Uma palavra de despedida, apenas: agonia

– Alguma coisa deve ter acontecido comigo. Estou vazia… E, afinal, você tem a sua casa… – Mas e o amor, as dificuldades passadas juntos, as tantas alegrias? – Não sei. – E os sonhos…? Onde foram…? – Cansei, acho de sonhar. Meu amor inteiro foi para meu filho. – Se tudo terminou que faremos? – O menino fica comigo e você não vai ver mais. Tem de prometer. – Pra onde? – Pra casa de mamãe. Ela quer que eu volte. Tem de ser assim. Nós sabemos disso. – É, sabemos. “Por que sendo este mundo obra divina das mãos de deus saída, a humanidade sofre tanto ? Por que existe a saudade ? Por quê existe a guerra que extermina, que arrasa, que degrada, que alucina; e atira na miséria e na orfandade a criança inocente?

E essa maldade que avassala, que impera, que domina …

Por quê? Por que se parte ao meio a vida de um jovem? Por que existe a partida ?

Por que é que perde a fé o homem que crê?

Por que há romances que o destino tece e com cuidado e zelo anima, por que”?

(De quem seria isto…? E importa, agora? Tem tanta coisa na minha cabeça que não sei onde fui buscar…!).

Muitos outros atos vieram, idênticos, mais sofridos, mais graves, mais loucos. Ela, com razão absoluta em sua determinação.

Ele, no desespero total, sabendo não mais amado, não amando mais. Mas não foi assim que ele sonhou. Não foi assim. Não sabia, no entanto, que assim, eternamente dividido, sofrido, desesperado e quase enlouquecido, não era mais possível viver.

Desistir do primeiro lar, o pensamento o pensamento que vem e encontra a barreira, intransponível barreira do sentimento sufocado, do vazio da alma dela, da agonia da alma dele, das dúvidas e da insegurança.

O que fazer, perguntava a Deus.

Procurou o seu deus no céu, na terra, nos semblantes todos… E nada encontrou. Estava só. Irremediavelmente, só.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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