Uma história de luta e abnegação

A história da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT teve início oficialmente com sua criação no dia 22 de novembro de 1980, na cidade de Lages.

Roberto Amaral, 1º pres. Acaert

Roberto Amaral, 1º pres. Acaert

Como informa um documento elaborado pelo então diretor da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, Euclides Simões de Almeida, desde a década de 1960 as emissoras de rádio enfrentavam uma série de desafios. No documento, Almeida relata que o meio rádio “começava a sofrer o impacto da presença cada vez mais forte da televisão”. Ele apontava também outros problemas: as emissoras de rádio não tinham suporte financeiro para manter atualizados os equipamentos, a censura prévia que dificultava a operacionalidade das emissoras agravando ainda mais os problemas com a burocracia estatal.

Para tentar resolver coletivamente estes problemas, um grupo de radiodifusores resolveu formar a comissão organizadora da Associação Profissional das Empresas de Rádio e Televisão de Santa Catarina – APERT. Participaram da comissão os radiodifusores e executivos: Carlos Joffre do Amaral, Osny Gonçalves, Ramiro Gregório da Silva, Norberto Bottnner, Flávio Rosa, Monsenhor Agenor Marques, Padre Virgílio Tambosi, Padre Névio Capeleti, Acy Cabral Teive, Antônio Luvesa, Darci Lopes, Evelásio Vieira e o próprio Euclides Simões Almeida, que acabou sendo o presidente da comissão.

A primeira providência foi estabelecer contato com as entidades já existentes, como a AGERT, do Rio Grande do Sul. O grupo recebeu total apoio da entidade gaúcha, através do seu presidente Antônio Abelin e do diretor Maurício Sirotsky. Outros contatos foram feitos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Com a criação da APERT, a entidade passou a representar as emissoras de rádio e televisão nas audiências da Justiça do Trabalho e acompanhar a tramitação dos processos de interesse das associadas no Ministério das Comunicações. Além disso, os diretores da entidade também participavam de encontros e congressos das Associações Estaduais e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT.

A partir dessa experiência foi a vez da própria APERT promover seminários técnicos com o intuito de profissionalizar os empresários dos segmentos rádio e televisão.

E foi graças ao trabalho de parlamentares catarinenses e de empresários como Roberto Amaral e Nelson Pacheco Sirotsky, que a entidade conseguiu a instalação de um escritório do Dentel em Santa Catarina.

Embrião – A ACAERT surgiu justamente com a divisão das tarefas da APERT, já que havia sido criado o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão – SERT para atender os assuntos trabalhistas. O estatuto da nova Associação foi aprovado no 1º Congresso Catarinense de Radiodifusão, realizado na cidade de Lages em novembro de 1980. Na ocasião, o radiodifusor Roberto Rogério do Amaral foi eleito o primeiro presidente da ACAERT.

A ACAERT se consolidou como a entidade representativa das emissoras de rádio e televisão do Estado por sua atuação marcada pelo trabalho de profissionalização dos radiodifusores, defesa dos interesses do segmento empresarial, combate à ilegalidade e fortalecimento institucional da entidade. A Associação já teve nove presidentes, que são escolhidos para uma gestão de dois anos, com direito a reeleição. O cargo é exercido voluntariamente. Quatro deles cumpriram dois mandatos: Roberto Amaral, Marcello Corrêa Petrelli, Ranieri Moacir Bertoli e Marise Westphal Hartke, a primeira mulher eleita. A história da ACAERT pode ser contada pela atuação de seus dirigentes, como segue.

Euclides Simões De Almeida | Presidente da Comissão Fundador | Período: 09/12/73 a 22/11/1980

Assumiu a direção da Rádio Diário da Manhã, Florianópolis, em fevereiro de 1963. Presidiu a APERT, embrião do Sindicato das Emissoras de Rádio e Televisão de Santa Catarina – SERT e da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – ACAERT. Foi presidente da Comissão Organizadora da nova entidade. Sua maior preocupação foi o acompanhamento tecnológico dos equipamentos e da profissionalização do radiodifusor. Assumiu a direção da Rádio Diário da Manhã, Florianópolis, em fevereiro de 1963.

Roberto Rogério do Amaral | Períodos: 22/11/80 a 31/08/82 e 01/09/88 a 31/08/90

Primeiro presidente da ACAERT escolhido no Congresso Estadual de Radiodifusão em Lages. Mais tarde foi novamente eleito para presidir a entidade num segundo mandato. Foi um dos responsáveis pela instalação do escritório do Dentel em Santa Catarina. Profissional de rádio e televisão, preocupou-se com a ampliação do quadro associativo da entidade. Trabalhou no fortalecimento das emissoras do interior catarinense. Atualmente comanda o SBT Santa Catarina.

Darci Lopes | Período: 01/09/82 a 14/06/83

Homem de televisão, um dos responsáveis pela montagem da primeira emissora de televisão de Florianópolis, a TV Cultura, canal 6, (atual Record News). Na época em que presidiu a ACAERT, as emissoras de rádio e de televisão ainda viviam sob a vigilância da censura. Os problemas das associadas eram enormes, alaém da censura. A programação da televisão – novelas, shows e até jornalismo -, vinha de avião do Rio e São Paulo. Os telespectadores de Santa Catarina estavam sempre dois dias em atraso com o capítulo da novela em relação ao público de São Paulo, por exemplo. O grande papel da ACAERT foi começar a congregar as rádios do Estado. Segundo Lopes, na época a entidade não sabia nem quantas emissoras de rádio existiam.

Ramiro Gregório da Silva | Período: 15/06/83 a 31/08/84

Foi um dos fundadores da ACAERT e um defensor guerreiro da integração dos radiodifusores de Santa Catarina. Trabalhou intensamente para evitar a desunião entre as emissoras de rádio de várias partes do Estado, pois sabia que a ABERT não reconheceria mais uma entidade que representasse a radiodifusão nos estados. Sua meta foi criar uma personalidade própria da entidade, integrando definitivamente as rádios. Outro momento importante foi a negociação dos direitos autorais, conseguindo, através da ABERT, um acordo coletivo das emissoras de rádio com o ECAD. Na sua opinião, a ACAERT possibilitou o entendimento de várias partes conflitantes, que passaram a defender interesses comuns, através do associativismo, fato que fortaleceu a entidade e valorizou as associadas.

Evelásio Paulo Vieira | Período: 01/09/84 a 31/08/88

Filho do “senador Lazinho”, em discurso de posse, Evelásio Paulo Vieira registrou, com o apoio de toda a diretoria eleita, que sua gestão seria voltada para o rádio, pois sentia que cada emissora constituía-se em uma ilha isolada: carente de informações, mas ávida por ações de associativismo. Por isso, a prioridade número um foi a realização dos encontros regionais: a cada trimestre a ACAERT reunia os empresários e profissionais do rádio nas seis regiões geoeconômicas de Santa Catarina. Muitas resistências foram eliminadas entre emissoras de uma mesma região. Vieira e sua diretoria também firmaram parcerias com a Telesc e Celesc, a exemplo das conquistas da Associação das Emissoras de São Paulo – AESP. Para Vieira, a principal ação estratégica da ACAERT foi a promoção institucional e comercial do veículo rádio entre as agências e anunciantes, através da divulgação de pesquisas, produção de material sobre os números de audiência e cobertura do rádio, cursos e treinamento especialmente para a área comercial das emissoras. 

Carlos Alberto Ross | Período: 01/09/90 a 31/08/94

Realizou amplo trabalho de incentivo ao retorno dos associados à entidade e ofereceu condições para a entrada de novos integrantes das diferentes regiões do Estado. Um dos seus grandes projetos foi colocar em prática um velho sonho de todos os radiodifusores catarinense: concretizar o convênio de energia elétrica (Celesc/Rádios) o que acabou ocorrendo graças ao entendimento da entidade com o ex-governador Vilson Kleinubing. O coroamento da gestão ocorreu com a compra das salas que hoje formam a sede própria da ACAERT, em Florianópolis. A união e o entendimento dos radiodifusores do interior foram a grande preocupação de Ross.

Paulo Velloso | Período: 01/09/95 a 31/08/98

Ex-diretor executivo da TV Barriga Verde, Velloso e diretoria também enfocaram o meio rádio como prioridade da gestão. Nesse sentido, várias ações foram realizadas para alcançar o objetivo traçado, como o combate às rádios ilegais. Criou também a Central ACAERT de Rádio para estreitar e aproximar a relação das associadas da entidade com o mercado publicitário. Fortaleceu o convênio com a Celesc e trabalhou na interiorização das ações da ACAERT. Com isso, possibilitou o aumento do quadro associativo e fortaleceu institucionalmente a imagem da entidade na classe política catarinense.

Marcello Corrêa Petrelli | Períodos: 1999 a 2000 / 2001 a 2002

Em sua gestão a entidade completou a integração da radiodifusão de Santa Catarina, com a inclusão das emissoras da Região Oeste do Estado à ACAERT. Priorizou também o fortalecimento da Central ACAERT de Rádio, criando a infraestrutura necessária. Promoveu ainda a parceria com várias entidades do mercado de comunicação, como o SAPESC, ACP, ADVB/SC, ABAP e ACI. Promoveu 10 encontros regionais e dois congressos estaduais. Criou campanhas institucionais, principalmente contra as rádios ilegais e  estimulou articulação política com os órgãos públicos, tais como Ministério das Comunicações, Anatel e Governos Federal e Estadual. Instituiu a Comenda ACAERT e garantiu a manutenção do Convênio CELESC com a radiodifusão catarinense. Em sua gestão, a ACAERT foi premiada com o TOP DE MARKETING 2001, da ADVB/SC.

Ranieri Moacir Bertoli | Períodos: 2003 a 2004/ 2005 a 2006

Radiodifusor, empresário do ramo de hotel e reflorestamento. É proprietário da Rádio Verde Vale FM, de Taió. Fortaleceu a atuação da Central ACAERT de Rádio, ampliando sua estrutura. Foi responsável pela modernização da sede da ACAERT. Um dos criadores do chamado Trade da Comunicação, reunindo entidades que representam os veículos de comunicação e as agências de propaganda de Santa Catarina: ACAERT, Adjori, ADI, ACI, ACP, SAPESC e SERT. Estimulou o relacionamento institucional com ABERT, associações estaduais, Ministério das Comunicações e Anatel. Em parceria com Instituto Mapa, Adjori e Sapesc, promoveu o primeiro levantamento do mercado de veiculação publicitária em Santa Catarina, nos anos de 2004 e 2005. Organizou dois congressos estaduais e o “Prêmio ACAERT de Rádio e TV”, além das Comendas ACAERT. Implantou, com o SEBRAE, o primeiro Programa de Capacitação dos Profissionais da Radiodifusão Catarinense. Lançou também, em parceria com o Instituto Mapa, o Prêmio “Top da Bola”, concedido aos melhores jogadores do campeonato catarinense de futebol. Incentivou a formação da “Frente Parlamentar da Radiodifusão”, criada pelo deputado federal Ivan Ranzolin (PFL). Implantou, em parceria com a ADI/SC (Associação dos Diários do Interior), a Central de Notícias Regionais – CNR/SC. Ampliou o atendimento da Assessoria Técnica da ACAERT. Iniciou os projetos: “Memória da Radiodifusão de Santa Catarina” e “Balanço Social da Radiodifusão Catarinense”. Proporcionou a maior participação catarinense em um congresso da ABERT.

Marise Westphal Hartke | Períodos: 2007 a 2008/ 2009 a 2010

Marise foi a primeira mulher a ser eleita para a função. Proprietária da Rádio Diplomata FM, de Brusque. Antes de assumir a presidência, já atuava na Diretoria da entidade. Criou a Rede de Notícias ACAERT – RNA, que produz conteúdo jornalístico para as emissoras de rádio. Em sua gestão foi ampliada a sede da entidade, com a aquisição de nova sala, onde estão instalados o estúdio e a redação da RNA. Promoveu encontros regionais, possibilitando a capacitação dos profissionais do rádio. Deu sequência aos projetos em andamento, como “Memória da Radiodifusão de Santa Catarina” e “Balanço Social da Radiodifusão Catarinense”, além da pesquisa de mercado publicitário do Estado.

Texto atualizado por Antunes Severo a partir do original publicado no livro Memória da Radiodifusão Catarinenense organizado por Marco Aurélio Gomes e Antunes Severo e publicado pela ACAERT em 2009 em edição da Insular.

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