Um votinho, pelo amor de Deus

Desde que o Calendário Maia veio à tona sinalizando o 2012 como um ano especial de grandes mudanças na vida da humanidade, com a possível entrada da Era de Aquário, muita coisa tem sido dita, escrita, pensada e cochichada sobre isso. Entre os “especialistas” em futuro, não faltam os semeadores de ameaças trágicas na esperança de que o pânico generalizado se transforme em lucro. Viemos de uma cultura do lucro e somos capazes de muitas coisas por dinheiro, até a mesmo a mentira, a guerra, a traição, o assassinato. Muitos vendem a mãe e nem sempre a entregam. Mas, os sinais desse novo tempo parecem apontar para outro extremo: para o fim de uns tempos bicudos, aquele tempo a partir do qual o cidadão terceirizou a cidadania e passou a olhar para o governo, para a polícia e para a justiça à espera das soluções que ele mesmo não promove nas suas atitudes.

Esse novo tempo parece dizer que ele, cidadão, irá botar a boca no trombone fazendo valer os seus direitos fundamentais. As rebeliões no norte da África, no Wall Street, em Londres, Barcelona e em outros setenta países condenando esse sistema bancário no que se transformou o modelo capitalista e neoliberal, está a indicar de tantos outros modos que o povo cansou da ditadura seja ela de esquerda, de centro ou de direita,

Cansou da ditadura dos partidos políticos, da imprensa facciosa, do sistema bancário, das oligarquias de poder, do poder judiciário, da indústria dos bens de consumo, dos laboratórios farmacológicos, do que mais?

A ilusão da riqueza movida a lucro sistematicamente realimentada pelo modelo capitalista, de um lado e a ilusão de uma única classe média feliz prometida pelo modelo comunista, de outro, e as repetidas arapucas recheadas de frustrações armadas pela social-democracia, esgotaram a paciência da humanidade, que entre milhões de manifestos via internet também sai às ruas para pedir mudanças.

Um bom exemplo foram as pressões sobre o Supremo Tribunal Federal do Brasil para o imediato efeito da Lei da Ficha Limpa sobre mais coisas do que os cargos eletivos; que alcance também os cargos preenchidos por nomeação.

Para elegerem-se e para serem nomeados para cargos públicos, os candidatos têm (teriam) de estar limpos e puros.

E para chegarem ao poder, necessitam do nosso voto. E quantos de nós andamos prometendo que este ano começará a faxina?

Isso sim são sinais de tempo novos.

Aquário manda à frente de sua era um choque de modernidade responsável, um tsunami de ética e um terremoto de participação interativa dos cidadãos em todos os campos suscetíveis de intervenção popular de baixo para cima.

Até 1980 as transformações eram ditadas de cima para baixo, por conta das elites de poder. Passado um pequeno vácuo de autoria, podemos festejar a crescente onda de cidadania a empurrar os líderes de baixo para cima.

Quem sabe nós também faremos uma outra revolução: aquela que manda cuidar mais de nossas almas e pedir menos milagres vindos de fora.

Bem vinda a Era de Aquário.

Homero Franco, jornalista aposentado

 

Categorias: Tags: , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *