Urubu no estúdio

Foi em 1954. Eu trabalhava como locutor na Rádio Tubá, sob a direção de Edgar Nunes. Walter Zumblick era o contador. Austero e, na maioria das vezes, sisudo, seu Walter não dava muita conversa para os funcionários, mas era uma pessoa a quem respeitávamos mais pela sua personalidade do que pelo seu temperamento reservado.
Por Antônio Natálio Vignali

Certo dia, seu Walter abriu a pequena cabine de locução para colocar sobre a mesa um novo comercial. O locutor não estava na cabine, mas havia deixado o sinal de que por ali passara alguém cujo intestino não estava na melhor forma. Como haveria de dizer o Doutor Telésforo Machado, pai dessa troupe de profissionais de rádio que todos conhecemos, ao abrir a porta, seu Walter recebeu em suas sensíveis narinas  o pútrido fedor dos gazes fétidos ali “descarregados”. Ato contínuo, bateu a porta e saiu tapando o nariz.
No corredor ouviu-se sua sentença: “ou tem um urubú morto no estúdio, ou alguém comeu o ururbú!” O locutor, permito-me não declinar o nome. Afinal, mesmo tendo falecido, deve estar dando boas gargalhadas até hoje.


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