‘Vamos tomar a última para desiquilibrar’

Já disse um filósofo de bar que “nós somos o que fazemos ou deixamos de fazer”. Pois tanto o título desta matéria como a citação que você acaba de ler, são o retrato de quem foi Martina, ou melhor dizendo em honra a atenção do caro leitor, José Hamilton Martinelli.

Morreu na madrugada de sábado, 22/6, sem pompa e circunstância como era de seu gosto, Martina – o filósofo de bar, como foi batizado pelo colega de profissão Sérgio da Costa Ramos, também chegado a etílicas filosofadas.

Martina, filosofando eu agora, “às vera” continua e continuará vivo enquanto perdurar nossa lembrança. Porque, segundo outro filósofo mais etéreo (etéreo, eu falei, não etílico): “As pessoas não morrem, são esquecidas”.

Por isso, e por tantas outras coisas que você sabe melhor do que eu, o jornalista José Hamilton Martinelli continua e continuará vivíssimo nas suas bem humoradas tiradas, no seu olhar matreiro, nos muitos livros que leu, no seu amor pelo cinema, pelo bom texto, pelo sonho do Grupo Sul que viveu com o amigo Salim Miguel e toda uma estirpe de intelectuais com os pés no chão e a cabeça nas estrelas. E também, acrescento, continuará vivo enquanto nós o mantivermos no coração, gratos que somos por termos partilhado boa parte de nossas vidas com ele e seus feitos e desfeitos, inteligentes e despretensiosos. AS.

O adeus ao “filósofo de bar” *

Nascido em Florianópolis em 1930, Martina, como era conhecido pelos amigos e pela família, deixa a mulher Ana Peña, três filhos, 10 netos e 2 bisnetos. Ele começou sua carreira na área da comunicação como cinegrafista filmando para o Jornal do Cinema, publicado pela Produções Carreirão, e ajudou nas filmagens do filme “O preço da ilusão”. Também trabalhou nos Correios e Telégrafos, na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e foi assessor de imprensa do governo Esperidião Amin e da prefeita Ângela Amin.

Chamado de “filósofo de bar” pelo amigo e escritor Sérgio da Costa Ramos, ficou conhecido por grandes “tiradas”, como “vamos tomar a última para desequilibrar”. Mas também foi autor de slogans que marcaram a cidade em que nasceu como “Florianópolis Vale a Pena”. Leitor e cinéfilo inveterado, Martinelli também participou do grupo Sul ao lado do amigo Salim Miguel. Nos últimos anos de vida deixou para o Museu da Imagem e do Som, rolos de filme que mostravam parte da memória da cidade.

Martinelli era tio do colunista do Notícias do Dia, Ricardinho Machado, mas foi também seu pai de criação. O colunista conviveu com ele durante muitos e por meio dele ingressou na área de comunicação. Ricardinho conta que aos 12 anos ajudava o pai de criação fazendo a iluminação dos trabalhos para a Produções Carreirão. “Comecei minha vida profissional com ele. Moramos muitos anos junto e ele era um cara incrível. Já passava por muitas dificuldades nos últimos anos por causa da doença, teve algumas infecções e não reconhecia muitas pessoas. Vai deixar saudade”, afirmou”.

* Letícia Mathias | @leticiam_ND | Florianópolis

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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