Um robô que pensa

“Os robôs nunca serão capazes de pensar”, dizem alguns cientistas. Outros são menos radicais, mas, até agora, o mundo não conhecia um caso concreto de robô capaz de simular raciocínio. Desde a semana passada, entretanto, o mundo já conhece um robô que aprende pela experiência, exatamente como os seres humanos, embora isso pareça ficção científica. Coube aos pesquisadores japoneses a primazia de tornar realidade esse velho sonho de construir máquinas que podem aprender sozinhas a executar tarefas para as quais não foram pré-programadas.
Robô já aprendeu a servir bebidas
Diversas notícias na internet e de agências de notícias informaram no dia 11 de outubro que Osamu Hasegawa, professor associado no Instituto de Tecnologia de Tóquio (Tokyo Institute of Technology), desenvolveu um sistema que permite ao robôs olharem o ambiente em volta e fazerem pesquisas na internet, de modo a aprender a pensar ou descobrir como resolver um problema.

O professor Hasegawa lembra que a maioria dos robôs atuais são muito bons para executar tarefas previamente programadas, mas eles sabem muito pouco do mundo real em que vivemos nós, seres humanos. “Desse modo”, lembra o cientista, “nosso projeto é a tentativa de construir uma ponte entre os robôs e o mundo real.”

Qual é o segredo para realizar esse salto? É um algoritmo, chamado Rede Neural Incremental de Auto-Organização (em inglês, Self-Organizing Incremental Neural Network, ou SOINN) que permite aos robôs usarem seus conhecimentos, ou seja, aquilo que eles já sabem, para inferir como completar tarefas que lhe pedimos para executar.

O SOINN examina o ambiente para reunir os dados de que necessita para organizar as informações de que dispõe e chegar a um conjunto coerente de instruções. Numa demonstração, quando lhe pediram, por exemplo, “sirva água”, a máquina começou a subdividir a tarefa em diversas subtarefas para as quais ele tinha habilidade para executar ou aprendido antes: segurar o copo, segurar a garrafa de água, verter o líquido da garrafa no copo e por o copo sobre a mesa.

Mesmo sem ter um programa anterior para servir água, o robô cumpre a ordem, executando uma série de ações exigidas para completar a tarefa. O robô SOINN pede ajuda quando enfrenta a situação que está além de suas habilidades e chega a armazenar

 informações que poderão ajudá-lo em futuras situações. Numa experiência isolada, o SOINN é utilizado para capacitar as máquinas a buscarem informações na internet que possam ser úteis, ou para entender o significado de uma palavra em particular.

A equipe do professor Hasegawa está tentando fundir essas habilidades e criar uma máquina que possa descobrir como executar uma tarefa por meio da pesquisa online.

“No futuro, acreditamos que ele possa perguntar a um computador na Inglaterra como coar uma xícara de chá e executar essa tarefa no Japão”, diz o cientista.
Da mesma forma que os seres humanos, o robô pode também filtrar os ruídos ou informações sem significado que possam confundi-lo. O processo é similar ao modo como as pessoas podem conduzir uma conversação com um interlocutor e desprezar as conversações paralelas (que são formas de ruído).

O robô já está preparado para executar dezenas de tarefas, como buscar um objeto, servir refrigerante, procurar um produto na cozinha ou no escritório.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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