Vai um podcast aí?

Em tempos de crise todos tendemos a buscar novas formas de vender nossos peixes. Até porque, se não fizermos assim, as empresas não sobrevivem. Por Alvaro Bufarah.

Entre idas e vindas tenho discutido nesse espaço as possibilidades do uso de novas tecnologias nas emissoras de rádio. Entre as ferramentas mais interessantes para utilizarmos na fidelização de nossos ouvintes está o Podcast.

O termo foi criado para denominar o processo desenvolvido pelo VJ da MTV Adam Curry, que produziu e veiculou um programa de rádio na Internet utilizando uma tecnologia que possibilitava que os usuários pudessem se inscrever e receber as atualizações do programa automaticamente. A base do processo está no uso da tecnologia de indexação RSS, muito empregada pelos leitores de agências de notícias on-line.

Além da busca remota, a outra característica importante nesse sistema é o fato de que o usuário baixa o arquivo em sua máquina, podendo colocar este material em players portáteis para serem ouvidos a qualquer hora ou circunstância.

Há que se fazer uma distinção entre os conceitos de podcast (utilizado acima) e de arquivos de áudio em formato on demand (sob demanda) e streaming (transmissão ao vivo), pois nos dois últimos, o usuário não fica com o arquivo salvo permanentemente em sua máquina.

As emissoras de rádio brasileiras ainda têm muita resistência em disponibilizar seus conteúdos com este sistema. Alguns dos motivos alegados são a legislação de direitos autorais e a possibilidade de que o usuário possa re-editar o material e disponibilizá-lo novamente na rede.

Na prática, a maioria dos ouvintes não quer baixar estes conteúdos para novas edições, mas sim, para ouvirem os programas que gostam no momento que preferirem. É com base nesse conceito, que empresas como a BBC, NKK, CBS, entre outros gigantes do setor de comunicação estão disponibilizando parte de suas programações na internet.

Acredito que seja uma ferramenta fantástica para trazer o ouvinte mais próximo da emissora. Entre as possibilidades que mais me agradam, é a de fazer meu próprio jornal escolhendo entre os blocos disponíveis das programações das emissoras noticiosas. Ou ainda, poder acompanhar programas de outros países que foram veiculados sem que eu pudesse acompanhar in loco.

Porém, para que isso funcione e abra uma série de perspectivas interessantes para negócios, é preciso lembrar que teremos de formar uma nova gama de profissionais de rádio tendo como foco estes serviços e suas possibilidades de interação. Além disso, temos de repensar onde e como vamos veicular as publicidades nesses produtos radiofônicos.

Um bom exemplo de sucesso é que a Toyota já patrocina um programa em podcast em uma das emissoras de Los Angeles. Porém, há um dado curioso: O spot do anunciante tem apenas 15 segundos, pois não há tempo nem disponibilidade do usuário em acompanhar mais que isso em seu player.

Ou seja, teremos de reaprender a fazer rádio nesse novo formato, pois não acredito que seja apenas uma ferramenta desvinculada do contexto tecnológico e de conteúdo das programações.

Por outro lado, aquele ouvinte que está fora de sua cidade natal pode, por exemplo, ouvir seu programa predileto em qualquer horário mesmo estando em outro país. Alem disso, poderá interagir com a programação e escolher entre seus arquivos os programas mais interessantes para levar com ele. Esta é uma tendência que dá calafrios nos proprietários de emissoras de rádio, gestores e gravadoras.

Acredito que um dia poderemos enviar e receber estes arquivos de formas tão diferentes e rápidas que um turista em uma praia em Salvador poderá adquirir um programete de turismo indicando onde e como seguir pela cidade. Imagine um garotinho de abadá oferecendo estes conteúdos através de rede de alta velocidade sem fio na areia da praia. Pode parecer maluco ou sem sentido, mas que teremos de utilizar esta tecnologia. Ahhh! Isso teremos…

Sejam bem-vindos a nova fase do rádio! Vai um podcast aí, meu rei…?

Dica de Livro
O uso do rádio como um potencializador da cidadania nas comunidades brasileiras é um dos temas abordados por Ana Luiza Zaniboni Gomes em “Na boca do rádio – radialistas e as políticas públicas” da Editora Hucitec. Mais que uma obra literária, o trabalho da jornalista demonstra as frágeis ligações entre as políticas públicas de saúde, as comunidades e o rádio como seu mediador. O conteúdo se originou nos projetos de rádio da Oboré, empresa de comunicação que desde 1978 desenvolve projetos tendo como norte a democratização dos meios de comunicação no Brasil.
Prof. Alvaro Bufarah, jornalista, especialista em política internacional, mestre e pesquisador sobre rádio. Coordenador da Pós-Graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP.

Fonte: www.radioagencia.com.br
Colaborou Vera Lúcia Correia da Silva

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *