Vanguarda!

Tatiana Cobbett, assinante honoris causa deste boletim, conta como seu amigo, Rossano Cancelier, passou por uma experiência inusitada, mas não imprevisível. Segue aqui o relato de próprio punho, como ela mesma declara. Tomara que não, mas se você precisar, eis como agir

“Tenho o sono muito leve e, numa noite dessas, notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal da minha casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa é muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas é claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.

Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Desliguei. Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

– Olá! Liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12  que tenho guardada em casa para estas situações. Putz! O tiro fez um estrago danado no cara! 

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate e uma equipe de TV. (Antônio Bento, que ouvia atento, não resistiu e falou: ele esqueceu de mencionar as equipes de reportagem das emissoras de rádio AM e FM que para lá também se dirigiram).

Prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.

Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:

– Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão. Respondi:

– Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível”.

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