Uma palavra de despedida, apenas: caminhada

Os espinhos, descuidados, ainda machucam alguma parte sensível que restou da longa caminhada.E eu ria tanto da pieguice daquele livro… Como era mesmo…?- Gaze…Falavas de espinhos e de um muro…O muro separando-o das angústias dos dias vividos.O muro separou-o dos espinhos.Mas o muro também serviu para separá-lo das rosas. O muro ruiu. Caiu como quem derruba alguma coisa. – Bisturi… Gaze… Agulha…Encostou-se demais, com força demais, para aspirar, outra vez, o perfume de ontem…- Clorofórmio…E aspira. Mas as rosas não têm mais perfume.A boca grande da grande noite a devorar tudo, rosas, espinhos, lembranças…- Mais clorofórmio…Talvez, nem dê tempo para recordar.Uma dor funda, na alma, no corpo… As rosas choram…Os espinhos riem.- Massagem… O coração…O tempo que resta é pouco. Esfumaçadas, enevoadas de passado, as lembranças atravessam o muro, silentes, aos gritos de alegria às vezes e vêm sentar-se ao seu lado e ele começa a catalogar.Uma, outra, depois aquela…Colocar na seqüência é trabalhoso.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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