UMA PALAVRA DE DESPEDIDA, APENAS – QUANDO EU MORRER

Não é normal, pelo menos não é costumeiro esperar a morte com absoluta calma e tranqüilidade, sem qualquer reação contrária àquilo que marcará o fim dos nossos dias terrenos e de que nenhum de nós poderá livrar-se, inerente que é à nossa condição humana.

É preciso ter um equilíbrio verdadeiramente superior, como o de São Francisco de Assis, para ter a serena coragem de cantar hinos de saudação à Parca, chamando-a de “Irmão Morte”, vendo nela a libertadora, que ela realmente é, mas contra cuja presença fria e incômoda todo o nosso instinto de conservação e sobrevivência brada sem cessar até o último momento, tenhamos s condições de idade ou as condições físicas que tivermos.

Falar em morte é abordar, sem dúvida, um assunto desagradável e mal visto, do qual querem guardar prudente distância, inclusive de nós mesmos. Chegaremos lá, não obstante…

À medida que o tempo avança, vamos recebendo alguns sinais progressivos, discretos a princípio, depois ostensivos e repetidos, de que ela está chegando, de que se avizinha a sua chegada.

Isto quando não vem ela prematura e inopinadamente, surgindo à nossa frente, quando é como se fosse a eternidade o curso definitivo superior ao qual chegamos pelo vestibular da Morte, preparados pelo cursinho da vida eterna.
Por isto, a importância compreensível e indispensável que damos à passagem pela terra…
É em torno da vida humana que se formam todos os códigos e todas as leis…

Daí o incrível dos tempos modernos em que se aponta como reivindicação humana (?) tanto o aborto como a eutanásia… Daí partindo para a morte por motivos eugênicos e até políticos!
O que vale, a cada um de nós, é encararmos o nosso fim como não sendo realmente o fim: é etapa a ser cumprida, meta que atingiremos e que nos cumpre atingir bem…

Nossos esforços deveriam ser conduzidos, ou pelo menos tentados para que, quando morrêssemos: Merecêssemos uma lágrima em memória dos sorrisos que houvéssemos possivelmente propiciado; deixássemos alguma saudade, em face das esperanças que tivéssemos possibilitado; não desse à nossa morte alívio, porque em nossa vida o alívio de outrem tivesse sido nossa preocupação; legássemos um vazio, pequeno embora, porque nossa presença houvesse sido útil; inspirasse mais “um até à vista” do que um “adeus”; sentíssemos a mão piedosa que nos fechasse os olhos, porque havíamos ajudado a que se visse; as velas que acendessem rememorassem as luzes que tivéssemos posto a iluminar; ganhássemos uma palavra pelos instantes em que tivéssemos ouvido, e um instante de reflexão e silêncio pelas palavras que houvéssemos dito um dia; que não morrêssemos de todo ou para sempre, pela vida que tivéssemos conseguido transmitir, preservar ou ajudar…

Talvez, assim não a temêssemos tanto…

*José Wanderley Dias

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Por Donato Ramos

Radialista desde quando estreou ao microfone da Rádio Clube de Paraguaçu Paulista, na década de 1950. Trabalhou nas principais emissoras de Rádio do Paraná e Santa Catarina atuando na locução, produção e direção artística. Tem dezenas de livros publicados sobre rádio e jornalismo. Atualmente se dedica a ações filantrópicas.
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