Um pouco de Ary Barroso

Se dizem que mineiro fala pouco, houve um vivente nascido em Ubá, nas Minas Gerais, que falou por todos os seus coestaduanos pelo menos por um período de 30 anos.
Por Agilmar Machado

Enquanto trabalhou foi o mais eclético profissional em variadas atividades: no rádio, na arte de compor, no piano, na boêmia,  no futebol e também na irreverência.

Se dizem que Almirante foi a “maior patente do rádio brasileiro”, Ary Barroso o deixou na metade da estrada. Foi apresentador de programas de auditório, locutor (polêmico) de futebol, compositor de linha de frente, pianista exímio e inspirado compositor. Se tivesse composto somente Aquarela do Brasil (o segundo hino brasileiro), já teria feito tudo no campo da arte musical.

Tinha história, fama, bom nome, mas não levava desaforo pra casa. O Flamengo foi sua segunda paixão na vida (se não foi a primeira !). Inculcada em seu coração estava, antes de mais nada, a brasilidade. Uma vez, num famoso programa de auditóirio que apresentava, chegou um dos candidatos para, sem muito compromisso, cantar.

Ary perguntou: “O que você vai cantar” ?
O calouro: “Um sambinha…”.
Ary: “E qual é o nome desse SAAAAAAMBIIIIINHA ???
O calouro:Aquarela do Brasir…
Ary: “O quê?”
O calouro: “Aquarela do Brasir !”
Ary: “Aquarela do Brasil !  Fala: Aquarela do Brasilll ! ”
O calouro: “Aquarela do Bra…sil…”
Ary: “Tá, canta !”

A orquestra atacou e, já meio fora do ponto, o calouro começou…
– “Brasir, meu Brasir brasilero… meu mulato fisonero… vou cantalte
nos meus VELSOS…”

Ary: “Oh, tipo infame ! Tu podes cantar nos TEUS VELSOS; nos MEUS
VERSOS tu não cantas mais nem uma palavra !!!”
Não é preciso dizer que o tal calouro não saiu muito confortavelmente
do palco…

………………..

De outra vez Ary foi proibido de entrar no estádio São Januário, do
Vasco da Gama, especialmente nos jogos clássicos entre o SEU Flamengo e o Vasco…

Ary protestou, criticou, esperneou e, nada ! Proibido estava e proibido ficou seu ingresso no campo.

Pois Ary não se deu por vencido: alugou um telhado de um prédio alto, a cerca de 500 metros de distância do estádio, lá instalou sua aparelhagem e, com um binóculo, continuou não somente transmitindo as partidas do São Januário, mas também  redobrando sua paixão pelo Flamengo e sua irreverência em relação aos  demais times, contra os quais dirigia irônicas críticas.

Para Ary, em futebol, havia o FLAMENGO… e os outros. Na música, Ary merece um capítulo à parte…


{moscomment}

Categorias: Tags: , ,

Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *