Um pouco de cada para chegar perto do tudo

Santa Catarina já teve uma grande produtora de comerciais em São Paulo. Reprodução de anúncio publicado na edição especial   de Meio&Mensagem - 1978-1988 - O que mudou na Propaganda

Santa Catarina já teve uma grande produtora de comerciais em São Paulo. Reprodução de anúncio publicado na edição especial de Meio&Mensagem – 1978-1988 – O que mudou na Propaganda

O que se passa no mundo das relações entre sociedade, governos, fornecedores,  distribuidores e consumidores de produtos, serviços ou idéias? A pergunta cabeluda é para tontear o mais qualificado e competente profissional das trinta e muitas áreas da Comunicação de Marketing passando pela propaganda (ou seria publicidade?), relações públicas, eventos, promoções, merchandising, assessoria de imprensa, marketing direto, indireto, convexo, côncavo e por aí a fora, até chegar ao topo que é a comunicação persuasiva.

Agora, para aliviar a tensão, responda:

–       O que disseram sobre propaganda Gondim da Fonseca e os padres, no livro “Biografia do Jornalismo Carioca”?

–       O que fazem os nomes desses alegres artistas, poetas, escritores e jornalistas na crônica da propaganda: Julião Machado, Luiz Peixoto, Vasco Lima, Olavo (Braz Martins dos Guimarães) Bilac, Emílio de Menezes, Hermes Fontes e Bastos Tigre?

Pois, leitor caríssimo, essas e outras questões estarão sendo respondidas na continuação destas reminiscências sobre a História da Propaganda. Que, como você já sabe (estas crônicas), vão desaguar na História da Propaganda de Santa Catarina.

Para refrescar a memória, voltemos ao livro PROPAGUE – 25 Anos de história da Propaganda de Santa Catarina

“No Brasil a história da propaganda se confunde com a história dos meios de comunicação. A história começou um anúncio foi publicado no primeiro jornal brasileiro. Em 10 de setembro de 1808 a Gazeta do Rio de Janeiro publicava Quem quiser comprar uma morada de sobrado com frente para Santa Rita, fale com Joaquim da Silva,  que mora nas mesas casas…”.

Logo um turbilhão de textos diminutos e sem ilustração invadiu os jornais da época. Ofereciam serviços e as mais variadas mercadorias, na linguagem direta e elementar dos classificados.

Lembra Gondim da Fonseca, Biografia do Jornalismo Carioca que antes do aparecimento dos jornais a igreja era o grande veículo da propaganda. “Os padres teriam sido os primeiros publicitários brasileiros. Os anúncios eram lidos pelo padre no momento da missa ou pregados à porta da igreja.  E, deve-se convir, os padres são eméritos “vendedores” de idéias abstratas. Haja vista que, há quase dois mil anos, eles vendem pelo mundo  inteiro a delicada idéia de inferno e paraíso”.

É dessa fase da propaganda a amarga constatação: a mercadoria mais em alta era o homem de cor negra. Os anúncios compravam e vendiam escravos. ‘Vende-se uma preta ainda rapariga, de bonita figura, a qual sabe lavar, engomar, coser e cozinhar…’. Outras vezes, à maneira consagrada nos filmes faroestes, procuravam negros fugitivos: ‘Fugiu à Joaquim Bonifácio do Amaral, da Cidade de Campinas, um escravo de nome Adão, de idade de 40 anos, mais ou menos, estatura regular; tem a mão direita seca e falta, fala grossa e feia; quem o prender e entregar a seu senhor receberá a gratificação de seu trabalho, além das despesas que fizer.’ À época, era também comum os anúncios serem transmitidos oralmente, nas ruas, pelos populares ‘cegos das folhinhas’.

Como, porém, diria a propaganda do Banco Bamerindus muitos anos depois, o tempo passa, o tempo voa veio o século XIX e trouxe a revolução industrial. Com ela, vieram os recursos tecnológicos e a produção em série, criando a necessidade do consumo de massa. A publicidade amplia o mercado consumidor e se desenvolve. Bulas de remédios, panfletos e painéis são de meados dos anos oitocentos. Aparece no Rio de Janeiro o primeiro painel divulgando um evento: o lançamento da revista ‘Semana Ilustrada’. Vinte anos após, os jornais cariocas ‘Mequetrefe’ e o ‘Mercúrio’ inauguram os anúncios ilustrados com desenhos, litogravuras e logotipos. O trimestral ‘O Mercúrio’ voa mais alto e publica o primeiro anúncio em duas cores em 1896.

Entre em campo a arte gráfica

“A ilustração passa a ter função central. Lojas de confecção e fabricantes de remédios são os grandes anunciantes. Surge um novo e ‘aceso’ veículo publicitário: os luminosos (Thomas Edison inventara a lâmpada incandescente já em 1879). Ao raiar do século XX chegam, alegres, as revistas, trazendo a versão brasileira de art-nouveau. Coloridas e exuberantes, as ilustrações exibem o traço fino e rebuscado que reflete figuras do mundo europeu. Muitos reclames são meramente traduzidos para o português. Outros, incorporam o movimento artístico da França pelas mãos de artistas nacionais como Julião Machado, Luiz Peixoto, Vasco Lima. Talentos do porte de Olavo Bilac, Emílio de Menezes, Hermes Fontes, Bastos Tigre assinam textos, sonetos e rimas que caracterizam a época. Eles popularizam o verso e a caricatura na propaganda. E, por falar em caricatura, começou a ser utilizada a imagem de políticos nos anúncios. Candidatos, autoridades, governadores ocupam o lugar que antes pertencia aos frades e freiras na comercialização do produto”.

Mas, como o tempo passa, o tempo voa, com o avanço da industrialização mundial, junto vem o marketing que quase sufoca o charme e a leveza da propaganda poética por duras regras de pragmatismo imediatista escondido por trás da encantada e decantada Administração Mercadológica.

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC

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