamentares e representantes catarinenses em Brasília, como o senador Antônio Carlos Konder Reis, que comprou a briga”, recorda. Também foi realizada uma campanha para a internacionalização do aeroporto Hercílio Luz, com o apoio do então ministro da Educação, JorgeKonder Bornhausen.

Um vexame que perdura

Ody Varella foi diretor financeiro da antiga Rádio e TV Cultura (1973-1982), hoje RIC Record, e presidiu entre 1959 e 1971 a FAC (Federação Atlética Catarinense), que congregava atletas de várias modalidades. No esporte, também comandou a Federação Catarinense de Futebol de Salão e deu sua contribuição como conselheiro do Lira Tênis Clube e do Figueirense.

Hoje, como já fazia nos anos 70, defende a construção de uma arena multiuso para receber grandes shows e eventos esportivos, e lamenta ver o time de futsal da cidade disputando uma semifinal da liga nacional em Lages por falta de local adequado na Capital. “Isso é um vexame para nós”, dispara.

Sem sair muito e dirigir (tem um Kadett com 20 anos de uso e 60 mil quilômetros rodados na garagem), seu tempo livre é dividido entre os noticiários, o esporte e as telenovelas. Comunica-se com os amigos pelo e-mail e fala com orgulho de uma bisneta que já está na faculdade de Direito.

PC@noticiasdodia.com.br | @pc_ND | Foto Débora Klempous/ND | Perfil | 21/11/11

1 responder
  1. JOEL GONZAGA says:

    ODY, SOU DE FLORIANOPOLIS E ME LEMBRO DESTA ÉPOCA, NÓS MORAVAMOS EM BARREIROS E MEU PAI TINHA UMAS PLANTAÇOES E PLANTAVA LARANJA UMBIGO E O SR JACQUES IA ATÉ A NOSSA CASA COMPRAR LARANJA UMBIGO OU LARANJA BAHIA, EU ERA PEQUENO E ME LEMBRO DESTE FATO, FOI NOS ANOS 57 OU 58, EU TINHA UNS 11 OU 12 ANOS E NUNCA ESQUECI DESSE NOME SR JACQUES, HOJE MORO EM ITAJAI, ABRAÇO.

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