Uma lenta ou uma rápida?

Ainda pensava sobre o que escrever esta semana até ler a coluna da brilhante escritora Martha Medeiros, intitulada: Elogio à memória – no Diário Catarinense de domingo, dia 22.

O que me chamou atenção para essa crônica foi o comentário do médico britânico Richard Smith. O doutor Smith gerou polêmica ao afirmar que o câncer é a melhor forma de morrer. Quem está passando por esse problema de saúde, ou alguém que tenha perdido uma pessoa amada vítima do câncer pode ficar assustado, e com razão, a afirmação é forte. O que o médico quis dizer afinal de contas? Dr. Smith explica que entre a morte súbita, a falência múltipla dos órgãos, a demência ou o câncer, este último estaria em vantagem por dar ao paciente a oportunidade de se despedir dos seus afetos e prazeres, de refletir sobre a vida, de visitar certos locais pela última vez e de se preparar para a partida conforme suas crenças.

E agora? Os britânicos são “frios” demais? Opinião cruel com quem está doente ou tem familiar passando por esse sofrimento? Poderia ele ter uma “pontinha” de razão?

Há pessoas que dizem que a única certeza que temos na vida é que um dia morreremos. Também não disse que concordo isso, mas muitos pensam assim e devem ser respeitados.

Mas supondo que fosse assim, se tivéssemos a mais absoluta certeza de que vamos morrer mesmo e ponto final. Nesse caso o que seria melhor? Há outro ditado que diz assim:

“Vida longa e morte rápida”, não lembro de que país esse ditado veio, mas achei também interessante.

Enfim, o que valeria mais; ter um tempo para corrigir algumas coisas. Visitar lugares. Pedir desculpas. Dizer eu te amo. Saborear o ar que respiramos. Refletir sobre uma vida em sua reta final.

Como não sabemos muito sobre o futuro, ou como vamos morrer, por que esperar? Seremos contemplados ou com uma morte súbita ou como uma que nos dará tempo. Um tempo que ainda temos e não sabemos por quanto tempo.

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