Unesco propõe amplo debate sobre desinformação na semana do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) promove desde a quarta-feira (1º) uma série de atividades, em diferentes países, alusivas ao Dia Mundial de Liberdade de Imprensa celebrado na sexta-feira (3).

Neste ano, o tema das comemorações, que têm sede Adis Abeba, na Etiópia, tem o combate à desinformação como tema central.

Sob o tema “Mídia para a Democracia, Jornalismo e Eleições em Tempos de Desinformação”, conforme relata o site da Unesco e o Portal Imprensa, centenas de atividades estão programadas para debater o assunto. A abertura oficial do evento será na quinta-feira (2), com discurso da diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay. A existência de uma mídia livre, pluralista e independente é um pré-requisito para o funcionamento adequado das democracias”, diz Audrey em mensagem sobre o Dia Mundial de Liberdade de Imprensa.

“O jornalismo independente oferece uma oportunidade para apresentar os fatos aos cidadãos e para que estes formem suas opiniões. A liberdade de imprensa garante a existência de sociedades transparentes, nas quais todos podem ter acesso à informação. O jornalismo independente analisa o mundo e o torna acessível a todos, além de trabalhar para a diversidade de opinião”, afirma diretora-geral da Unesco.

Também na quinta-feira, será entregue o prêmio de Liberdade de Imprensa da entidade aos jornalistas de Kyaw Soe Oo e Wa Lone, da Reuters presos em Mianmar desde 2017 por terem participado de reportagens revelando o assassinato coletivo rohingyas. Os dois profissionais já receberam um Pulitzer neste ano.

Na quarta-feira (1º), segundo o Portal Imprensa, uma conferência acadêmica apresentou os resultados de uma pesquisa sobre segurança de jornalistas. A questão envolvendo a segurança e o assédio a jornalistas mulheres e aos profissionais que cobrem eleições terá destaque.

Entre as atividades, está também a campanha Defenda o Jornalismo, incentivando a mídia geral a mostrar sua solidariedade em favor da imprensa livre e independente colocando banners em defesa da causa em suas publicações, páginas digitais e redes sociais.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi criado pela Unesco em 1993. O objetivo é celebrar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa, avaliar o estado da liberdade de imprensa ao redor do mundo, defender a mídia de ataques contra sua independência e render tributo aos jornalistas que perderam suas vidas no exercício de suas responsabilidades.

Abaixo, a íntegra da mensagem de Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, 3 de maio de 2019:

A liberdade de imprensa é o pilar das sociedades democráticas. Todos os Estados e todas as nações são fortalecidas pela informação, pelo debate e pela troca de opiniões.

Em uma época caracterizada por um crescente discurso de desconfiança e deslegitimação da imprensa e do jornalismo, é essencial que a liberdade de opinião seja garantida por meio do livre intercâmbio de ideias e informação com base em verdades factuais.

O tema desta 26ª comemoração é “Mídia para a democracia: jornalismo e eleições em tempos de desinformação”. Além de ser utilizado na conferência internacional organizada em conjunto com o governo da Etiópia e a União Africana, que será realizada nos dias 2 e 3 de maio de 2019, esse tema será abordado em vários eventos em todo o mundo.

Ao mesmo tempo em que essas épocas são momentos-chave para a atividade política, elas também estão sujeitas a todos os perigos da instrumentalização, combinados com práticas tais como obstruções, perseguições, detenções ilegais e até mesmo assassinatos, que impedem os jornalistas de realizarem livremente o seu trabalho.

O Observatório da UNESCO registrou que 99 jornalistas foram mortos em 2018, enquanto um total de 1.307 jornalistas foram mortos entre 1994 e 2018.

A impunidade por crimes cometidos contra jornalistas é uma ameaça que afeta todas as nossas sociedades. Essa ameaça exige de nós um constante estado de vigilância. Devemos agir de forma conjunta para proteger a liberdade de expressão e a segurança dos jornalistas.

A existência de uma mídia livre, pluralista e independente é um pré-requisito para o funcionamento adequado das democracias. O jornalismo independente oferece uma oportunidade para apresentar os fatos aos cidadãos e para que estes formem suas opiniões. A liberdade de imprensa garante a existência de sociedades transparentes, nas quais todos podem ter acesso à informação. O jornalismo independente analisa o mundo e o torna acessível a todos, além de trabalhar para a diversidade de opinião.

Hoje, nós convidamos os Estados-membros, assim como a sociedade civil e as organizações profissionais, a celebrarem a liberdade de imprensa e o direito de acesso à informação, que são essenciais para qualquer sociedade democrática.

(ANJ, 30/04/2019)

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