Valores catarinenses: Gilberto Martinho

Gilberto Martinho e Fátima Freire na novela Cabocla. Foto site F. Freire

Quando Gilberto Martinho deixou sua bucólica Cangicas (hoje distrito de Hercílio Luz, Araranguá – (SC) para galgar os degraus da fama na TV Tupi (depois Rede Globo), era apenas mais um a tentar a sorte e apostar em seu talento no Rio de Janeiro.

Foi o mais autêntico “coronelaço” nos papéis centrais das novelas e dos palcos brasileiros, depois sucedido por Lima Duarte e, hoje, por Osmar Prado. Gilberto Martinho lutou contra um câncer que o acabou vencendo recentemente. Assim como Gilberto, o sul de Santa Catarina foi um manancial de valores artísticos que precisam ser devidamente registrados para a história (hoje tão frágil de informações corretas e dados precisos). Vide transcrição ao final deste texto sobre Gilberto Martinho.

O que muitos não sabem é que o conceituado apresentador, Celso Freitas, também nasceu em Criciúma, SC, para orgulho de todos os catarinenses.

Dos reais pesquisadores e historiadores conscientes, poucos restam ainda ativos e capazes de resgatar, com lisura e clareza necessárias, os fatos passados.

Infelizmente, “cada um faz sua própria história”, enfatizando seus próprios “méritos”, relegando ao esquecimento e à omissão aquilo que todos desejariam conhecer do passado mais longínquo. Com esse intróito sobre o que penso, creio necessário e urgente que haja uma conscientização junto aos que nos sucederão nas narrativas de fatos passados; cremos ser extremamente necessário um resgate fiel da história, sem egoísmos, sem “pavonismos” abomináveis que somente deturpam e gravam versões errôneas e incompletas, tidas como fiéis pelos menos avisados.

Digo tudo isso para iniciar uma série de trabalhos relacionados ao meio artístico catarinense, em cujo mérito estará a realidade dos fatos passados, num resgate sem sofismas ou omissões.

Um dia, reportando-me á seção “Obituário” de um diário editado no Estado de Santa Catarina, tomei conhecimento, com imensa tristeza, da morte de um dos mais aplaudidos músicos sulinos: Abílio Vasconcelos. Ele guardava, com extremo orgulho, um precioso acervo dos velhos tempos em que, com seu bandolim ou cavaquinho (pois era exímio em ambos), compunha o Regional R-6 da Rádio Eldorado de Criciúma dos finais dos anos 40 e inícios dos anos 50. (Se esqueceram do próprio Jacó do Bandolim, o que se poderia esperar nessa altura?)

Mostrou-me uma foto histórica desse memorável conjunto, onde perfilavam: Santos Flores (arranjador e violonista), ele (Abílio) no bandolim, Aristides Madeira (segundo violão), Zequinha (bateria), Santiago (pandeiro e agea), Edu Réus (até hoje com o seu conjunto “Os Araganos” atuando em rádios e palcos do Rio Grande do Sul, no acordeom) e nada menos que Altair Castelan, histórico nome artístico que atuou por longo período na Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis, no piano e acordeom, algumas vezes substituído por seu tio Albino, na Eldorado de então. Puro talento! Pois a triste nota relacionada à morte de Abílio Vasconcelos (77) registrou somente o derradeiro período de sua participação artística, então já no alvorecer da década dos anos 70, em outra rádio de Criciúma.

Infelizmente, e mais uma vez, não foi procurada a informação completa e independente, que tem nome, residência e telefone: Mário Beloli, a quem reverenciamos como acurado e zeloso pesquisador e historiador.
Atualmente, além dele, não conheço outro nome credenciado para rememorar, com seriedade e precisão necessárias, qualquer fase anterior aos anos 50 da história da cidade de Criciúma, com imprescindível fidelidade. É lamentável, realmente…

Transcrevemos: “Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

GILBERTO MARTINHO

Data de nascimento 14 de Janeiro de 1927
Local de nascimento Araranguá, SC
Data de falecimento 19 de Agosto de 2001 (74 anos)
Local de falecimento Barra de São João, RJ

Jovem ainda muda-se para o Rio de Janeiro, onde inicia os estudos de arte dramática, no Teatro do Estudante. A convite de Henriette Morineau integra o grupo Os Artistas Unidos. Em 1951 tem sua primeira oportunidade no cinema no filme Maria da Praia, sendo apontado como a revelação do ano, ganhando o prêmio da ABCC. Passa a ser bastante requisitado para outros trabalhos no cinema, chegando a fazer muitos outros filmes como Fuzileiro do Amor (1956) e Adorável Trapalhão (1967).

Paralelamente atua também com destaque na televisão, principalmente no papel de Falcão Negro, super-herói brasileiro de muito sucesso na década de 50, ao lado de Haydeé Miranda. Em 1970, ganha notoriedade nacional ao interpretar o Coronel Pedro Barros na telenovela Irmãos Coragem. No teatro, brilha nas companhias de Bibi Ferreira, Marlene, Luís Delfino e a equipe de Guto Graça Mello.

Participou de inúmeras telenovelas da Rede Globo, entre elas Selva de Pedra, Gabriela, Cabocla, Escrava Isaura e a minissérie O Tempo e o Vento. Foi sepultado na região dos Lagos no Estado do Rio de Janeiro.

Filmografia

• 1951 – Maria da Praia
• 1954 – Rua sem Sol
• 1954 – Alvorada de Glória (inacabado)
• 1954 – O Rei do Movimento
• 1954 – Conchita und der Ingenieur
• 1955 – Paixão nas Selvas
• 1955 – Mãos Sangrentas
• 1955 – O Grande Pintor
• 1955 – Colégio de Brotos
• 1955 – O Diamante
• 1956 – O Feijão é nosso
• 1956 – Fuzileiro do Amor
• 1957 – O Negócio foi assim
• 1957 – Tudo é Música
• 1958 – Contrabando
• 1967 – Adorável Trapalhão
• 1976 – O Pistoleiro

Televisão

• 1957 – O Falcão Negro – Falcão Negro (TV Tupi)
• 1967 – Anastácia, a Mulher sem Destino (TV Globo)
• 1968 – Sangue e Areia
• 1969 – A Grande Mentira – Jorge Antonio de Albuquerque e Medeiros (TV Globo)
• 1969 – Rosa Rebelde (TV Globo)
• 1969-1970 – Véu de Noiva – Felício (TV Globo)
• 1970-1971 – Irmãos Coragem – Cel. Pedro Barros (TV Globo)
• 1971-1972 – O Homem que Deve Morrer – Mestre Jonas (TV Globo)
• 1972 – Selva de Pedra – Aristides Vilhena (TV Globo)
• 1972 – Somos Todos do Jardim de Infância – Caso Especial (TV Globo)
• 1972-1973 – Uma Rosa com Amor – Carlos (TV Globo)
• 1973 – Medeia – Caso Especial (TV Globo)
• 1973-1974 – Carinhoso – Felipe (TV Globo)
• 1974 – Fogo Sobre Terra – José Martins (TV Globo)
• 1974 – O Crime do Zé Bigorna – Caso Especial – Delegado João (TV Globo)
• 1975 – Gabriela – Cel. Melk Tavares (TV Globo)
• 1975 – Pecado Capital – Raimundo (TV Globo)
• 1977 – Escrava Isaura – Comendador Almeida (TV Globo)
• 1977 – Sinhazinha Flô – Pêpe, o cigano (TV Globo)
• 1978 – Maria, Maria – Antônio Roxo (TV Globo)
• 1979 – Memórias de Amor – Mauro Pompéia (TV Globo)
• 1979 – Cabocla – Cel. Justino (TV Globo)
• 1980 – Chega Mais – Sr. Barata (TV Globo)
• 1981 – Baila Comigo – Antenor Gomide (TV Globo)
• 1982 – O Homem Proibido – Jocemar (TV Globo)
• 1983 – Voltei pra Você – Januário (TV Globo)
• 1984 – Vereda Tropical – Barbosa (TV Globo)
• 1985 – O Tempo e o Vento (minissérie) – Cel. Ricardo Amaral (TV Globo)
• 1986 – Roda de Fogo – Gílson Góes (TV Globo)
• 1994 – Você Decide – Episódio: Carga Pesada (TV Globo)
• 1995 – Você Decide – Episódio: A Greve (TV Globo)
• 1996 – Você Decide – Episódio: Francisco”.

3 respostas
  1. Carla Cascaes says:

    Até que enfim há um começo, buscando o resgate de saudosos artistas interioranos que ousaram enfrentar a aventura de buscar a consaqgração…

    Assisti muitos e brilhantes trabalhos de Gilberto Martinho, um marisqueiro qualquer do sul catarinense que deixou uma brilhante lição em teatros e novelas para o Brasil imitar.

    Olhem, o Caros Ouvintes desta semana está me empolgando novamente.

  2. Ulysses says:

    Sem sombra de dúvida, Gilberto Martinho é um patrimônio da teledramaturgia brasileira. Espero que seu nome não seja esquecido nas futuras comemorações dos 60 anos da TV brasileira no próximo dia 18 de setembro.

  3. ADRIANA FREITAS says:

    Quero agradecer o reconhecimento ao meu saudoso pai,estando de acordo com a Carla e Ulysses, aproveitando para agradecer suas palavras,o brilhante ator que foi,aportando muito a teledramaturgia brasileira, deixando uma lição maravilhosa para as novas geraçoes de atores, combinando o talento com a disciplina. Gilberto Martinho, um ser humano excepcional dentro e fora da tv.
    Um carinhoso abraço a Caros Ouvintes e a todas as pessoas que o guardam na memória.

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