Uma Palavra de Despedida, Apenas – Renúncia

Para quem a garoa daquelas vinte e três e trinta da noite final? Quem consertará o berço quebrado? Quem plantará as flores? Quem fará eu parar de chorar por dentro e sorrir outra vez?

Quem passará a mão onde a bofetada pública replicou uma verdade que ela, ferida por ter sido traída, acertou com força a resposta pedida?

– Quer dizer, então, que esta vagabunda é melhor?

– Não entendi.

– Quer dizer que esta vagabunda que tem mais qualidades do que eu?

– Bem, dentro dessa análise, tem.

Sim. Frente a frente, para que ela tivesse a certeza da verdade, da renúncia total, para voltar outra vez a viver. A outra, impassível. O vexame final, no meio da rua do bairro pobre, no pobre final da rua sem vida. Cada um com a alma em frangalhos.

– Esta é minha mulher. Você já a conhecia. Estou aqui pra que você fique tranqüila, com respeito ao menino. Pra que você viva sem medo de que, no futuro, eu possa, ainda, lutar pela posse da criança. É a renúncia total. A primeira renúncia. Deus queira que não forcem outras renúncias e que entendam esta resolução. No momento oportuno você dirá a ele. Quando ele entender.

 

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Por Donato Ramos

Radialista desde quando estreou ao microfone da Rádio Clube de Paraguaçu Paulista, na década de 1950. Trabalhou nas principais emissoras de Rádio do Paraná e Santa Catarina atuando na locução, produção e direção artística. Tem dezenas de livros publicados sobre rádio e jornalismo. Atualmente se dedica a ações filantrópicas.
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