Uma praga que permanece: a intolerância com o diferente

Desde a antes da invenção do vidro – que permitiu o mergulho no universo do mundo pequeno com o microscópio e o voo no universo do mundo grande com o telescópio – a humanidade fez maravilhas. Maravilhas inimagináveis. A lista é grande, tão grande que já colocamos artefato em Marte. Em compensação, parece que parte de nós ainda não saiu da sopa produzida pouco depois do Big Bang e que nos deu origem. Parte de nós teima em rastejar no que há de mais primário no cosmos e insiste em manter pulsando a intolerância com o que é diferente: cor da pele, religião, sotaque, sexo, língua, idiossincrasias, tamanho do nariz!

Quando levamos a questão para o campo da razão a bananosa só aumenta ao mostrar o quanto somos pequenos, embora as maravilhas produzidas.

Parte dessa espécie de doença é explicada pela ignorância, pois na medida em que conhecemos de perto o que tememos ou execramos mudamos o modo de agir e nos tornamos tolerantes. Nosso instinto tribal é um componente poderoso contra a aceitação rápida do diferente, mas desde antes de Marco Polo fomos conhecendo o mundo e admitindo que o outro não é necessariamente um demônio por ser diferente, por pensar diferente, por possuir crença diferente.

Então, a superação do preconceito contra o diferente, a eliminação do medo que aguça a intolerância com a diversidade pode estar associada à educação, pode ser algo a ser transposto pela informação, pelo conhecimento.

Entretanto, a manipulação desse condicionamento tribal exacerba o nosso medo a tudo que diverge de nossa visão de mundo que e nos leva facilmente ao fanatismo. E o fanatismo sempre desemboca no terror. Religiões e partidos sectários são dotados de boa capacidade de manusear a mente das massas jogando-as no que há de mais insano.

No campo da religiosidade a situação é mais complexa por envolver Deus e por que o culto à morte como rito de passagem para a vida eterna exerce fascínio descomunal sobre as pessoas que assumem determinada fé, geralmente conduzidos por lideres carismáticos oportunistas. São muitas as atrocidades na história cometidas por gente de fé inquebrantável. As Cruzadas e a monumental epopeia de caça às bruxas se inserem nessa perspectiva. O remédio, aqui, é estabelecer fronteira clara entre o que é laico é o que é parte de minhas crenças relativas ao transcendente. A parte do mundo que avançou nesse sentido está menos tensa.

No perímetro da politica a fé também é importante e a cultura da morte como elemento redentor está presente. Aliás, aqui a politica assume contornos de religião na medida em que exige postura cega de seus seguidores (e acenam com uma parusia). Os comunistas, por exemplo, inventaram “centralismo democrático”, que em nada deve aos dogmas das religiões. Diante de qualquer discordância o líder apela ao “centralismo democrático” que nada mais é do que a vontade férrea do tirano de plantão. Nesse contexto o melhor remédio é a democracia liberal, com todos seus defeitos.

A novidade do milênio, nesse patamar da intolerância ao diferente que persiste é que pela primeira vez na história da humanidade entram em pauta armas de destruição em massa para nos assustar ainda mais. Enquanto o mundo ficou atônito com a previsão do calendário Maia ali no oriente próximo Israel e Irã desenham o armagedon num clima de tensão a confirmar que a praga não só permanece como também cresce.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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